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sexta-feira, 12 de setembro de 2025

A MULHER MORCEGO

Título Original: La Mujer Murciélago
Diretor: René Cardona
Ano: 1968
País de Origem: México
Duração: 79min
Nota: 7

Sinopse: Um cientista louco está capturando lutadores para retirar-lhes a glândula pineal para que possa criar um homem-peixe. Para descobrir por quem os lutadores estão sendo mortos, Batwoman se infiltra no mundo da Luta Livre.
 
Comentário: Que filme divertido! Galera que tenta assistir este filme levando a sério realmente não vai curtir nunca. O clima sessentista e o figurino são um show à parte (a atriz tinha alguns minutos para filmar antes que a roupa estragasse por lassear demais) e falando na atriz: Maura Monti está deslumbrante, de arrebatar o coração de qualquer um. Há momentos que fica óbvio que a falta de financiamento afeta o filme (como na perseguição de carro, fiquei esperando gadgets como em um filme do 007 que não vieram), mas o Monstro-Peixe e o cientista louco toscos e caricatos ficaram ótimos no geral. Um filme que devia ter tido outras continuações, fazia tempo que não via um filme-b antigo que me divertisse tanto.

domingo, 22 de junho de 2025

OS ESQUECIDOS

Título Original: Los Olvidados
Diretor: Luis Buñuel
Ano: 1950
País de Origem: México
Duração: 80min
Nota: 9

Sinopse: Um grupo de delinquentes juvenis vive uma vida violenta e cheia de crimes nas favelas da Cidade do México, e a moral do jovem Pedro é gradualmente corrompida e destruída pelos outros.
 
Comentário: Indicado para o Grande Prêmio do Festival e vencedor de Melhor Diretor no Festival de Cannes, lembrando que a Palma de Ouro ainda não existia aqui. Que pedrada... ou melhor, que paulada! O filme é cru e cruel, mostra um lado tão selvagem da realidade que é difícil de digerir. Vivemos um colapso social e não é de hoje, o sul global sofre com este tipo de coisa há muito tempo, impressionante que ainda estejamos vivos como sociedade e que o colapso total tenha demorado tanto para acontecer. O filme inteiro deixa um gosto amargo na boca, mas o final é o soco no estômago definitivo. Dá para entender porque tanta gente só assiste filmes vazios de Hollywood, encarar a realidade não é tarefa para qualquer um.

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

O MUNDO DOS VAMPIROS

Título Original: El Mundo de los Vampiros
Diretor: Alfonso Corona Blake
Ano: 1961
País de Origem: México
Duração: 84min
Nota: 6

Sinopse: Um vampiro usa duas irmãs para cumprir seu plano de séculos atrás para se vingar do último membro de uma família que perseguiu os vampiros na Europa.

Comentário: O filme é legalzinho, serve muito bem para passar o tempo e mostrar que também se faziam filmes no México nos padrões de William Castle e Roger Corman. O elenco está bem, apesar do vilão interpretado por Guillermo Murray ser bem canastrão, acaba funcionando. Há cenas em que a direção chama a atenção bem positivamente, principalmente com os homens morcegos, há cenas belíssimas deles se movimentando pelas catacumbas. A relação de tudo com a música é outra coisa bem interessante, ainda mais pelo fato de que eu venho sofrendo há anos ouvindo todo dia a mesma droga de música no trabalho, então pode-se dizer que eu entendo o vampiro do filme, muito bem.



terça-feira, 18 de agosto de 2015

O ANJO EXTERMINADOR

Título Original: El Ángel Exterminador
Diretor: Luis Buñuel
Ano: 1962
País de Origem: México
Duração: 95min

Sinopse: Após uma extravagante e farta refeição, os convidados se sentem estranhamente incapazes de deixar a sala de jantar e, nos dias que se seguem, pouco a pouco, caem as máscaras de civilização e virtude e o grupo passa a viver como animais.

Comentário:  O filme é um Big Brother artístico, onde Buñuel alfineta tanto a condição humana de modo geral como o falso moralismo da elite conservadora. Buñuel era um idealista que incomoda até hoje, assim como em Viridiana, este filme não foge a sua regra. Vemos nitidamente todas as máscaras caírem, pouco a pouco, há personagens que nos incomodam mais do que outros, talvez por nos enxergarmos em alguns deles ou por serem nossos opostos. Mas ao mesmo tempo que o filme é uma crítica descarada, também é um alerta para nos lembrarmos, que por mais que tentamos nos distanciar dos animais, nada mais somos do que animais. A mensagem é curta é grossa e pra bom entendedor é suficiente. Sem desmerecer O Pagador de Promessas, mas este filme merecia ganhar o Palma de Ouro na minha opinião, mas entendo os motivos pra que não fosse premiado, sendo assim o filme brasileiro era o mais indicado na minha opinião. Perturbador e obrigatório!


sexta-feira, 27 de março de 2015

O BARÃO DO TERROR

Título Original: El Baron del Terror
Diretor: Chano Urueta
Ano: 1962
País de Origem: México
Duração: 77min

Sinopse: Em 1661, o Barão Vitelius de Astara é sentenciado a ser queimado vivo na Santa Inquisição Mexicana, por bruxaria, necromancia e outros crimes. Antes de morrer, o Barão jura vingança contra os descendentes dos inquisidores. Trezentos anos depois, o mesmo cometa que passara durante sua morte, retorna à Terra trazendo o Barão, na forma de uma criatura monstruosa, que se alimenta de cérebros, pronta para realizar sua vingança.

Comentário: Quando o filme começa você espera algo no estilo de Roger Corman ou William Castle, o clima do filme sombrio com a inquisição e tudo mais, então o filme dá um salto de 300 anos e o estilo muda pra algo bem Ed Wood, sem pé nem cabeça e com inúmeras incongruências no roteiro. Assista o filme apenas para se divertir e ele vai ser uma boa pedida, só acho que algumas coisas acontecem muito rápido, mas só o fato do Barão voltar a vida saindo da calda de um cometa e virando um monstro lobisomem com uma língua gigante e mãos fálicas que sugam cérebros já vale a assistida. Não preste atenção no roteiro e se divirta, pronto, é um filme razoável pra uma noite descompromissada de filmes sérios demais. O cara promete voltar pra matar os descendentes de quem queimou ele na inquisição, mas a verdade é que ele mata bem mais gente, com a incrível coincidência que os inquisidores tem apenas um descendente depois de trezentos anos e todos eles sem mais ninguém na família, o cérebro é sugado por dois furos na nuca da vítima, mas ficam inteirinhos em uma bandeja na casa do Barão (Bwahahahahahahahahaha!), é tanta coisa louca que a fantasia tosca passa despercebida. Um filme razoavelmente tosco pra puro entretenimento. Recomendo.


terça-feira, 3 de março de 2015

ÁNIMAS TRUJANO

Título Original: Ánimas Trujano (El Hombre Importante)
Diretor: Ismael Rodríguez
Ano: 1962
País de Origem: México
Duração: 99min

Sinopse: Este drama de Ismael Rodríguez tem como pano de fundo um "festival de mayordomía", festa típica dos estados mexicanos do sul. Na celebração anual, a Igreja elege um homem como "mayordomo", posto de grande honra; quem fizer a maior doação consegue o cobiçado título. O célebre ator Toshiro Mifune faz o papel de Ánimas Trujano, um camponês rude e preguiçoso que nada faz, enquanto sua mulher sustenta a família. A grande ambição de Ánimas e tornar-se "mayordomo", e para isso ele começa a fazer de tudo para conseguir o dinheiro necessário.

Comentário: É isso mesmo que vocês leram na sinopse, o Toshiro Mifune interpreta um mexicano e isto por si só já é motivo de piada. O filme tem partes boas e partes ruins, o que torna ele um filme regular. É estranho Mifune, um ator japonês famoso pelos filmes do Kurosawa, aceitar entrar em uma coisa assim (só pode ter sido pela piada pronta), o ator tem cara de japonês, fala como japonês e tenta a todo momento de maneira tosca se fingir de mexicano (até os pelos no peito dele você consegue ver que é falso), e isto atrapalha bastante o desenrolar do filme porque não se consegue levar o filme a sério. A direção é competente, Ismael Rodríguez tem seu talento. Tem partes cômicas e tem partes de dramalhão, indico só pra quem for fã do ator mesmo pra dar umas risadas.


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

YANCO

Título Original: Yanco
Diretor: Servando González
Ano: 1961
País de Origem: México
Duração: 90min

Sinopse: Um garoto começa a manifestar um talento cada vez maior para a música e, ao mesmo tempo, uma supersensibilidade aos sons. Sua apurada audição o leva para a floresta, longe da cacofonia da agitação da cidade. Sua vida é transformada após conhecer um velho violinista que começa a lhe ensinar tudo o que sabe sobre a música.

Comentário: Um belo filme, muito bem dirigido e conduzido, a edição consegue te prender durante boa parte da história. Achei um pouco longo, poderia ser um média metragem com uns 60 minutos. Me lembrou bastante ao primeiro filme do Tarkovski (O Rolo Compressor e o Violinista), não por causa do violino, no filme russo podemos ver um garoto refinado se aproximando de um trabalhador rústico e formando uma amizade a partir daí, aqui vemos um garoto rústico formando uma amizade com um senhor refinado tendo a música como conduíte desta relação. O filme emociona, toca em vários pontos que não estamos preparados, fazendo cinema de uma forma nova, bem original. O final me surpreendeu e coloca o filme em um ponto estratégico da época para a discussão sobre religiosidade e crendices, onde podemos questionar o quanto a humanidade é evoluída e o quanto o primitivo seja a essência de quem deveríamos realmente ser.


terça-feira, 15 de julho de 2014

A ADOLESCENTE

Título Original: The Young One
Diretor: Luis Buñuel
Ano: 1960
País de Origem: México
Duração: 96min
Nota: 10

Sinopse: Uma pérola rara na carreira do mestre do surrealismo. Inspirado num conto do escritor Peter Matthiessen. A produção, que conta com a brilhante fotografia em preto e branco de Gabriel Figueroa, e tem como tema central a história de um homem que vive em uma ilha isolada na costa da Carolina, tendo como companhia apenas uma adolescente. Porém, um clima de tensão é formado com a chegada de um fugitivo negro e de um padre. 

Comentário: Um grande filme, injustiçado por não ser conhecido, da carreira de Buñuel. O filme foi inteiro filmado no México, mais precisamente nas cidades de Acapulco e Cidade do México, apesar de ter sido feito para o mercado americano, com atores americanos e na língua inglesa. Esta película figura entre as minhas favoritas, pois mostra que não existe certo ou errado, branco ou preto, é tudo simplesmente cinza. Desde o começo do filme passamos a julgar todos os personagens, quando na verdade não existe um personagem errado, todos tem suas fraquezas e sonhos. A única questão que fica como nojenta no final de tudo é o racismo puro e simples. Um belo filme, recomendadíssimo.



sexta-feira, 27 de junho de 2014

MACARIO

Título Original: Macario
Diretor: Roberto Gavaldón
Ano: 1960
País de Origem: México
Duração: 91min
Nota: 8

Sinopse: O pobre e faminto camponês Macario sente saudades de uma boa refeição. Então, no Dia de Finados, promete só voltar a comer quando conseguir um peru. Quando Macario consegue seu peru recebe a visita de três espíritos: o Diabo, Deus e a Morte. Cada um quer dividir o peru com Macario, mas ele só oferece a comida a Morte. Como recompensa, a Morte dá a ele uma garrafa de água capaz de curar qualquer doença. Logo Macario está ajudando a curar toda a cidade, isso desperta a atenção da população e, mais que isso, leva Macario a uma verdadeira inquisição.

Comentário: O filme é maravilhoso, muito bem construído e com cenas que não deixam nada a desejar para O Sétimo Selo de Bergman. O foco em mostrar as diferenças de classes é a base de todo o filme: a crítica social de um povo que passa fome enquanto outros esbanjam comida. O filme teve uma merecida indicação ao Oscar como melhor filme estrangeiro. Só não tem uma nota maior por causa do desfecho que não me agradou. Não que seja um final ruim, mas ficou um gosto azedo na boca, faltou um algo mais.