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quarta-feira, 4 de setembro de 2024

GENTE DO PÓ

Título Original: Gente del Po
Diretor: Michelangelo Antonioni
Ano: 1947
País de Origem: Itália
Duração: 11min
Nota: 7

Sinopse: Primeiro documentário de Michelangelo Antonioni, onde ele já revela seu estilo consistente em retratar a paisagem interior do homem em sua relação com a paisagem que o circunda. Aqui, o cineasta documentou a vida dos barqueiros e dos ribeirinhos do vale do rio Pó.

Comentário: Foi aqui que Antonioni se apresentou para o mundo como diretor, nesse curta documental de onze minutos. Foi filmado em 1943, mas devido a II Guerra Mundial em curso, foi editado somente em 1947, ano de seu lançamento. A música de Mario Labroca dispensa qualquer texto adicionado, as imagens são como poesia e a música combina muito bem com ela. Apesar do texto servir para contextualizar um pouco as coisas, achei que não era nem um pouco necessária. As imagens são lindíssimas, Antonioni já mostra aqui seu talento e todo o seu olhar técnico do que se tornaria dali em diante. Não há uma história, uma narrativa, mas mesmo assim cria-se uma atmosfera nostálgica e histórica.



domingo, 14 de março de 2021

A DAMA DE SHANGHAI

Título Original: The Lady From Shanghai
Diretor: Orson Welles
Ano: 1947
País de Origem: EUA
Duração: 87min

Sinopse: Michael O'Hara (Orson Welles) é um marinheiro que vê a bela Elsa Bannister (Rita Hayworth) passeando de charrete no parque. Ele a ajuda quando ela é assaltada por três homens, levando-a até seu carro. No dia seguinte Michael recebe a visita de Arthur Bannister (Everet Sloane), marido de Elsa e um advogado criminalista consagrado, que deseja que ele trabalhe em seu iate durante uma viagem que o casal fará. Inicialmente relutante, Michael aceita o trabalho devido à atração que sente por Elsa. Na viagem também está George Grisby (Glenn Anders), sócio de Arthur, que oferece a Michael US$ 5 mil caso ele o mate.

Comentário: Orson Welles era um gênio, este filme é só mais uma das provas disso. Mesmo com todos os cortes do estúdio e as polêmicas de interferência, Welles consegue nos entregar uma obra prima, com diálogos que refletem todas as ligações com os personagens (pra citar um, os dos tubarões se devorando, mas há muitos outros). Um filme que tem sua força escondida entre pequenos detalhes, em umas falas aqui, umas ações ali, e que talvez por isso seja tão difícil das pessoas enxergarem o quão brilhante ele é. Na época, chegaram a colocar a culpa do fracasso nas bilheterias porque o Welles pediu que Rita Hayworth cortasse os cabelos curtos. Eu simplesmente amei.


sábado, 23 de janeiro de 2021

UM BARCO PARA A ÍNDIA

Título Original:Skepp Till India Land
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1947
País de Origem:Suécia
Duração: 96min

Sinopse: Johannes (Birger Malmsten) é um marinheiro que, após sete anos no mar, volta à Suécia, para procurar Sally (Gertrud Fridh), a mulher que ama. Mas Johannes encontra uma Sally com perturbações mentais, fora de si e irada contra ele. Tal motiva a sua revisita ao passado, sete anos antes quando trabalhava no barco do pai, o despótico capitão Blom (Holger Löwenadler), que tratava Johannes, a sua mãe e os empregados tiranicamente, trazendo inclusivamente a dançarina de cabaré, Sally, como sua amante.

Comentário: Dos primeiros filmes do Bergman este foi o que achei mais fraco, mas mais por causa do dramalhão exagerado nas partes que se passam no presente. Todo o desenvolvimento dos personagens e em como as coisas vão culminando é um perfeito Bergman. Diálogos e situações que se mantém atuais para os dias de hoje em muitos aspectos. A direção e a parte técnica já mostra um pequeno salto dos filmes anteriores, a cena do moinho é maravilhosa, coisas que só o Bergman conseguia tirar de uma câmera. Um filme que vale pelo que há nas entrelinhas, que são assuntos muito atuais, como relacionamentos abusivos, prostituição, machismo, obsessões... entre tantas outras coisas.