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quarta-feira, 8 de abril de 2026

O ATALANTE

Título Original: L'Atalante
Diretor: Jean Vigo
Ano: 1934
País de Origem: França
Duração: 88min
Nota: 9

Sinopse: O recém-casado casal Juliette e o capitão do navio Jean lutam para manter o casamento enquanto viajam no Atalante junto com o imediato do capitão e um grumete.
 
Comentário: Talvez assistindo ao filme hoje a maioria das pessoas não consigam ter a dimensão do quanto a frente de seu tempo estava Jean Vigo com este clássico dos clássicos. Não é fácil enxergar a película com os olhos daquela época na década de 30. O filme é cru, escancara a realidade sem glamour que chega a chocar, mostrando personagens quebrados, falhos e cheio de comportamentos erráticos e apaixonados ao mesmo tempo. As imagens são lindas e o filme, pelo menos para mim, não me pareceu tão datado. Há momentos que a narrativa parece travar um pouco, mas no geral é um filmaço. Obrigatório.

domingo, 14 de setembro de 2025

HIROSHIMA MEU AMOR

Título Original: Hiroshima Mon Amour
Diretor: Alain Resnais
Ano: 1959
País de Origem: França
Duração: 90min
Nota: 9

Sinopse: Uma atriz francesa que está rodando um filme contra a guerra em Hiroshima tem um caso com um arquiteto japonês casado, enquanto compartilham suas diferentes perspectivas sobre a guerra.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro e vencedor do prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema no Festival de Cannes. Resnais faz aqui um enorme manifesto contra a guerra, onde um soldado alemão apaixonado pode ser a vítima, onde os mocinhos que dizimaram civis com bombas atômicas não são tão mocinhos assim. É um filme corajoso demais para a época, onde escancara que nem todo esqueleto no armário foi devidamente enterrado depois de 45, mas a maneira que ele conta essa história é de uma sutileza ímpar, que nunca havia sido feito antes e nunca foi feito depois. Emmanuelle Riva controla o espectador em cada movimento, em cada fala, em cada detalhe. Eiji Okada é um mero espectador como nós.

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

A BESTA HUMANA

Título Original: La Bête Humaine
Diretor: Jean Renoir
Ano: 1938
País de Origem: França
Duração: 100min
Nota: 8

Sinopse: Nesta adaptação clássica do romance de Émile Zola, um maquinista torturado se apaixona por uma mulher casada e problemática que ajudou o marido a cometer um assassinato.
 
Comentário: Indicado ao prêmio principal no Festival de Veneza (que naquela época não chamava Leão de Ouro, mas levava o nome do ditador fascista que comandava a Itália). Renoir é um cara que sabe o que está fazendo, a condução e a fotografia do filme são excelentes. A química entre Gabin e Simon é grande parte do que faz o filme acontecer e funcionar muito bem. As coisas começam de maneira lenta e vai acelerando em um ritmo caótico para o final.  Aqueles amores doentios que afundam a gente, mas que a gente cria uma dependência como um vício em droga, retratado da maneira mais crua e realista possível.

sexta-feira, 13 de junho de 2025

SEMENTE DO MAL

Título Original: Mauvaise Graine
Diretores: Billy Wilder & Alexander Esway
Ano: 1934
País de Origem: França
Duração: 105min
Nota: 7

Sinopse: Depois que seu pai vende o carro, Henri "pega emprestado" o carro de um estranho para marcar um encontro com uma jovem. Com esse ato, ele acaba se envolvendo com uma gangue de ladrões de carros, mas, após alguma discussão, ele se junta à gangue.
 
Comentário: Primeiro filme do lendário Billy Wilder, que apesar de não ser tão memorável como filmes que vieram depois, funciona muito bem e já tem a marca registrada de muitos de seus clássicos absolutos. A leveza com que Wilder conta suas histórias já estava presente aqui, assim como o humor e o romance ocasional que surge de maneira natural e que muda o rumo do protagonista. Há muitos personagens subaproveitados na gangue que rouba carros, o roteiro tenta compensar isso dando detalhes sobre eles como o cara que coleciona gravatas para que gere alguma conexão. Está longe de figurar entre as obras essências do diretor, mas não deixa de ser um bom filme.

sábado, 17 de maio de 2025

UM SÓ PECADO

Título Original: La Peau Douce
Diretor: François Truffaut
Ano: 1964
País de Origem: França
Duração: 117min
Nota: 8

Sinopse: Pierre Lachenay é um editor e palestrante conhecido, casado com Franca e pai de Sabine. Ele inicia um romance com a comissária de bordo Nicole, que Pierre está escondendo, mas não consegue ficar longe dela.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Achei o filme muito bom, mas se tratando que é um filme do Truffaut, eu sempre espero que seja melhor do que isto. O filme te faz pensar sobre amor, casamento, paixão e todas essas coisas que vem no pacote, mas o personagem principal não chega nem a ser digno de pena de tão idiota em vários aspectos. Mas talvez seja eu que esteja muito longe deste típico comportamento masculino há muito tempo que não entenda mais. Quem chama a atenção é a musa do filme, Françoise Dorléac, deslumbrante (irmã de Catherine Deneuve que morreu em um trágico acidente de carro onde foi queimada viva aos 25 anos de idade). Não deixa de ser um belo filme do diretor, mas aquém de suas obras mais famosas.



quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

OS GUARDA-CHUVAS DO AMOR

Título Original: Les Parapluies de Cherbourg
Diretor: Jacques Demy
Ano: 1964
País de Origem: França
Duração: 92min
Nota: 9

Sinopse: Cherbourg, 1957. Guy Foucher é um jovem de 20 anos que foi criado pela madrinha e trabalha como mecânico de carros. Ele é apaixonado por Geneviève Emery, uma adolescente de 17 anos que ajuda sua mãe viúva no negócio da família: uma loja de guarda-chuvas. Tudo muda quando Guy é convocado para a guerra na Argélia.

Comentário: Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes. O filme é forte, tem uma direção fantástica e cenários que fizeram escola (vide Wes Anderson fazendo sucesso hoje em dia). O casal principal é simplesmente maravilhoso e funciona. Em certo aspecto o filme me remeteu bastante ao filme "Os Girassóis da Rússia", filmado anos depois, acho que a eterna história de amores interrompidos pela guerra. Fiquei surpreso ao ver o personagem Roland Cassard no filme, não sabia que Demy havia dado uma continuação ao personagem depois de Lola, A Flor Proibida (que preciso rever). Confesso que fiquei com uma certa raiva de Geneviève. O final é simplesmente um golpe de cruzado que te nocauteia sem chance nenhuma de se levantar. O lance de ser musical me irritou um pouco até metade do filme, depois eu consegui abstrair. Gosto de filmes musicais, mas estes que cantam os diálogos o tempo inteiro acho que fica muito irreal, não consigo entrar tanto no filme como gostaria.



segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

A GRANDE ILUSÃO

Título Original: La Grande Illusion
Diretor: Jean Renoir
Ano: 1937
País de Origem: França
Duração: 113min
Nota: 9

Sinopse: Durante a Primeira Guerra Mundial, dois soldados franceses são capturados e presos. Várias tentativas de fuga continuam até serem finalmente enviados para uma fortaleza.

Comentário: Indicado ao Prêmio Mussolini (é, na época da Itália fascista era esse o nome do Leão de Ouro que ainda não havia sido criado) e vencedor do prêmio de Contribuição Artística no Festival de Veneza. Eu tinha esse filme em VHS e nunca havia assistido, um clássico absoluto de Renoir. Acho que o início demora um pouco a engrenar e mostrar ao que veio, mas a partir do momento em que eles mudam de prisão tudo vai tomando um ritmo maravilhoso, o diretor consegue discutir sobre o futuro da Europa antes mesmo dele acontecer, reflexos da aristocracia perdendo lugar para a burguesia industrial e tentas coisas que iriam eclodir a partir daí são nítidos no filme. Há uma cordialidade entre os personagens que faz você pensar em como ela vai por água abaixo depois da derrota da Alemanha até culminar na Segunda Guerra Mundial. Há espaço até para um romance, dá para dizer que o filme é completo com excelentes atuações. Poderia ter mais diálogos entre Boeldieu e Rauffenstein, acho que o filme peca ao não explorar mais a dinâmica entre esses dois personagens.



segunda-feira, 19 de agosto de 2024

O SAMURAI

Título Original: Le Samouraï
Diretor: Jean-Pierre Melville
Ano: 1967
País de Origem: França
Duração: 105min
Nota: 9

Sinopse: O matador Jeff Costello é um perfeccionista: ele sempre planeja com extremo cuidado todos os seus assassinatos para nunca ser pego. Uma noite, porém, ele finalmente é surpreendido por uma testemunha, e aos poucos, a partir daí, ele vai sendo cada vez mais pressionado.

Comentário: Devastado com a morte do Alain Delon, cheguei do trabalho e assisti na madrugada este clássico que ainda não havia assistido. É um baita filme, a história é envolvente, mas é a trilha sonora com a direção, emulando o perfeccionismo do próprio personagem interpretado por Delon, que faz o filme ter a força que tem. Cada cena é um quadro a ser contemplado, cada gesto do Delon é digna de atenção. O final, não darei spoilers, me deixou pensativo em vários pontos que ligam ao título e ao destino da personagem de Cathy Rosier, que está ótima interpretando a pianista. Um típico filme que mistura o clássico noir americano, com os filmes policiais da época. A interpretação mais mecânica, sem muitos traços emotivos, de Delon dá ao personagem uma profundidade que dá para ficar pensando por dias a fio. Fica aqui minha homenagem ao Homem Mais Bonito do Mundo que nos deixou ontem, mas que não era só isso, era um grande ator e um ser humano cheio de complexidades que fizeram dele ser quem era: um ícone do cinema.



domingo, 28 de julho de 2024

QUEM MATOU LEDA?

Título Original: À Double Tour
Diretor: Claude Chabrol
Ano: 1959
País de Origem: França
Duração: 94min
Nota: 8

Sinopse: O negociante Henri Marcoux tem um caso amoroso com uma bela e jovem vizinha, bem debaixo do nariz de sua esposa. Sua linda filha está apaixonada por um húngaro boêmio, enquanto o filho Voyeur começa a ter liberdades com a amante do pai. Com o amadurecimento das paixões na família, deslumbra-se uma tragédia.
 
Comentário: Indicado ao Leão de Ouro e vencedor do prêmio de Melhor Atriz para Madeleine Robinson no Festival de Veneza. Eu confesso que esperava mais, mas no geral é um filme muito bom pelo que há nas entrelinhas. Vejo pessoas dizendo que o filme é "white people problems", mas é exatamente isso que Chabrol usa como critica a classe burguesa, há várias camadas para serem analisadas a respeito. O elenco todo está muito bem, mas é a minha crush Bernadette Lafont que rouba todas as cenas em que aparece na minha opinião. Gostei do ritmo, mas achei estranho que o assassinato de Leda fique tão evidente no poster do filme, por exemplo, já que não é algo que aconteça no começo do filme (O título do Brasil então é mais descarado ainda), mas não estraga a experiência.



terça-feira, 4 de junho de 2024

CHARLOTTE E SEU BIFE

Título Original: Présentation ou Charlotte et Son Steak
Diretor: Eric Rohmer
Ano: 1960
País de Origem: França
Duração: 9min
Nota: 7

Sinopse: Charlotte está de partida. Antes de pegar o trem, vai ao seu apartamento para uma refeição ligeira - um bife. Walter a acompanha; o curto espaço de tempo em que Charlotte prepara seu bife representa para ele a oportunidade de acertar as coisas com ela.

Comentário: O curta trás todo o estilo de Rohmer, tem sua impressão digital. Acredito que essa história de que a filmagem foi recebida por um estranho e depois fizeram a montagem tenha sido uma piada interna entre ele e o Godard para se criar um mito em torno da obra, mas que não faz muito sentido já que o próprio Godard aparece na filmagem. É bem legal e bem simples também, funciona por conta disso, como tudo do Rohmer, é uma cena cotidiana. Engraçado é ver que o bife simplesmente some quase por completo do prato de Charlotte entre um take e outro.



sexta-feira, 3 de maio de 2024

UMA HISTÓRIA D'ÁGUA

Título Original: Une Histoire A'Eau
Diretores: Jean-Luc Godard & François Truffaut
Ano: 1961
País de Origem: França
Duração: 11min
Nota: 5

Sinopse: Uma jovem narra sua aventura de tentar ir a Paris em meio a uma tempestade, que pouco a pouco vai inundando vilas e caminhos possíveis.

Comentário: A verdade é que achei bem meia boca, tentei gostar, mas não rolou. Truffaut é um dos meus diretores preferidos e Godard é sempre um gigante, mas aqui a união dos dois não funcionou para mim. A verborragia incessante é chata, meio pedante, é um problema que tenho com algumas obras do Godard, ele parece ter momentos que quer se mostrar demais como um intelectual erudito com ideias geniais e que só funcionam na cabeça dele. É quando o diretor deixa essas coisas de lado e pisa na realidade mais acessíveis a nós, meros mortais, que ele funciona. As cenas são lindas, a parte técnica do filme é perfeita. Quando a verborragia cessa e os personagens finalmente vão conversar é meio vergonha alheia, um diálogo bobo. Só vale a pena para quem for fã mesmo. Talvez funcione melhor no mudo.



sábado, 27 de abril de 2024

O PEQUENO SOLDADO

Título Original: Le Petit Soldat
Diretor: Jean-Luc Godard
Ano: 1963
País de Origem: França
Duração: 88min
Nota: 9

Sinopse: Durante a guerra da Argélia por independência da França, um jovem francês que pertence a um grupo terrorista de direita e uma jovem que pertence a um grupo terrorista de esquerda se encontram e se apaixonam. A situação se complica quando o grupo terrorista suspeita que o rapaz é um agente duplo.

Comentário: O filme é tão intenso no que denunciava na época que foi censurado pela França só sendo lançado um par de anos depois. O filme é incrível, o personagem é grotesco em vários sentidos: egoísta, babaca, narcisista, chato (enfim, todas as qualidades básicas de um filiado de um partido de direita). Anna Karina está deslumbrante, cativa do momento que aparece ao último minuto em cena, fácil perder uma aposta em não se apaixonar. O último diálogo no apartamento dela entre os protagonistas é maravilhoso, mostra bem o que ambos defendem e de que lado estão (ele está do lado dele mesmo). O filme é intrincado, mas é genial. 



segunda-feira, 16 de maio de 2022

OS PIVETES

Título Original: Les Mistons
Diretor: François Truffaut
Ano: 1957
País de Origem: França
Duração: 17min

Sinopse: O filme é baseado no romance homónimo de Maurice Pons. Os mistons são cinco garotos que espiam dois amantes, Gerard e Bernardette, seguindo-os para todo o lado.
 
Comentário: Um marco na história do cinema, sem exageros, já que foi aqui que Truffaut iniciou sua carreira onde iria marcar seu nome como um dos maiores. Não é segredo nenhum que ele é para mim um dos meus favoritos e podemos ver aqui a semente que iria germinar no Os Incompreendidos. E pra completar temos a minha musa do cinema francês, Bernadette Lafont, esbanjando lindeza. O diretor já mostra a competência na parte técnica e é engraçado que os dois atores principais interpretem personagens com seus próprios nomes. Acho que um dos maiores defeitos é a curta duração, pois passa tão rápido, gostaria de ler o romance em que foi baseado para sentir o desenvolvimento desses personagens em uma longa história.


segunda-feira, 14 de maio de 2018

SINFONIA DO MEDO

Título Original: Le Concerto de la Peur
Diretor: José Bénazéraf
Ano: 1963
País de Origem: França
Duração: 71min

Sinopse: Considerado como um "potboiler" (filme comercial) francês estrelado por Hans Verner e Jean-Pierre Kalfon como líderes de gangues rivais que se chocam pelo controle do comércio de narcóticos. Quadrilhas de traficantes parisienses estão lutando, levando a sequestros, espancamentos, assassinatos, traições e intrigas. Com uma participação maravilhosa do piston de Chet Baker e seu free-jazz.

Comentario: Um filme bem mais ou menos, a construção dos personagens, ou são clichês, ou são mal trabalhadas. Um apelo sexual completamente desnecessário para a história e uma diminuição das personagens femininas que não precisava acontecer, a personagem principal podia ter crescido muito se não fizesse somente o papel de tensão sexual entre personagens masculinos. Chet Baker salva o filme um pouco com sua música, com algumas sequências interessantes, mas é só isso, o filme não trás nada de novo, nem nada de bom que fique na memória. Daqueles filmes bem medianos que você não gosta nem desgosta.


sábado, 20 de maio de 2017

O ENCANTADOR MÊS DE MAIO

Título Original: Le Joli Mai
Diretor: Chris Marker
Ano: 1963
País de Origem: França
Duração: 146min

Sinopse: Maio de 1962, Chris Marker e sua equipe filmam a cidade de Paris, buscando uma maior proximidade com as pessoas da cidade. O documentário faz uma reflexão sobre o primeiro mês de paz, após sete anos de guerra na Argélia.

Comentário: Que documentário incrível, apesar de ter uma duração grande e apesar do começo você demorar um porquinho pra entrar nele, as reflexões e algumas linhas de pensamento são simplesmente epifânicas. Chris Marker é um puta diretor, já vale assistir ao filme só pelas imagens, a direção de arte é um prato cheio para os que apreciam a parte técnica. Destaque para as frases finais do filme e pro cara que comenta sobre a desvantagem deles de estar no passado em relação a quem está vivendo o futuro, parecia que ele estava dialogando com a gente aqui em 2017. Fica registrado aqui meu agradecimento a Lu, que traduziu este filme e que fez aniversário esta semana... meu parabéns atrasado pelo blog!


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

A CARREIRA DE SUZANNE

Título Original: La Carrière de Suzanne
Diretor: Eric Rohmer
Ano: 1963
País de Origem: França
Duração: 55min

Sinopse: Bertrand (Philippe Beuzen) e Guillaume (Christian Charrière) são universitários em Paris. Guillaume se aproveita de Suzanne (Catherine Sée), uma jovem inocente, o que faz com que Bertrand despreze ambos: ele por se aproveitar, ela por se deixar enganar. Bertrand começa a desconfiar que Suzanne está interessada nele, mas ele sente-se atraído por Sophie (Diane Wilkinson), que não lhe dá a menor atenção.

Comentários: Segundo filme de uma série de seis em que o diretor intitulou como Seis Contos Morais. Preferi o primeiro filme (A Padeira do Bairro), porém este é bem mais complexo e mais trabalhado o que deixa injusto uma comparação. O personagem principal é um imbecil, o amigo dele é um escroto e Suzanne é uma idiota. A direção é ótima e o ritmo do filme é excelente até certo ponto, o final ficou a desejar, já que rola um anticlímax. Os atores trabalham super bem, mesmo que em todo o filme eu odiei todos eles, mas acho que era essa a intenção. Esperava mais do final, meio que decepcionou, deu mil voltas pra não se chegar a lugar nenhum, foi pelo menos esse o sentimento que ficou, mas os valores morais que estão no filme martelam na sua cabeça muito tempo depois de ter assistido.


terça-feira, 5 de julho de 2016

O RIO DA CORUJA

Título Original: La Rivière du Hibou
Diretor: Robert Enrico
Ano: 1962
País de Origem: França
Duração: 26min

Sinopse: Durante a Guerra Civil, homem está prestes a ser enforcado. Mas quando a plataforma está para derrubá-lo e quebrar seu pescoço, milagrosamente ele consegue escapar são e salvo para ter a chance de tentar continuar vivo.

Comentário: O média metragem (para os padrões brasileiros) é de uma maestria excelente, a direção de Robert Enrico é o que realmente chama a atenção aqui, a câmera parece dançar em alguns momentos, e o clima tenso da luta pela sobrevivência é pego de uma maneira que beira ao perfeccionismo. A duração curta é uma faca de dois gumes, acho que dava pra aproveitar mais uns vinte minutos fácil pra brincar com a história, principalmente pra contar de uma maneira até que superficial quem é o personagem central, mas funciona bem talvez exatamente porque não sabemos nada sobre ele. O final é excelente. Um "filme" que deveria sem sombra de dúvidas ser mais conhecido.


sexta-feira, 10 de junho de 2016

MURIEL OU O TEMPO DE UM RETORNO

Título Original: Muriel ou Le Temps D'un Retour
Diretor: Alain Resnais
Ano: 1963
País de Origem: França
Duração: 111min

Sinopse: O enredo centra-se nos personagens de uma viúva (Delphine Seyrig, que ganhou a Taça Volpi de melhor atriz em Veneza, em 1963) e seu jovem enteado (Jean-Baptiste Thiérrée), ambos às voltas com difíceis lembranças que lhes pertubam o passado. Um antigo amor da juventude (Jean-Pierre Kérien) volta à vida da mulher e espanta o tédio de sua existência. Já o rapaz é assombrado por memórias de uma atrocidade que testemunhou durante a guerra da Argélia, quando uma jovem chamada Muriel foi torturada até a morte.

Comentário: O filme tem tantas coisas que me agradaram quanto coisas que me desagradaram. A direção de Resnais é ótima, a história é ótima e a personagem de Seyrig é perfeita (foi o que mais me prendeu em todo o filme, o desenvolvimento dela é muito, mas muito bom mesmo), mas em contrapartida tem o ritmo do filme, muito entrecortado, experimental demais, faz com que o filme fique travando demais conforme você assista. Por mais que o ritmo tenha certa semelhança com o trabalho anterior do diretor (Ano Passado em Marienbad), parece que no filme anterior o corte experimental cai como uma luva, aqui neste parece que já não cai tão bem. Me parece que muita coisa foi subaproveitada por causa do ritmo narrativo. Mas como no filme anterior, neste podemos também perceber que o tempo é o personagem principal, explicando talvez que o que pode parecer um subaproveitamento, na verdade são as lacunas do tempo, da memória, de nossa própria existência. Dá pra ficar pensando sobre o filme durante muito tempo, tentando preencher lacunas que não estão ali e é exatamente isto que faz de Resnais ser quem ele é pro cinema. Pode não ser o melhor filme dele, pode não ter me agradado tanto, mas a genialidade do diretor está tão forte aqui como em seus outros filmes.


quarta-feira, 6 de abril de 2016

O DESPREZO

Título Original: Le Mépris
Diretor: Jean-Luc Godard
Ano: 1963
País de Origem: França
Duração: 103min

Sinopse: Paul Javal é um roteirista que vai a Roma para trabalhar em uma adaptação da obra A Odisséia, que contará com a direção do cineasta alemão Fritz Lang. Enquanto decide os últimos detalhes para aceitar o trabalho, sua relação com a esposa, Camille, começa a desabar, em um jogo de paixão, ciúmes e desprezo.

Comentário: O Desprezo está para Godard assim como está para Fellini, mas ainda prefiro o de Fellini. Godard esbanja talento neste filme, metalinguagem, diálogos excelentes, direção excepcional e muita poesia. A música de Georges Delerue é perfeita, mas vai cansando com sua repetição. As interpretações que o filme pode ter beiram ao infinito, minha visão é que o desprezo vêm do marido e não da personagem de Brigitte Bardot, mas daí precisaria escrever um livro pra me defender. As participações de Fritz Lang são a cereja no bolo. Não gostei do final, acho que o Godard se auto copia e parece querer terminar o filme de uma maneira mais fácil ou com um choque desnecessário pra película, funciona em Acossado, fiquei com um pé atrás em Viver a Vida, mas aqui já caiu no pedantismo. Tirando isso o filme ficou com uma nota nove por essas marteladas que ficam dando no cérebro, te faz pensar, te tira do ponto de equilíbrio. Brigitte Bardot está maravilhosa e Jack Palance atua muito bem, cheguei a ficar com asco do personagem.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

GÂNGSTERS DE CASACA

Título Original: Mélodie en Sous-Sol
Diretor: Henri Verneuil
Ano: 1963
País de Origem: França
Duração: 102min

Sinopse: Recém-saído da prisão, um ladrão veterano despreza os planos de sua mulher de viver uma vida tranquila e longe do crime. Juntamente com um antigo companheiro de cela, ele planeja um grande assalto a um cassino em Cannes.

Comentário: Duas gerações de astros do cinema francês se encontram neste filme. Jean Gabin já um ator veterano com um excelente currículo nas costas e Alain Delon, que mostra que antigamente não adiantava ser só um rostinho bonito, mas era preciso saber atuar. Um típico filme sobre assalto a cassinos desses que a gente vê a rodo em Hollywood hoje em dia, mas em uma época em que não eram tão comuns. O roteiro é bem amarrado e consegue te deixar apreensivo. O assalto, ao mesmo tempo em que é meticulosamente planejado e profissional, tem outros pontos bem amadores e que parecem não se encaixar muito bem. Um final surpreendente, mas que acontece de maneira muito rápida. Vale a assistida, pena que não achei uma versão em HD.