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sábado, 26 de julho de 2025

A TRAPAÇA

Título Original: Il Bidone
Diretor: Federico Fellini
Ano: 1955
País de Origem: Itália
Duração: 112min
Nota: 9

Sinopse: Augusto, um velho vigarista, trabalha com dois homens mais jovens: Roberto, que deseja se tornar o Johnny Ray italiano, e Carlo, apelidado de Picasso. Após uma série de contratempos e complicações pessoais, as coisas começam a piorar para ele.
 
Comentário: Indicado para o Leão de Ouro no Festival de Veneza. Talvez seja um dos filmes mais pessimistas que eu tenha assistido (Fellini é mestre nisso, né?), o personagem principal consegue ser das coisas mais abomináveis da sociedade, mas porém é assustador pensar que se tornou tão, mas tão comum nos dias de hoje. Augustos nos cercam por todos os lados na política, em igrejas e coachs de Instagram dispostos a tudo para ganhar seu primeiro milhão. Augustos se proliferaram assustadoramente 70 anos depois desta obra prima e isto é triste demais. Um filme obrigatório, que deve fazer com que pessoas acordem para o que nos cerca no mundo de hoje. Assustador quando o ator Broderick Crawford diz que tem 48 anos no filme e eu pensei (hahahaha, capaz que ele tem só 48 anos) e depois fui checar e ele tinha 44, mais novo que eu hoje. Chocado!

sábado, 22 de fevereiro de 2025

NAS GARRAS DA AMBIÇÃO

Título Original: The Tall Men
Diretor: Raoul Walsh
Ano: 1955
País de Origem: EUA
Duração: 122min
Nota: 10

Sinopse: Dois irmãos veteranos ​​do Exército Confederado se juntam a um empresário para uma viagem de gado do Texas a Montana.

Comentário: Fui assistir sem esperar nada e entregou tudo o que eu precisava na madrugada. Um faroeste clássico com absolutamente tudo que um faroeste tem que ter. Personagens caricatos e cativantes, não só Clark Gable está ótima, mas todo o elenco; aventura que passa por vários tipos de problemas típicos e uma personagem feminina forte interpretada por Jane Russell, ela simplesmente toma conta da tela sempre que aparece. Pode parecer clichê, mas quando eu pego um faroeste clássico para assistir é o que quero ver, e a história funciona muito bem em vários aspectos. Um filme subestimado de Raoul Walsh com uma excelente trilha sonora composta por Victor Young (famoso por inúmeras trilhas, inclusive do clássico Depois do Vendaval dirigido pelo lendário John Ford). Impossível não se divertir se você é fã do gênero.



quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

GERAÇÃO

Título Original: Pokolenie
Diretor: Andrzej Wajda
Ano: 1955
País de Origem: Polônia
Duração: 84min
Nota: 10

Sinopse: História de jovens durante a ocupação alemã da Polônia na Segunda Guerra Mundial que chegam à idade adulta por meio do amor e da adversidade.

Comentário: Ao rever agora em alta definição, o filme continua tão forte como da primeira vez que o vi. Wajda mostra toda sua genialidade já em sua estreia e realiza aqui o que considero o melhor filme de sua trilogia de guerra. Sem muitos recursos para pagar balas de festim e devido ao fácil acesso a armas devido ao pós-guerra mesmo fazendo uma década, todas as cenas de tiros foram usadas munição de verdade, o que faz a gente pensar em como foram loucos durante as filmagens todos os envolvidos. Nascia aqui toda uma geração do cinema polonês. A história é simples, mas escancara a resistência e resiliência do povo polonês frente a ocupação nazista. Há um forte sentimento comunista que Wajda foi perdendo durante os anos, mas sem perder sua essência no que acreditava. Simplesmente adoro esse filme, o final é avassalador. Estreia também de Roman Polanski, que aparece aqui como ator.



domingo, 13 de agosto de 2023

A CANÇÃO DA ESTRADA

Título Original: Pather Panchali
Diretor: Satyajit Ray
Ano: 1955
País de Origem: Índia
Duração: 126min

Sinopse: O empobrecido Harihar Ray, sonhando com uma vida melhor para si e sua família, deixa sua aldeia rural em Bengala em busca de trabalho. Sozinha, sua esposa, Sarbojaya cuida de sua filha rebelde, Durga, e de seu filho Apu, bem como da tia idosa de Harihar, Indir. As crianças desfrutam dos pequenos prazeres de sua vida difícil, enquanto seus pais sofrem as indignidades diárias que lhes são impostas.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes e vencedor de outros dois prêmios em competições paralelas. Primeiro filme de um dos maiores diretores de todos os tempos, que demorou três anos por falta de recursos. O filme é muito bom, apesar de ter momentos arrastados e achar que podia ser um pouco mais curto, O diretor foi fortemente influenciado pelo neorrealismo italiano. Chunibala Devi, que interpreta a velinha, é de uma simpatia maravilhosa e veio a falecer no mesmo ano de lançamento do filme, mas é Uma Das Gupta que rouba a cena com seu papel de Durga: o filme é dela. Apu pode vir a se tornar o protagonista da trilogia, mas este é um filme focado em sua irmã e é assim que funciona. A raiva que dá de ver uma sociedade machista patriarcal ferrando a família é grande. O desfecho é meio apressado, mas a experiência final faz o filme valer a pena.


domingo, 5 de fevereiro de 2023

SORRISOS DE UMA NOITE DE AMOR

Título Original: Sommarnattens Leende
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1955
País de Origem: Suécia
Duração: 109min

Sinopse: Na Suécia, na virada do século, membros da classe alta e seus empregados se encontram em um emaranhado romântico que tentam resolver no decurso de uma noite em meio a ciúmes e corações partidos.

Comentário: Vencedor do Prêmio Humor Poético no Festival de Cannes, obviamente que ele não existe mais nas edições contemporâneas do festival. Eu simplesmente amo essas comédias românticas descompromissadas do Bergman, principalmente porque ela tem tanto a nos dizer. Os diálogos são cortantes como faca afiadas, a cena da Sra. Armfeldt na cama conversando com a filha é uma das cenas mais engraçadas de toda a filmografia do mestre sueco. A conversa de Petra e seu recente amante deitados no feno é das coisas mais sublimes que eu já vi em um filme. Amei de todo coração esse filme. O final era previsível desde as primeiras cenas, mas a previsibilidade é o que menos importa em todo filme. Amei!


sábado, 4 de fevereiro de 2023

O PECADO MORA AO LADO

Título Original: The Seven Year Itch
Diretor: Billy Wilder
Ano: 1955
País de Origem: EUA
Duração: 104min

Sinopse: Richard Sherman, é um editor de livros que sente-se "solteiro" quando a mulher e o filho viajam em férias. Ele começa então a ficar cheio de ideias quando uma bela e sensual jovem, que é modelo e sonha ser atriz, torna-se a sua vizinha.

Comentário: Me espanta o tanto de gente que tenta problematizar o filme, pessoas que talvez desconhecem o trabalho de Wilder e não sacaram o tom do filme. O filme é uma crítica social incrível, onde todos os personagens são esteriótipos exagerados, mas ao mesmo tempo ninguém é o que parece. O marido não se sente tão seguro no casamento, a vizinha gostosa é a mais inteligente de todos ali, o psiquiatra está muito mais interessado em ganhar dinheiro e alguns machões não pegam ninguém. A própria liberdade sexual da personagem vivida por Marilyn é algo extremamente inovador no filme, acho que inédito para o cinema americano e mais discutido na época por nomes como Ingmar Bergman, por exemplo. Divertido e que ainda funciona muito bem como crítica nos dias de hoje. Wilder foi um dos maiores gênios do cinema americano.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

SONHOS DE MULHERES

Título Original: Kvinnodröm
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1955
País de Origem: Suécia
Duração: 88min

Sinopse: Acompanhe os tormentos, os sonhos e as relações amorosas de duas mulheres: Susanne, diretora de um estúdio de moda em Estocolmo, e Doris, uma jovem e inexperiente modelo fotográfica. Uma viagem para outra cidade irá alterar para sempre suas vidas.

Comentário: Me espanta ser um dos filmes que Bergman menos gostava dos que dirigiu, eu achei muito bom. Harriet Andersson da um salto em atuação aqui, saindo do papel de garota e entrando no papel de mulher. O personagem do cônsul, interpretado por Gunnar Björnstrand, é super complexo e tem várias camadas assim como a relação do outro casal. Um filme de narrativa bem simples, mas que remete a amaranhados de coisas que vêm com o amor. Há uma crítica ao comportamento consumista, machista e capitalista com os parâmetros que se tinham na época. Pode não ser um filme icônico da carreira do cineasta, mas é uma ótima pedida ao que se propõe.


quarta-feira, 7 de setembro de 2022

O NOVATO DO ANO

Título Original: Rookie Of The Year
Diretor: John Ford
Ano: 1955
País de Origem: EUA
Duração: 24min

Sinopse: Mike Cronin (John Wayne) é um jornalista esportivo na pequena cidade de Emeryville. Ao visitar um colega de profissão em New York, Cronin vê o jovem talento do beisebol Lyn Goodhue (Patrick Wayne) em um jogo, jovem que aos poucos o lembra de um famoso jogador do passado que se envolvera em um escândalo. Se houver uma conexão entre ambos os atletas, no jovem Goodhue poderia estar então o furo de reportagem que Cronin há muito tempo procura e que poderia levá-lo ao sucesso profissional. Mas uma questão de ética jornalística surge em seu caminho quando ele conhece a namorada de Goodhue, a jovem Ruth Dahlberg (Vera Miles).
 
Comentário: Episódio de uma série para a televisão chamada Screen Directors Playhouse, este foi o único dirigido pela lenda, John Ford, onde todos os episódios eram histórias fechadas. O escândalo comentado aqui realmente aconteceu em 1919 envolvendo o Chicago White Sox, foi o primeiro trabalho da dupla Ford/Wayne para a TV e a estreia de Patrick Wayne, filho do lendário ator que trabalharia em vários outros filmes com ele. Eu achei ótimo, a dinâmica, sou um fã de baseball (joguei na adolescência) e o clima mais despojado e simplista de todo o episódio passa aquele clima anos 50. Puro entretenimento. Eu adoro ver o Wayne em papéis que o tiram de seu estereótipo de caubói.