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sábado, 25 de novembro de 2023

A PAIXÃO DE ANA

Título Original: En Passion
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1969
País de Origem: Suécia
Duração: 101min

Sinopse: Um homem recentemente divorciado conhece uma viúva emocionalmente devastada e começam uma história de amor enquanto a comunidade da ilha passa a conviver com um maníaco que comete atos cruéis contra animais.
 
Comentário: É um autêntico Bergman, bem profundo com diálogos afiadíssimos que fazem o filme valer a pena, mas não gostei muito da narrativa. A relação entre ele e a Ana é construída de forma apressada, não convence e não me prendeu. Em contrapartida todo o mote sobre o maníaco atacando animais e como o Bergman tece a teia sobre isso criando dúvidas e certezas que se entrelaçam é genial. Obviamente que é um filme que merece ser visto, mas ao mesmo tempo em que teve partes que me prendeu bastante, teve outras que me dispersou bastante também. Elenco perfeito e confesso que quando começou o filme achei estranhíssimo um Bergman colorido (estou vendo a filmografia do diretor em ordem cronológica e este é o primeiro em cores). Funciona, mas prefiro o diretor em preto e branco.
 

domingo, 12 de novembro de 2023

O RITO

Título Original: Riten
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1969
País de Origem: Suécia
Duração: 76min

Sinopse: Acusados de encenar uma peça obscena, três atores são interrogados por um juiz. Durante e entre os interrogatórios, os segredos mais íntimos de todos são revelados. Neste filme sombrio, visceral e claustrofóbico, Bergman reflete sobre o papel do artista na sociedade.

Comentário: Pensa que é um filme para a TV feito em 1969 e tem gente hoje preocupada com nudez em exposição de arte. Feito em apenas 9 dias é uma bela de uma escarrada no conservadorismo da época e só isso já faz a grandiosidade do filme. Cheio de diálogos intrincados e de situações que geram desconforto em diferentes aspectos, mostra bem o que é o diretor no final desta década de 60, cheio de experimentalismos, verborragia e diálogos afiadíssimos. A maneira como as cenas são divididas e o desenvolvimento para aquele final maravilhoso, faz deste o melhor filme para a TV realizado por Bergman, e uma peça extremamente necessária dentro de sua filmografia. Gunnar Björnstrand está ótimo e Ingrid Thulin mostra talento de sobra com sua gagueira.


quarta-feira, 1 de novembro de 2023

VERGONHA

Título Original: Skammen
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1968
País de Origem: Suécia
Duração: 103min

Sinopse: Jan e Evan Rosenberg são dois músicos que vão viver em uma ilha para fugir da guerra civil que assola seu país. A vida corre sem problemas, mas logo soldados também chegam à localidade. O filme focaliza os sentimentos conflitantes dos personagens à medida que a guerra e a vida prosseguem.

Comentário: Definitivamente é o filme mais sombrio que já assisti do Bergman, e talvez o mais sombrio que já assisti na vida. Não esperava. Me pegou desprevenido. Um soco direto no estômago. Liv e Max estão fantásticos, tudo vai desmoronando de uma maneira tão sombria e pesada que fica difícil digerir tudo no final. Filme rodado no final da década de sessenta e ainda assim tão atual, tão parecido com o presente com bombas turcas destruindo Rojava, bombas americanas nas mãos de Israel destruindo Gaza, Ucrânia e Rússia ainda se engalfinhando e sabe-se lá como anda o Sudão ou Myanmar. Bergman vislumbrou um futuro sombrio e ele não poderia ter sido mais certeiro. Mais uma obra de arte da conta do mestre.


sábado, 21 de outubro de 2023

A HORA DO LOBO

Título Original: Vargtimmen
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1968
País de Origem: Suécia
Duração: 88min

Sinopse: Enquanto estava de férias em uma remota ilha escandinava com sua jovem esposa grávida, um artista sofre um colapso emocional quando se depara com seus desejos reprimidos.

Comentário: Seguindo o seu longa anterior (Quando Duas Mulheres Pecam) Bergman segue com os dois pés no experimentalismo narrativo e realiza um de seus filmes mais angustiantes. As ligações com o filme anterior são extensas, considero um filme irmão, não é a toa que as personagens principais tem o mesmo nome, e muito menos ainda que em ambos as personagens focos de obsessão tem o mesmo sobrenome (Vogler). Máscaras permeiam tudo e a todos e praticamente todas elas acabam caindo. Praticamente todo o filme é de livre interpretação de cada espectador, única coisa que é de igual experiência para todos são as emoções conflitantes que permeiam toda a obra. Um filme complexo, que é preciso dar um salto de fé, cair de cabeça e mergulhar sem pensar demais. Bergman nunca decepciona.


terça-feira, 10 de outubro de 2023

QUANDO DUAS MULHERES PECAM

Título Original: Persona
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1966
País de Origem: Suécia
Duração: 84min

Sinopse: Alma, uma enfermeira, deve cuidar de Elisabeth Vogler, uma atriz que está com a saúde muito boa mas se recusa a falar de qualquer jeito. Com a convivência, Alma fala a Elisabeth o tempo todo, inclusive sobre alguns de seus segredos, nunca recebendo resposta. Logo, Alma percebe que sua personalidade está sendo submergida na pessoa de Elisabeth.

Comentário: Nunca havia visto este e levei um choque tanto pelo salto que Bergman da no experimentalismo artístico quanto pela pior tradução de um título para o português na história deste país. Um filme profundo que quando percebi para onde ia desisti de tentar entender tudo e só aproveitei a viagem devorando as migalhas que eu conseguia digerir. Portanto é um filme para se ver mais vezes assim como Através de um Espelho (que é meu favorito do Bergman e já devo ter visto umas cinco vezes) para se construir uma ideia melhor da película. As atrizes estão perfeitas, dão um show e a parte técnica é das melhores de toda a cinegrafia do diretor. Não vou tentar analisar o filme, mesmo porque acho que a interpretação é de cada um, é exatamente esta a beleza do filme. Talvez seja um dos filmes mais difíceis do Bergman junto com A Hora do Lobo que assisti ontem, considero que é um filme que completa este e vice-versa com vários pontos que se cruzam. Vale cada minuto.


segunda-feira, 18 de setembro de 2023

PARA NÃO FALAR DE TODAS ESSAS MULHERES

Título Original: För Att Inte Tala Om Alla Dessa Kvinnor
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1964
País de Origem: Suécia
Duração: 80min

Sinopse: O pretensioso crítico Cornelius está escrevendo uma biografia de um famoso violoncelista e, para conseguir material, hospeda-se em sua casa por alguns dias. Ele não consegue uma entrevista com o homem, mas falando com todas as mulheres que vivem com ele, acaba se inteirando de detalhes da vida privada do músico. Cornelius decide então usar a informação obtida e tenta chantagear o violoncelista fazendo com que toque uma composição de sua autoria.

Comentário: O filme diverte e tem seus momentos, mas acho que o que mais peca é que não é um filme memorável do diretor. Até os seus filmes menores ficam na minha mente por dias, faz a gente pensar e degustar o filme mesmo muito tempo depois de ter assistido, este parece que não tem essa qualidade, duas semanas depois você já não recorda de alguns detalhes. Mas como eu disse, é divertido (adoro as comédias do Bergman) e tem toda uma crítica por trás das situações absurdas que vão sendo construídas e amaranhadas de um jeito que só o diretor sabia fazer. Me parece que entre as obras existencialistas profundas ele sabia se divertir para aliviar o estresse.


domingo, 27 de agosto de 2023

O SILÊNCIO

Título Original: Tystnaden
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1963
País de Origem: Suécia
Duração: 96min

Sinopse: Duas irmãs com dificuldades de relacionamento, Ester e Anna, e o filho de 10 anos de Anna viajam para a Europa Central à beira da guerra. Ester fica gravemente doente e os três se hospedam num hotel quase deserto onde elas se defrontam com o vazio existencial de suas vidas.
 
Comentário: Filme que fecha a famosa Trilogia do Silêncio de Bergman, Segunda vez que assisto e me surpreendi de não ter escrito um texto quando vi pela primeira vez, talvez pela complexidade. Também acho o mais fraco dos três, mas os outros dois são simplesmente perfeitos, então fica difícil querer comparar. Este é um filme muito bom para o que Bergman se propõe a fazer, o problema é que a narrativa não ajuda, deixando o filme meio difícil de assistir e arrastado, porém a construção das personagens são estratosfericamente das coisas mais perfeitas em toda a filmografia do diretor. Ester tem claramente problemas mentais que vão desde o controle que quer exercer na irmã e ao ciúmes incestuoso que sente por ela. Isso tudo provavelmente fragmentou Anna que explode em um comportamento caótico. Não reconheci o fantástico Birger Malmsten que volta aqui a trabalhar com o diretor. A parte técnica eu nem preciso falar, é Bergman, então é fantástica de se assistir. Há inúmeras camadas e dá para ficar percebendo coisas e mais coisas em entrelinhas, acho que o filme deveria se chamar "Incompreensão" e não "O Silêncio". Gunnel Lindblom finalmente ganha um papel onde pode brilhar.
 

terça-feira, 15 de agosto de 2023

O SONHO

Título Original: Ett Drömspel
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1963
País de Origem: Suécia
Duração: 113min

Sinopse: A filha do deus Indra desce à terra para conhecer as condições de vida dos humanos em primeira mão. A primeira encenação de uma peça de Strindberg por Bergman.

Comentário: Mais um filme feito para a televisão por Bergman, confesso que não caiu muito no meu gosto. Achei que o filme se estendeu demais, acaba dispersando a atenção devido a linha narrativa mais experimental. Ingrid Thulin e Uno Henning estão muito bem em suas atuações e são os principais motivos que mantive o interesse. As partes com o advogado eu achei meio chata, mas como tudo que o Bergman toca é cheio de significados. Mesmo eu não tendo gostado muito há elementos muito bons que vale a pena. De resto achei tudo muito regular mesmo, muito abaixo do que o Bergman vinha produzindo nesta época. Nunca li nenhuma peça do Strindberg, então não posso fazer nenhuma comparação neste sentido com a adaptação, mas é interessante que mesmo que não tenha me prendido tanto eu fiquei com uma curiosidade em ler o material original.


quarta-feira, 31 de maio de 2023

A TEMPESTADE

Título Original: Oväder
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1960
País de Origem: Suécia
Duração: 91min

Sinopse: Um senhor idoso está tentando encontrar paz e sossego em uma elegante casa residencial. Ele passa o tempo conversando com um confeiteiro local e jogando xadrez com o irmão. A tranquilidade é perturbada por um casal que se muda para o apartamento de cima.
 
Comentário: Feito para a televisão e baseado em um texto do escritor August Strindberg de 1907, o filme é muito bom e toda a situação que se vai criando é cativante e surpreendente, mas é muito verborrágico, com um texto rápido demais em alguns momentos sem deixar o telespectador muito tempo para pensar e processar tudo que está assistindo. O resto funciona lindamente, principalmente as camadas de "verdades" que vão surgindo na história, pois não sabemos em quem realmente acreditar. O velho enxerga tudo do jeito que quer e não aceita dar o braço a torcer por puro orgulho ao meu ver, mas quem diz que ele não está certo depois de tudo que viveu? Não estamos na pele dele. Como também não estamos na pele de Gerda. Não teve como não me remeter a Dom Casmurro, teria Strindberg lido Machado de Assis? Filme bem acima da média pela profundidade.


sábado, 13 de maio de 2023

O ROSTO

Título Original: Ansiktet
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1958
País de Origem: Suécia
Duração: 101min

Sinopse: A trupe do mágico Albert Vogler chega a uma pequena cidade onde um grupo de céticos espera desmascará-lo. Razão e fé são postas em cheque neste ambíguo longa de Bergman.

Comentário: Vencedor do Prêmio Especial do Juri no Festival de Veneza. O filme tem vários elementos do Sétimo Selo, porém arquitetado de maneira completamente para falar da mesma coisa: fé contra razão e a arte como única maneira de subjugar a escuridão da humanidade. Acho um filme muito subestimado do Bergman, talvez por ter vindo entre obras que são realmente acima da média para qualquer outro filme de qualquer diretor no mundo, então fica difícil competir. Mas achei tudo no filme muito bem orquestrado, e a personagem da avó interpretada por Naima Wifstrand é de longe das mais emblemáticas criadas por Bergman. Um filme leve e denso, que brinca com o equilíbrio da própria natureza humana. Talvez o estranhamento vá para o desfecho, que é um dos menos sombrios de toda a carreira do diretor, diria até acolhedor.


quinta-feira, 4 de maio de 2023

NO LIMIAR DA VIDA

Título Original: Nära Livet
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1958
País de Origem: Suécia
Duração: 85min

Sinopse: Em um quarto da maternidade de Estocolmo estão instaladas três jovens: Cecilia, Stina e Hjördis. Aos poucos, vamos conhecendo os dramas pessoais de cada uma dessas mulheres.

Comentário: Vencedor do prêmio de melhor direção e o de melhor atriz para todo o elenco feminino (incluindo a enfermeira) no Festival de Cannes. Bergman retoma aqui alguns assuntos de filmes anteriores como Porto ou Quando as Mulheres Esperam, mergulhando no universo feminino. O filme tem alguns impactos mais pesado, quebra o telespectador em cacos em alguns momentos. O elenco todo está muito bem, inclusive os homens que são meros coadjuvantes. A cena do parto foi censurada na Itália por ser considerada pesada demais. A capacidade do diretor em contar uma história sem rodeios, indo direto ao ponto e deixar tudo amarrado pode ser muito bem verificado aqui em um filme com menos de uma hora e meia. O peso desse filme mora exatamente no roteiro.


terça-feira, 18 de abril de 2023

A MULHER VENEZIANA

Título Original: Venetianskan
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1958
País de Origem: Suécia
Duração: 55min

Sinopse: Uma mulher veneziana apaixona-se por Julio, um nobre. Devotada ao amor efervescente, a senhorita encontra-se num estado incerto de fidelidade.

Comentário: Pensando que Bergman fez este depois de Morangos Silvestres, é muito fraquinho. Mas daí podem dizer que era algo para a TV, com pouco recurso e tempo, não, pois A Chegada do Sr. Sleeman também era assim e é infinitamente superior. Em linhas gerais é interessante é o debate de que as mulheres também tem prazeres como os homens, que podia ser tabu na época, mas até esse assunto o diretor já havia abordado de maneira mais competente em seus primeiros filmes. Achei as personagens das empregadas e do Bernardo muito mais interessante que os principais. O final parece que corta o filme na metade, tem seus momentos, mas no geral achei bem mediano... e se tratando de Bergman, nunca esperamos um filme mediano.


sábado, 18 de março de 2023

MORANGOS SILVESTRES

Título Original: Smultronstället
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1957
País de Origem: Suécia
Duração: 92min

Sinopse: Depois de viver uma vida marcada pela frieza, um professor idoso é forçado a confrontar o vazio de sua existência.

Comentário: Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim. É realmente impressionante que Bergman tenha feito O Sétimo Selo e este em um mesmo ano, mais uma obra prima do diretor que coleciona várias. O filme é um road movie com um idoso (soberbamente interpretado pelo legendário Victor Sjöström) carrancudo, mas que vai reconstruindo sua história aos poucos para o telespectador. A narrativa é maravilhosa e o envolvimento tanto de quem está assistindo como os personagens que o rodeiam acabam convergindo na empatia que surge ao personagem de Sjöström. Tudo funciona, não há nada fora do lugar, é a vida despida de qualquer ilusão, um dos filmes mais verdadeiros da história do cinema. Todo momento me vinha a literatura de Philip Roth: "envelhecer não é uma batalha, é um massacre". Há dores que duram uma vida inteira.


domingo, 5 de março de 2023

A CHEGADA DO SR. SLEEMAN

Título Original: Herr Sleeman Kommer
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1957
País de Origem: Suécia
Duração: 43min

Sinopse: A proposta é irrecusável. Diante da carta do Sr. Sleeman, a possibilidade do casamento com a jovem Anne-Marie (Bibi Andersson) torna-se uma solução para as duas velhas tias que veem no político um grande partido e um futuro seguro. A hora de sua visita está marcada. O tempo não cessa. E os sonhos da garota, assim como seu amor por um pobre rapaz, já não encontram espaço para sobreviver.

Comentário: Um 'filme' feito para a TV, mas que acaba tendo a duração de um média metragem. Bergman sempre foi um revolucionário quando o assunto era tratar da hipocrisia do machismo que ainda hoje obrigam mulheres a viver, aqui não é diferente. É difícil de assistir, não porque seja ruim, mas porque trás uma angustia ruim, então um pouco da minha nota reflete nisso. Não gostei, mas não era para gostar mesmo. É indigesto de propósito, a cena final (URGH!). Bergman é assim, sem dó nem piedade desce o machado no nosso coração. Muito bem feito, tudo convence tão bem que minha vontade de socar as tias foi genuína.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

O SÉTIMO SELO

Título Original: Det Sjunde Inseglet
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1957
País de Origem: Suécia
Duração: 97min

Sinopse: Após dez anos, um cavaleiro (Max Von Sydow) retorna das Cruzadas e encontra o país devastado pela peste negra. Sua fé em Deus é sensivelmente abalada e enquanto reflete sobre o significado da vida, a Morte (Bengt Ekerot) surge à sua frente querendo levá-lo, pois chegou sua hora. Objetivando ganhar tempo, convida-a para um jogo de xadrez que decidirá se ele parte com a Morte ou não. Tudo depende da sua vitória no jogo e a Morte concorda com o desafio, já que não perde nunca.

Comentário: Vencedor do Prêmio Especial do Juri no Festival de Cannes, empatado com o filme Canal. Tinha assistido quando moleque e sempre figurou entre meus preferidos, ensaiava de rever fazia anos, continua tão bom quanto me lembro, mas não é mais o meu preferido do diretor (Prefiro o Através de um Espelho). Acho que chega a ser um dos filmes mais pop do diretor, de fácil digestão, porém com todos os elementos de um Bergman. Gunnar Björnstrand está melhor que qualquer um no elenco como o escudeiro Jöns, rouba a cena toda hora que aparece. O que vale, como em quase todos os filmes do diretor, são os diálogos no meio de ações mundanas, o cenário da peste e dos momentos clássicos do jogo de xadrez com a Morte são mero detalhes. Achei a personagem da Bibi Andersson meio perdida no meio da história, mas passa. A cena da inquisição com a bruxa ainda é a minha preferida. Filme obrigatório!


domingo, 5 de fevereiro de 2023

SORRISOS DE UMA NOITE DE AMOR

Título Original: Sommarnattens Leende
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1955
País de Origem: Suécia
Duração: 109min

Sinopse: Na Suécia, na virada do século, membros da classe alta e seus empregados se encontram em um emaranhado romântico que tentam resolver no decurso de uma noite em meio a ciúmes e corações partidos.

Comentário: Vencedor do Prêmio Humor Poético no Festival de Cannes, obviamente que ele não existe mais nas edições contemporâneas do festival. Eu simplesmente amo essas comédias românticas descompromissadas do Bergman, principalmente porque ela tem tanto a nos dizer. Os diálogos são cortantes como faca afiadas, a cena da Sra. Armfeldt na cama conversando com a filha é uma das cenas mais engraçadas de toda a filmografia do mestre sueco. A conversa de Petra e seu recente amante deitados no feno é das coisas mais sublimes que eu já vi em um filme. Amei de todo coração esse filme. O final era previsível desde as primeiras cenas, mas a previsibilidade é o que menos importa em todo filme. Amei!


quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

SONHOS DE MULHERES

Título Original: Kvinnodröm
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1955
País de Origem: Suécia
Duração: 88min

Sinopse: Acompanhe os tormentos, os sonhos e as relações amorosas de duas mulheres: Susanne, diretora de um estúdio de moda em Estocolmo, e Doris, uma jovem e inexperiente modelo fotográfica. Uma viagem para outra cidade irá alterar para sempre suas vidas.

Comentário: Me espanta ser um dos filmes que Bergman menos gostava dos que dirigiu, eu achei muito bom. Harriet Andersson da um salto em atuação aqui, saindo do papel de garota e entrando no papel de mulher. O personagem do cônsul, interpretado por Gunnar Björnstrand, é super complexo e tem várias camadas assim como a relação do outro casal. Um filme de narrativa bem simples, mas que remete a amaranhados de coisas que vêm com o amor. Há uma crítica ao comportamento consumista, machista e capitalista com os parâmetros que se tinham na época. Pode não ser um filme icônico da carreira do cineasta, mas é uma ótima pedida ao que se propõe.


domingo, 8 de janeiro de 2023

UMA LIÇÃO DE AMOR

Título Original:En Lektion i Kärlek
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1954
País de Origem: Suécia
Duração: 96min

Sinopse: Depois de 15 anos de casamento, David e Marianne estão se separando. Numa viagem para Copenhagen, David pega o mesmo trem que Marianne, fazendo com que pareça coincidência. Passando este tempo juntos, eles relembram momentos, refletem sobre o passado e o futuro e podem caminhar para uma reconciliação.

Comentário: Que filme gostoso de assistir, como Bergman era gênio tanto quando pesava a mão ou quando deixava ela leve como aqui. Uma comédia romântica com diálogos inteligentes, com situações cômicas e trágicas. Filme excelente dentro do que o diretor se propõe. Pelas minhas contas seria o terceiro filme a apresentar um personagem trans (o primeiro seria Glen ou Glenda dirigido por Ed Wood de 1953 e o segundo Homem ou... Mulher? dirigido por René Gaveau em 1954, mesmo ano deste). Mas teríamos aqui a primeira personagem trans feminina, interpretada por Harriet Andersson, apesar da personagem ser construída mais como uma crítica a sociedade machista, não deixa de ser interessante olharmos por uma ótica mais atual. Um filme onde até os clichês funcionam. Há uma cena do avô falando com a neta sobre a morte que é das coisas mais lindas que Bergman já fez.


sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

NOITES DE CIRCO

Título Original: Gycklarnas Afton
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1953
País de Origem: Suécia
Duração: 93min

Sinopse: No interior da Suécia, uma decadente companhia circense se prepara para um novo espetáculo. O diretor do circo, Albert, vive uma relaçao infernal com sua jovem amante, Anna. A situação piora quando ela se deixa seduzir por um ator local.
 
Comentário: Achei um dos "Bergman's" mais pesados que já assisti até aqui, o diretor mostra que não tem dó de maltratar o coração de seus espectadores trazendo para a tela o que há de mais decadente e vil na alma humana, não é a toa a fama que o persegue. Harriet Andersson prova aqui o que já havia provado no Monika e o Desejo, é uma das mais belas mulheres que já surgiram na tela de um cinema não devendo em nada para Loren ou Bardot. O filme incomoda, desde o começo, do conto do palhaço as cenas finais, mas tem algo de belo aí, escondido nas entrelinhas, de personagens tão humanos e derrotados. Me emocionei.


domingo, 23 de outubro de 2022

MONIKA E O DESEJO

Título Original: Sommaren med Monika
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1953
País de Origem: Suécia
Duração: 98min

Sinopse: Harry Lund tem 19 anos de idade e trabalha numa loja de porcelanas. Quase vizinho a ele, na loja de verduras, trabalha Monika, uma simpática e alegre garota de 17 anos. Assim que eles se conhecem a paixão explode. Mas por causa da idade deles, os dois sofrem com a intereferência dos mais velhos. Monika briga com os pais e decide sair de casa. Harry discute com o chefe e pede demissão. Sem mais nada que os prendem na cidade, os jovem decidem fugir de barco para uma ilha e passar algumas semanas juntos.
 
Comentário: Quando você acha que nunca vai aparecer uma personagem que você vai ter mais aversão do que a Summer de (500) Dias com Ela, eis que surge Monika. Hahahahahaha! É difícil julgar os personagens do Bergman, já que todos são muito tridimensionais, mas simplesmente não consigo gostar da Monika, apesar de Andersson estar magnífica no papel. Achei que o filme repete um pouco a fórmula do Juventude, e confesso que preferi o anterior, mas este cumpre o que todo Bergman promete: reflexões profundas sobre o que ele propõe a narrar. A cena final despedaça corações. Confesso que nutri uma certa antipatia do personagem interpretado por Ekborg, para terminar o filme completamente apaixonado por ele.