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domingo, 14 de setembro de 2025

HIROSHIMA MEU AMOR

Título Original: Hiroshima Mon Amour
Diretor: Alain Resnais
Ano: 1959
País de Origem: França
Duração: 90min
Nota: 9

Sinopse: Uma atriz francesa que está rodando um filme contra a guerra em Hiroshima tem um caso com um arquiteto japonês casado, enquanto compartilham suas diferentes perspectivas sobre a guerra.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro e vencedor do prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema no Festival de Cannes. Resnais faz aqui um enorme manifesto contra a guerra, onde um soldado alemão apaixonado pode ser a vítima, onde os mocinhos que dizimaram civis com bombas atômicas não são tão mocinhos assim. É um filme corajoso demais para a época, onde escancara que nem todo esqueleto no armário foi devidamente enterrado depois de 45, mas a maneira que ele conta essa história é de uma sutileza ímpar, que nunca havia sido feito antes e nunca foi feito depois. Emmanuelle Riva controla o espectador em cada movimento, em cada fala, em cada detalhe. Eiji Okada é um mero espectador como nós.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

LOTNA

Título Original: Lotna
Diretor: Andrzej Wajda
Ano: 1959
País de Origem: Polônia
Duração: 87min
Nota: 7

Sinopse: Ambientado no início da Segunda Guerra Mundial, quando a cavalaria polonesa ainda lutava com lanças contra as tropas alemãs, Lotna é um cavalo branco puro-sangue que passou por várias mãos em uma unidade militar.
 
Comentário: É um bom filme, está abaixo dos dirigidos por Wajda até aquele momento, mesmo porque a trilogia da guerra dele é bem acima da média, então fica difícil querer comparar. Há alguns pontos de destaque, o primeiro é a direção, Wajda consegue tirar imagens lindas da história que é um pouco simples demais em vários aspectos, segundo ponto é que adorei a música composta por Tadeusz Baird, ele voltou a trabalhar com o diretor em Samson (que preciso rever). Outra coisa é a maravilhosa Bozena Kurowska, que morreu tão jovem no palco durante uma apresentação aos 32 anos (a causa da morte nunca foi divulgada, mas boatos dizem que ela estava com leucemia), ela consegue brilhar em cena. Por último, mas eu sou suspeito para falar, é o cavalo em si, sou um apaixonado por cavalos, é o animal que acho mais bonito (Não cavalgo há anos), Lotna é maravilhoso de se olhar, um tremendo cavalo.



domingo, 4 de agosto de 2024

O CARROCEIRO

Título Original: Borom Sarret
Diretor: Ousmane Sembene
Ano: 1959
País de Origem: Senegal
Duração: 20min
Nota: 8

Sinopse: Em O carroceiro, do diretor senegalês Ousmane Sembène, temos a história de um homem pobre que tenta ganhar a vida como carroceiro em Dakar.
 
Comentário: É o começo do cinema africano e um marco que reflete as diferenças de classes sociais tão evidentes em qualquer país que sofreu com o colonialismo europeu. Nem um pouco diferente de países latinoamericanos, as cenas no bairro rico da cidade em pleno final da década de 50 mostra uma África que muitos europeus ou estadunidenses não imaginam que existisse, já que insistem em acreditar que é tudo selva e pouco desenvolvido nos países do sul global. A história é muito simples, mas funciona, escancara esse reflexo indigesto da pobreza que só piora quase setenta anos depois. Impressionante como esse tipo de denúncia já existia desde então e nada foi feito, e tudo piorou, em um mundo onde a concentração de renda tornou esse tipo de vida que vemos no filme ainda mais comum por todo o mundo. Crises humanitárias e genocídios por toda a parte. Até quando?



domingo, 28 de julho de 2024

QUEM MATOU LEDA?

Título Original: À Double Tour
Diretor: Claude Chabrol
Ano: 1959
País de Origem: França
Duração: 94min
Nota: 8

Sinopse: O negociante Henri Marcoux tem um caso amoroso com uma bela e jovem vizinha, bem debaixo do nariz de sua esposa. Sua linda filha está apaixonada por um húngaro boêmio, enquanto o filho Voyeur começa a ter liberdades com a amante do pai. Com o amadurecimento das paixões na família, deslumbra-se uma tragédia.
 
Comentário: Indicado ao Leão de Ouro e vencedor do prêmio de Melhor Atriz para Madeleine Robinson no Festival de Veneza. Eu confesso que esperava mais, mas no geral é um filme muito bom pelo que há nas entrelinhas. Vejo pessoas dizendo que o filme é "white people problems", mas é exatamente isso que Chabrol usa como critica a classe burguesa, há várias camadas para serem analisadas a respeito. O elenco todo está muito bem, mas é a minha crush Bernadette Lafont que rouba todas as cenas em que aparece na minha opinião. Gostei do ritmo, mas achei estranho que o assassinato de Leda fique tão evidente no poster do filme, por exemplo, já que não é algo que aconteça no começo do filme (O título do Brasil então é mais descarado ainda), mas não estraga a experiência.



domingo, 28 de janeiro de 2024

O MUNDO DE APU

Título Original: Apur Sansar
Diretor: Satyajit Ray
Ano: 1959
País de Origem: Índia
Duração: 106min
Nota: 9

Sinopse: Apu é um estudante recém-formado e desempregado que sonha em ser escritor. Um amigo de escola o convida para um casamento e ele acaba como o noivo da garota que estaria se casando. Mesmo com repulsa pela idéia, ele aceita e a leva, posteriormente, de volta a Calcutá.

Comentário: Fechando a trilogia de Apu com um ótimo filme. Discordo quando dizem que é o filme mais comercial só por ter um ritmo mais fácil que os outros, acho que o ritmo mais fácil se dá pela própria dinâmica do filme que é muito boa e nos pega direto no coração. Soumitra Chatterjee faz um ótimo Apu, mas fiquei imaginando que legal que seria termos o mesmo ator desde o começo como o Jean-Pierre Léaud nos filmes do Truffaut. Sharmila Tagore é um deleite, se você assiste este filme e não fica completamente apaixonado é porque seu coração já morreu. Uma das mulheres mais lindas que o cinema já viu. Uma trilogia cheia de sofrimento, despedaça a gente. O desfecho é lindo.



terça-feira, 19 de maio de 2015

VIAGEM AO PLANETA PROIBIDO

Título Original: The Angry Red Planet
Diretor: Ib Melchior
Ano: 1959
País de Origem: EUA
Duração: 83min

Sinopse: O primeiro foguete tripulado enviado à Marte, o MR-1, retorna a Terra trazido por controle remoto após ter ficado perdido no Espaço e sem comunicação pelo rádio. Agora a Dra. Iris Ryan precisará se lembrar do que aconteceu durante a expedição para salvar a vida de um de seus companheiros.

Comentário: O filme diverte, mas é bem mal escrito, diálogos toscos, situações toscas e desenrolar tosco... mas devia ser um prato feito pra uma criança nesta época. A produção tenta imitar um pouco os filmes do Ishirô Honda, com direito a monstro gigante e tudo. O problema são coisas sem nexo, a mulher é uma cientista indo pra marte e se assusta com um alienígena como se ele fosse uma barata, personagens estereotipados com o machismo da época (que nem é exclusivo da época infelizmente). O braço do cara é contaminado com algo alienígena e os cientistas nem sequer pensam em amputar o braço dele ("Ou a gente cura o cara ou ele vai morrer, porque amputar o braço iria ser muita sacanagem"). Enfim, situações sem pé nem cabeça é o que não falta, mas a mensagem final é legal e deve ter ficado na cabeça de muitas crianças da época. Se tu for um amante de filmes B ou se assistir sem esperar muito é uma boa diversão pro final de um dia estressante.


segunda-feira, 28 de julho de 2014

ENTREI DE GAIATO

Título Original: Entrei de Gaiato
Diretor: J.B. Tanko
Ano: 1959
País de Origem: Brasil
Duração: 96min
Nota: 7

Sinopse: Januário é um vigarista que, com ajuda de seus amigos igualmente trapaceiros, se hospeda no requintado Hotel Palácio, fazendo-se passar por um rico fazendeiro de cacau a fim de roubar e enganar turistas. Ananásia é uma viúva que também se torna hóspede do mesmo hotel, com quase o mesmo plano: fingir ser milionária para conseguir casar com algum "velho" endinheirado. De imediato, Januário e Ananásia começam a namorar. No entanto, as mentiras sobre suas riquezas os fazem alvos de ladrões internacionais de joias que estavam entre os hóspedes.

Comentário: O filme é bom e diverte. Zé Trindade, Dercy Gonçalves e Costinha fizeram uma excelente equipe (ainda tem o Chico Anysio como coadjuvante bem novinho). Tem momentos hilários que me fizeram rir bastante. É um filme que se passa durante o carnaval carioca, portanto ele tem a narrativa interrompida todo o momento para apresentar marchinhas. Já comentei aqui em outros filmes sobre essas comédias brasileiras desta época e a introdução de músicas ao longo do filme, acho que atrapalha muito a narrativa, funciona como um balde de água fria na história que está sendo contada. Tirando isso o filme é bem legal, bem melhor que Marido de Mulher Boa, que o Zé Trindade estrelou no ano seguinte, por exemplo.



sexta-feira, 25 de julho de 2014

PISTOLEIRO BOSSA NOVA

Título Original: Pistoleiro Bossa Nova
Diretor: Victor Lima
Ano: 1959
País de Origem: Brasil
Duração: 111min
Nota: 9

Sinopse: Dois amigos, em busca de um lugar tranqüilo para descansar, acabam encontrando uma cidade que é dominada por bandidos e um deles é confundido com o Pistoleiro Vingador, o defensor da lei. Aí a confusão está armada.

Comentário: Filme muito bom! Engraçado e divertido.... Seria um Faroeste Comédia Brasileiro?! Ankito e Grante Otelo estão perfeitos no filme, mas é Ankito que rouba a cena interpretando dois papéis (uma pena o que aconteceu com ele: sofreu um acidente em uma filmagem no ano seguinte e teve algumas habilidades motoras comprometidas, dificultando sua carreira artística). Renata Fronzi está belíssima no filme, mas parece interpretar meio amadoramente. Fato interessante é que este é um dos poucos filmes com participação de Lyris Castellani que desapareceu sem deixar vestígios em 1963, após o filme A Ilha. Caio Fernando de Abreu escreveu uma crônica intitulada "Onde andará Lyris Castellani?". Boatos dizem que ela cansou da fama e foi viver no anonimato. Era belíssima!



quarta-feira, 23 de julho de 2014

A PRECE DO ROUXINOL

Título Original: Doa Al Karawan
Diretor: Henry Barakat
Ano: 1959
País de Origem: Egito
Duração: 118min
Nota: 8

Sinopse: Neste trágico conto de amor e traição que se passa num bucólico e conservador vilarejo Egípcio, conheceremos a história de Amna, repleta de angústia e vingança, buscando salvar a honra de sua família. Baseado no romance do escritor egípcio Taha Hussein.

Comentário: "A culpa é sempre da presa, o caçador nunca é responsável". Com esta frase podemos expressar o quão parecido é a cultura ocidental da oriental. Tem horas que parece que não evoluímos em nada ao longo do tempo. Achei o filme um pouco cansativo, mas é muito bonito e vale muito a pena ser assistido. Acho que se existisse um prêmio para o tio mais cuzão da história do cinema, este filme ganhava fácil. O amadurecimento de vários personagens, a transformação, o amor, a culpa.... tudo se mistura em um final que me comoveu muito. A mensagem que tirei é a de que a vingança nunca vale nada e o amor é a única coisa que pode nos salvar desta obscenidade que é o mundo.