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sexta-feira, 3 de abril de 2026

VIDA ACIDENTAL

Título Original: Slucajni Zivot
Diretor: Ante Peterlic
Ano: 1969
País de Origem: Checoslováquia
Duração: 64min
Nota: 7

Sinopse: Dois amigos tentar arrancar suas vidas das garras da ociosidade. Um estudo existencial sobre vidas comuns levadas por dois trabalhadores urbanos de escritório, Vida Acidental foi o único longa-metragem de Ante Peterlić, teórico e crítico de cinema croata. O filme recebeu críticas medianas e passou despercebido após seu lançamento, mas foi reavaliado décadas depois como um dos melhores filmes croatas já feitos.
 
Comentário: É um bom filme e bem curtinho. O personagem de Filip é um pouco estranho, há momentos que nos ligamos emocionalmente a ele, mas a momentos que não criamos nenhum vinculo com o personagem, fico pensando se isso foi proposital. Stanko é mais humano e rouba as cenas quando aparece. Os melhores momentos são quando estão no escritório com o velho Jurak. A trilha sonora com jazz é muito boa. As relações amorosas de Filip é o que menos funciona, acho que tudo o que acontece fora dessa narrativa é muito mais interessante e poderia ser mais bem aproveitado. Acho exagerado dizer que é um dos melhores filmes croatas já feito, mas tem sua enorme importância para a época sim.

segunda-feira, 11 de março de 2024

AS PEQUENAS MARGARIDAS

Título Original: Sedmikrásky
Diretor: Vera Chytilová
Ano: 1966
País de Origem: Checoslováquia
Duração: 73min
Nota: 8

Sinopse: Utilizando-se de avançados efeitos especiais para a época, Vera Chytilová dirigiu esta obra surrealista que conta a história de duas garotas chamadas Marie, que decidem se adequar ao mundo como ele está: sendo depravadas. Portanto, ambas partem para uma série de encontros forjados e travessuras, desconstruindo o mundo ao seu redor.
 
Comentário: O filme não funcionou muito bem comigo, não achei muito legal de assistir, porém não tem como ignorar toda a força do discurso para a época contra o patriarcado, ao regime stalinista e o conservadorismo. Acho que se as protagonistas não fossem tão infantilizadas poderiam render mais diálogos interessantes. A parte técnica é o que a película tem de melhor, é um show para os olhos. Não acho o melhor filme da Chytilová que já assisti. Agradeço a dedicatória, pois acho que de que adianta se revoltar com a guerra e não dar a mínima para o desperdício de comida em um mundo onde a fome é uma realidade tão brutal em alguns lugares quanto a guerra? É um bom filme, que acabei dando uma nota a mais pela ousadia contra a mentalidade da época.



quinta-feira, 18 de junho de 2020

O BOXEADOR E A MORTE

Título Original: Boxer a Smrt
Diretor: Peter Solan
Ano: 1963
País de Origem: Checoslováquia
Duração: 106min

Sinopse: Em um campo de concentração nazista, um prisioneiro aguardando a execução é poupado quando o comandante, um ex-lutador, descobre que ele tem conhecimento de boxe. Cada treino torna-se uma disputa entre a vida e a morte.

Comentário: Um filme bem interessando onde a opressão nazista é contada em um micro universo relacionado ao boxe. No começo o ator que faz o encarregado do campo de concentração não me convenceu nem um pouco como boxeador, mas no decorrer do filme isto para de importar. Uma direção e elenco afiados, mas é o compositor William Bukový que se destaca mais. Alguns atores coadjuvantes conseguem crescer muito em várias cenas, isto também chama bastante a atenção, é engraçado como o diretor monta alguns personagens, como o Willi, que parece ser gente boa e em momentos esquecemos que é um nazista. Uma alegoria do mundo real, cuidado com aquele cara que parece gente boa quando ele é um fascista. Um filme interessante para um estudo de poder e submissão.


sábado, 29 de abril de 2017

TRANSPORTE DO PARAÍSO

Título Original: Transport Z Ráje
Diretor: Zbyněk Brynych
Ano: 1963
País de Origem: Checoslováquia
Duração: 92min

Sinopse: Um dia no cotidiano do Gueto de Terezín, na Checoslováquia, sob domínio nazista: o General Knecht chega para inspecionar as atividades do "gueto modelo", sobretudo o filme de propaganda que está sendo realizado para convencer o mundo em geral, e a Cruz Vermelha em particular, que os alemães tratam muito bem seus prisioneiros. A visita do General revela um pouco do funcionamento do gueto - o banco, as lojas de roupa, as triagens, as acomodações, a preparação da lista para o derradeiro transporte.

Comentário: O filme tem cenas maravilhosas, porém tem outras arrastadas, mas não tem como não pegar como um soco no estômago. O comportamento de alguns personagens, nazistas e judeus, com frases como "Como Ovelhas" se desenvolve a nossa frente em um micromundo com todas as nuances da realidade que choca, o gueto apresentado funciona como o barco no romance Moby Dick, há todos os tipos de pessoas representando o mundo, há judeus que trabalham para nazistas, há nazistas que parece ajudar os judeus, há o mal, há o bom e há o simplesmente existir. Alguns personagens poderiam ter um melhor desenvolvimento, mas como na vida real dos judeus que viveram no gueto, não houve tempo para isso, pois foi interrompido pelo transporte que saía do "paraíso".


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

JOE LIMONADA

Título Original: Limonádový Joe Aneb Konská Opera
Diretor: Oldrich Lipský
Ano: 1964
País de Origem: Checoslováquia
Duração: 95min

Sinopse: Escandalosa paródia dos faroestes clássicos de Hollywood, a comédia musical do diretor checo Oldrich Lipsky vale-se de seus trabalhos anteriores em animação para avacalhar e exagerar o "grande gênero" do cinema americano. Passada em Stetson City, a história começa com uma balbúrdia generallizada no Whisky Trigger Saloon (Bar Gatilho de Prata), de onde o malévolo Doug Badman controla a cidade e onde a cantora Tornado Lou sonha com um amor redentor. O ataviado Joe Limonada irrompe na cidade, trazendo a lei e a ordem - e a limonada Kolaloka - e salvando a virginal Winifred Goodman das garras do terrível Hogo Fogo.

Comentários: É um filme divertido, mas o Joe Limonada pra mim é o personagem mais capitalista já criado em um filme, que filho da puta, torci um pouco pra ele se dar mal! Entretêm muito bem e serve como uma homenagem a vários tipos de filmes (mudo, musical, faroeste, etc...). No final tudo fica meio sem pé nem cabeça, um pouco forçado demais, achei um pouco desnecessário. Mas todos trabalham muito bem, inclusive com uma atuação meia canastra proposital, tirando sarro mesmo de alguns clichês de filmes do gênero. Vale a assistida, é divertimento na certa. A direção é perfeita, tecnicamente é um filme que todo estudante de cinema deveria assistir.


quarta-feira, 8 de junho de 2016

VIVA A REPÚBLICA

Título Original: Ať žije Republika
Diretor: Karel Kachyňa
Ano: 1965
País de Origem: Checoslováquia
Duração: 127min

Sinopse: Olda Zdenek Lsiburek é um garoto submetido a espancamentos pelo pai cruel e às provocações de outras crianças por causa de sua baixa estatura. A mãe do menino é sua única protetora, enquanto seu pai está mais preocupado em ter seu cavalo confiscado pelo exército. Olda recebe uma ordem de seu pai para esconder o cavalo na floresta, mas os nazistas capturam o animal. Então o menino arrisca sua vida entrando furtivamente em um acampamento do exército russo para roubar um cavalo e não ter que enfrentar a ira de seu pai.

Comentário: Seguindo um pouco o mesmo assunto de seu filme de 1960 (Garoto-Estilingue), Kachyňa nos brinda com outra filme de guerra um pouco mais denso e pesado, que lembra bastante A Infância de Ivan, mas que tem seus momentos de descontração. É interessante perceber que os diretores desta época foram crianças durante a Segunda Guerra Mundial, então acho natural que tenham mostrado inúmeras vezes a guerra através dos olhos de crianças. O filme só peca em demorar demais, acho que em determinado ponto ficou um pouco cansativo. As imagens são maravilhosas, a narrativa é extremamente entrecortada, nos brindando com cenas do presente, passado e da própria imaginação do personagem. A crueldade das outras crianças para com o protagonista é de cortar o coração. Um filme de guerra, que apesar de momentos divertidos, foi um dos mais sombrios que já assisti, porque atinge direto na alma, onde mais dói.


quarta-feira, 2 de março de 2016

JOSEPH KILIÁN

Título Original: Postava k Podpírání
Diretores: Jan Schmidt & Pavel Jurácek
Ano: 1963
País de Origem: Checoslováquia
Duração: 37min

Sinopse: O média metragem é baseado na obra "O Processo" de Franz Kafka. Pavel Juracek e Jan Schmidt exploram com muito humor negro e surrealismo as condições impostas aos cidadãos tchecos sob um regime comunista. Do absurdo das situações atordoantes, desinformações, labirintos cinzas da cidade cinza, ao incrível sistema de aluguel de gatos, o filme encerra em si uma importante questão: Por quê?

Comentário: Incrível média metragem onde os escritores (e também diretores) não se preocuparam em fazer algo seguindo fielmente o livro de Kafka (O Processo), mas sim brincaram com muita desenvoltura sobre os absurdos do livro de uma maneira diferente, onde a loja de aluguel para gatos figura, por exemplo, como a melhor parte do enredo. O livro serve apenas como referência, portanto não é uma adaptação, não assistam pensando em ver algo próximo ao livro. As partes de ligação com a obra literária são bem nítidas, a crítica ao sistema "socialista" é o foco de tudo, mas as pitadas surrealistas (que não ficam devendo em nada para o mestre Buñuel) é que dão o tom. O diretor Pavel Jurácek já havia trabalhado como roteirista do filme Viagem ao Fim do Universo.


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

ALGUMA COISA DE OUTRO

Título Original: O Něčem Jiném
Diretora: Vera Chytilová
Ano: 1963
País de Origem: Checoslováquia
Duração: 80min

Sinopse: Num estilo documental, acompanhamos o extenuante treinamento da ginasta e medalhista olímpica Eva Bosáková para a última competição de sua carreira esportiva. Em contrapartida, há o drama da dona de casa Vera, casada com um homem que a ignora e mãe de um filho que ocupa todo seu tempo e esgota suas energias e paciência. Ambas parecem ansiar por algo mais, algo diferente.

Comentário: Depois do media metragem Saco de Pulgas, temos aqui o primeiro longa de Vera Chytilová. Confesso que demorou pro filme conseguir me fisgar, as alternâncias entre as duas personagens parece cansar no começo, mas logo passou esta primeira impressão de estranheza o filme conseguiu me prender muito bem. Interessante ver a campeã olímpica Eva Bosáková interpretando uma personagem que acaba sendo ela mesma. A parte técnica do filme é simplesmente fantástica, algumas tomadas são geniais, e quando você acha que já viu de tudo, teve uma virada de câmera que me tirou o fôlego. Excelente trilha sonora.


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

VIAGEM AO FIM DO UNIVERSO

Título Original: Ikarie XB-1
Diretor: Jindřich Polák
Ano: 1963
País de Origem: Checoslováquia
Duração: 83min

Sinopse: No ano de 2163 a nave Ikarie XB-1 é enviada para o misterioso "Planeta Branco" em órbita da estrela Alpha Centauri. Durante o voo, a equipe deve se adaptar à vida no espaço, bem como lidar com vários perigos que encontram, incluindo uma nave espacial abandonada do século XX, armado com armas nucleares, uma mortal e radioativa "estrela negra", e o colapso mental de um dos membros da tripulação que ameaça destruir a nave espacial.

Comentário: Baseado no romance de 1955 Oblok Magelana (A Nuvem de Magalhães), do autor de ficção científica polonês Stanislaw Lem, o filme cumpre o que promete, quanto a isso não resta dúvida, mas é inegável o fato de que ele tenha envelhecido um pouco mal. Vemos algumas coisas que simplesmente não batem, a festa e comportamento é típico dos anos sessenta: será que achavam que os anos sessenta iam durar até o ano de 2163 ou será que o que vemos é um revival dos anos sessenta em pleno século XXII? Quando acontece o nascimento de um bebê e vemos todos os astronautas abandonando os seus postos é impensável não pensar na falta de profissionalismo deles. Posso estar muito chato, estar muito crítico, mas é o tipo de filme que me ataca este lado sombrio meu. Mas o filme não é feito só de erros, há muitas partes ótimas, e como eu disse anteriormente, ele cumpre o que promete. Há várias cenas maravilhosas, os efeitos especiais são ótimos pra época, levanta questionamentos válidos até para os dias de hoje e alguns dizem que o Kubrick se baseou bastante neste filme para fazer o 2001 - Uma Odisseia no Espaço. É um filme que merece ser assistido, mas com os olhos dos anos 60. Vale destacar que é uma ficção científica bem mais adulta em comparação ao que era produzido no cinema americano, pode-se dizer que foi uma precursora de Star Trek, mas sempre lembrando que neste mesmo ano começou a série Doctor Who, que pra mim abordava temas bem elevados se compararmos filmes de ficção desta época.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

SACO DE PULGAS

Título Original: Pytel Blech
Diretora: Vera Chytilová
Ano: 1962
País de Origem: Checoslováquia
Duração: 42min

Sinopse: O filme retrata o cotidiano de uma garota num colégio interno típico de uma pequena cidade durante a era da Checoslováquia socialista. Jana rebela-se contra as estruturas rígidas da instituição, ganhando assim a admiração de muitas garotas.

Comentário: É um média metragem bem simples, a ideia de ser filmado em primeira pessoa (a câmera acaba fazendo o papel de uma garota novata chamada Eva) foi uma bela sacada. Tudo é muito sutil e cuidadoso, talvez pra passar durante a censura soviética da época. No geral é um filme bom, mas que podia ser melhor, mas por ser o primeiro filme da diretora que se tornaria uma grande cineasta do país no futuro, é um belo começo de carreira. Não entendi porque tem esses garotos no pôster, já que são praticamente insignificantes para o filme. A direção e a parte técnica são o grande destaque aqui.


quinta-feira, 16 de julho de 2015

O SOL EM UMA REDE

Título Original: Slnko V Sieti
Diretor: Stefan Uher
Ano: 1962
País de Origem: Checoslováquia
Duração: 90min

Sinopse: "O Sol Em Uma Rede" explora o desenvolvimento dos romances de Fatjták, um fotógrafo amador, com a sua conterrânea Bela, e Jana, uma amante que ele conhece durante um trabalho temporário em uma colheita na zona rural. Esse triângulo amoroso fornece ao filme uma série de oposições: cidade e interior, intelectuais e trabalhadores, verdade coletiva e pessoal, realidade e representação - Todas apontando em direção à distinção entre verdade e mentira. No entanto, o filme não oferece uma resolução clara para todas as questões que levanta, demandando que o espectador tente resolvê-las por si mesmo.

Comentário: Hoje é dia de postar filmes com "Sol" no título (O Sol é para Todos), a única coisa que os dois tem em comum é criança rolando dentro de pneu e me deixar indagando porque diabos nunca fiz isto (pelo que me lembre). Este é um filme reflexivo, sem fórmulas prontas e de difícil compreensão para o telespectador que não está habituado com este tipo de narrativa. Pra mim, o filme se trata sobre amadurecimento, e em como as pessoas tem dificuldade de seguir em frente, e muitas vezes ficarem estáticas com suas obsessões (seja o personagem principal com sua obsessão por fotografias de mãos, seu amigo em pegar mulheres, o capataz que se recusa a pedir desculpas ou da mulher cega que se acostumou a fazer o papel de vítima). Alguns crescem, outros continuam em seus lugares acomodados por toda a vida, o protagonista parece disposto a crescer. O moleque que só toca a mesma nota da flauta, que diga-se de passagem tive vontade de enfiar a flauta no cu dele, parece também nunca avançar para o próximo passo. As belas mulheres da Checoslováquia roubam todas as cenas em que aparecem, só contribuem para o filme, Olga Salagová é simplesmente maravilhosa, longe deste estereótipo magrelo anoréxico "Angelina Jolie" que predomina no cinema mundial. A direção é muito bonita, as reflexões que ele trás são extensas, e para cada um o filme terá um significado diferente, mas só para quem estiver disposto a adentrar em sua proposta, que volto a repetir, não é das mais fáceis.



sexta-feira, 12 de junho de 2015

GAROTO-ESTILINGUE

Título Original: Práče
Diretor: Karel Kachyňa
Ano: 1960
País de Origem: Checoslováquia
Duração: 82min

Sinopse: Envolve a história de um garoto tcheco que é resgatado de um campo de concentração e levado a unidade encarregada da lavanderia do Exército Tcheco sob o comando Soviético. Ele torna-se o mascote da unidade, e é batizado com o nome de Garoto-Estilingue (Práče). Em referência aos garotos tchecos que lutavam com estilingues no Exército Tcheco dos Hussites no século XV.

Comentário: Ah, esses filmes da Checoslováquia... impossível não amar. O filme tem um lirismo, uma leveza e ao mesmo tempo é tão denso e pesado que assusta. O personagem principal é uma fofura que você só quer abraçar. A simbologia com pássaros mortos, presos e livres permeiam o filme dando uma carga simbólica muito importante para o seu desenvolvimento. O filme emociona, diverte e dramatiza muito bem. A direção é ótima, o desenvolvimento é perfeito (e ao meu ver), tem até uma polêmica bem sutil de apresentar um personagem homossexual entre o batalhão da lavanderia. A cena inicial e a cena final são lindas demais. (PS: Enquanto escrevia esse texto, entrou três crianças judias na loja de brinquedos em que trabalho, e me deixou mais revoltado com os crimes hediondos que o nazismo perpetrou, eram crianças... CRIANÇAS!).


segunda-feira, 20 de abril de 2015

O BARÃO FANFARRÃO

Título Original: Baron Prásil
Diretor: Karel Zeman
Ano: 1962
País de Origem: Checoslováquia
Duração: 80min

Sinopse: O astronauta Tonik pousa na lua, sendo saudado pelos viajantes da imaginação que viajaram para lá antes dele - Cyrano de Bergerac, o Barão de Munchausen e os exploradores de Júlio Verne. Acreditando que Tonik seja um habitante da lua, o Barão decide levá-lo em uma excursão para a terra. Viajando por gôndola puxada por pássaro, aterrissa na Turquia e busca uma audiência com o Sultão. A princesa Bianca implora a Tonik para resgatá-la do palácio e é quando a verdadeira aventura começa.

Comentário: O filme é baseado na novela de Göttfried Bürger (As aventuras do Barão de Munchhausen), o diretor utilizou cenários decorados pintados ao estilo das ilustrações de Gustave Doré ante a atores reais. Karel Zeman é um dos pais da animação do cinema na Checoslováquia. O filme é inovador e bastante divertido, só achei que a narração em off constante do Barão de Munchausen emperra um pouco o ritmo do filme, se os personagens falassem mais e interagissem entre si o filme ficaria mais dinâmico, de resto o filme é perfeito. Karel Zeman parece ser o pai de Terry Gilliam, assistindo este filme dá pra ver que é uma fonte de inspiração para uma grande parte das obras do diretor americano (que inclusive já dirigiu um filme sobre o Barão de Munchausen e fazia animações para o grupo Monty Python bem no estilo de Zeman). Toda a parte técnica do filme, o roteiro e essa mescla entre o cinema fantástico de Méliès com as ilustrações de Gustave Doré renderam um belo filme que merece ser assistido mais de uma vez. Um filme que merecia ser muito mais conhecido, assistido e divulgado em massa. Recomendadíssimo!


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

ARMADILHA DO DIABO

Título Original: Ďáblova Past
Diretor: František Vláčil
Ano: 1962
País de Origem: Checoslováquia
Duração: 84min

Sinopse: Um moleiro valendo-se de seus rudimentares conhecimentos científicos sobre a terra consegue encontrar um aquífero subterrâneo e prosperar durante a forte seca do verão. Seu sucesso causa a inveja do governante local pelas terras. O moleiro é acusado de bruxaria devido ao seu milagroso sucesso e um padre é enviado pela inquisição para investigar sua suposta ligação com o demônio. Ambientado na Boêmia do século XVI, o conflito entre fé e razão marca o primeiro filme da trilogia medieval de František Vláčil.

Comentário: Um filme muito interessante sobre o grande debate entre fé e ciência, e muito provavelmente uma crítica de como a igreja, durante o período medieval, impediu o crescimento científico e intelectual das pessoas. O padre é uma grande incógnita no filme pra mim, parece ser uma pessoa com a mente aberta em determinados momentos e o oposto em outros, só vai se revelar mesmo lá pro final do filme. O moleiro é um personagem interessantíssimo, mas achei mal trabalhado, ficou muito de pano de fundo para dar destaque ao filho e sua história de amor (que também não deixa de ser interessante), focando o preconceito que seus próprios semelhantes tem com ele pelas histórias de bruxaria de sua família. A direção de Vláčil é ótima, há movimentos de câmeras geniais, vou compará-lo novamente ao Tarkovski como fiz em A Pomba Branca, mesmo este filme lembrando mais Bergman, ele tem muito do talento do diretor russo. Um grande diretor que deveria ser sempre lembrado no hall da fama dos diretores, muito subestimado, uma pena.


sexta-feira, 18 de julho de 2014

A POMBA BRANCA

Título Original: Holubice
Diretor: František Vláčil
Ano: 1960
País de Origem: Tchecoslováquia
Duração: 67min
Nota: 9

Sinopse: Durante sua jornada de volta para casa, no Mar Báltico, um inocente pombo-correio perde-se e cai na cidade de Praga, onde é resgatado e cuidado por um frágil garoto. Logo os dois desenvolverão uma amizade que tocará todos ao seu redor.

Comentário: Um filme belíssimo, com uma excelente fotografia, o diretor Vláčil não deixa a desejar para os maiores diretores da época. O filme me lembra muito ao primeiro filme de Tarkovsky (O Rolo Compressor e o Violinista) em alguns aspectos: a amizade entre um homem mais velho e um garoto e as cenas muito belas e bem dirigidas. A pomba branca do filme também tem um forte simbolismo de paz, pureza, liberdade e várias outras coisas, simbolismos estes que Tarkovsky também gostava muito de usar em seus filmes. Não digo que Vláčil seja uma cópia do famoso diretor russo, muito pelo contrário, acho que Vláčil era um diretor à altura de Tarkovsky, mas infelizmente não tão conhecido quanto.



quinta-feira, 15 de maio de 2014

ROMEU E JULIETA NAS TREVAS

Título Original: Romeo, Julia a Tma
Diretor: Jirí Weiss
Ano: 1960
País de Origem: Tchecoslováquia
Duração: 92min
Nota: 8

Sinopse: Um jovem homem abriga uma foragida judia no sótão de seu prédio em 1942 durante a ocupação nazista brutal de Praga, tornando-se sua única ligação com o mundo exterior. Medo, ansiedade e a desconfiança em breve se transformar em uma gratidão e amor entre eles. Poética e maravilhosamente filmado, este drama examina as consequências de suas ações.

Comentário: Primeiramente não tem como deixar de comentar a beleza e o talento cativante da atriz Daniela Smutná neste filme, ela simplesmente consegue roubar todas as cenas em que aparece. O filme em si é muito lindo, consegue retratar de uma maneira muito intensa, simples e triste o amor de um casal separados pelo preconceito idiota de todo o resto. Eu, particularmente, gosto muito de filmes reflexivos sobre atitudes idiotas do ser humano, e o preconceito é a mais estúpida de todas elas. O final não me agradou muito, e só por isto o filme não tem uma nota maior aqui, mas também não é um final ruim. Não pretendo colocar spoilers em nenhum texto, portanto só irei comentar que eu esperava mais do desfecho...