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sexta-feira, 17 de abril de 2026

PAI E FILHA

Título Original: Banshun
Diretor: Yasujirô Ozu
Ano: 1949
País de Origem: Japão
Duração: 110min
Nota: 8

Sinopse: Várias pessoas tentam convencer Noriko, de 27 anos, a se casar, mas tudo o que ela quer é continuar cuidando de seu pai viúvo.
 
Comentário: Assistir Ozu é sempre gostoso e aqui o elenco ajuda muito, a dupla Chishū Ryū e Setsuko Hara conseguem manter uma química perfeita durante toda a película. Pareciam pai e filha mesmo. Achei a mensagem final meio nada haver, esse ciúmes que a filha parece ter de que o pai siga a vida, e mesmo sendo um pouco cultural acho que o filme poderia ter sido um pouco mais interessante em romper um pouco isso do que ter levado como levou. Mas um filme do Ozu nunca deixa de ser muito bom e o ritmo é de uma simplicidade e sensibilidade ímpar. Assisti no voo que me levou da Europa de volta para o Brasil para que eu voltasse ao meu país em definitivo junto com minha esposa iraniana, então teve essa mensagem de romper com uma vida passada e ir em frente que era exatamente o que eu estava fazendo. Então me tocou bastante neste ponto.

quarta-feira, 11 de junho de 2025

O TERCEIRO HOMEM

Título Original: The 3rd Man
Diretor: Carol Reed
Ano: 1949
País de Origem: Inglaterra
Duração: 105min
Nota: 10

Sinopse: O romancista Holly Martins viaja para sombria, Viena pós-guerra, apenas para ele mesmo investigar a misteriosa morte de um velho amigo, Harry Lime.
 
Comentário: Vencedor do Grande Prêmio do Festival de Cannes, em uma época que não existia a Palma de Ouro, logo este era a premiação máxima daquele ano. Havia assistido uma vez já devia fazer quase 30 anos, lembrava que tinha adorado e a impressão continuou a mesma nessa reassistida. O filme é perfeito. Carol Reed foi claramente inspirado por trabalhos anteriores de Welles, que até se criou um boato que persiste para alguns até hoje que Welles teria dirigido o filme, o que é falso. A música de Anton Karas é outra parte que funciona muito bem, mas é o roteiro de Graham Greene com tudo aquilo que fez dele ser um dos maiores escritores dentro do seu estilo noir, há reviravoltas, um elenco afiado, timing perfeito para cada personagem e um final avassalador, que foi motivo de briga entre produtor e diretor. Welles é um mero coadjuvante, mas que quando está em cena é um gigante, e mostra como pouco se mudou na humanidade de lá para cá. Filme mais que obrigatório, necessário.

sábado, 26 de fevereiro de 2022

SEDE DE PAIXÕES

Título Original: Törst
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1949
País de Origem: Suécia
Duração: 85min

Sinopse: Um jovem casal em crise viaja de trem por uma Europa devastada pela guerra. Durante o trajeto, Ruth e Bertil se lembram de relacionamentos amorosos e conflitos do passado. Nesse processo de rememoração, sentimentos como culpa e medo vêm à tona.
 
Comentário: Pode não ser o melhor Bergman do começo de carreira, mas também não é o pior. Achei muito superior que Música na Noite. Em uma primeira impressão o filme pode parecer chato, bem, talvez ele seja, porque é um reflexo do relacionamento amoroso humano e no âmago da coisa é assim mesmo, chato. Discussões que não levam a lugar nenhum, ciúmes sem sentido, uma falação desnecessária para esconder o silêncio desconfortante. Não digo que todo relacionamento é assim, mas já tive desses. Relacionamento tóxico pode funcionar? O que é funcionar? PT Anderson nos brinda exatamente sobre esses assuntos no seu Trama Fantasma. O filme ainda trás o reflexo da guerra que a Europa ainda vivia naqueles dias em que o filme foi feito. Teria Mimi Nelson interpretado a primeira lésbica do cinema? Acho que pode ser. O filme tem muito mais qualidades que defeitos. E aqui se encerra toda a filmografia do Bergman da década de 40.


sábado, 4 de dezembro de 2021

PRISÃO

Título Original: Fängelse
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1949
País de Origem: Suécia
Duração: 75min

Sinopse: Martin, um jovem diretor do cinema, recebe a visita de seu antigo professor de matemática, que lhe sugere para fazer um filme sobre a natureza demoníaca do mundo. Por sua vez, um amigo de Martin, o jornalista Thomas, lhe propõe que filme outro tema - a história uma prostituta muito jovem, que sofre nas mãos de um violento cafetão.

Comentário: Dos primeiros filmes do Bergman, este é o melhor dos que vi até agora. Da para ver que aqui o diretor dá um salto em relação aos anteriores, experimenta mais, brinca de uma maneira singular com o telespectador, sem abrir mão do dramalhão de uma maneira única que só o Bergman sabia usar. Fiquei bastante impressionado com a cena inicial, os diálogos são ótimos, e a metalinguagem cinematográfica (tanto da abertura, como de alguns outros pontos dentro do filme) só mostra como o diretor era um gênio. Assistindo essa pérola eu quase chego a mesma conclusão do Greenaway de que o cinema morreu, mas acho exagero, pois ainda se faz cinema arte de muita qualidade, só é uma pena que não tenha mais a mesma divulgação que um Bergman tinha nessa época. Birger Malmsten me surpreende aqui de novo, excelente ator. Eva Henning me tirou suspiros. Nota mais do que dez!