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sexta-feira, 17 de abril de 2026

PAI E FILHA

Título Original: Banshun
Diretor: Yasujirô Ozu
Ano: 1949
País de Origem: Japão
Duração: 110min
Nota: 8

Sinopse: Várias pessoas tentam convencer Noriko, de 27 anos, a se casar, mas tudo o que ela quer é continuar cuidando de seu pai viúvo.
 
Comentário: Assistir Ozu é sempre gostoso e aqui o elenco ajuda muito, a dupla Chishū Ryū e Setsuko Hara conseguem manter uma química perfeita durante toda a película. Pareciam pai e filha mesmo. Achei a mensagem final meio nada haver, esse ciúmes que a filha parece ter de que o pai siga a vida, e mesmo sendo um pouco cultural acho que o filme poderia ter sido um pouco mais interessante em romper um pouco isso do que ter levado como levou. Mas um filme do Ozu nunca deixa de ser muito bom e o ritmo é de uma simplicidade e sensibilidade ímpar. Assisti no voo que me levou da Europa de volta para o Brasil para que eu voltasse ao meu país em definitivo junto com minha esposa iraniana, então teve essa mensagem de romper com uma vida passada e ir em frente que era exatamente o que eu estava fazendo. Então me tocou bastante neste ponto.

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

NÃO LAMENTO MINHA JUVENTUDE

Título Original: Waga Seishun ni Kuinashi
Diretor: Akira Kurosawa
Ano: 1946
País de Origem: Japão
Duração: 110min
Nota: 9

Sinopse: A filha de um professor universitário politicamente desonrado luta para encontrar um lugar para si no amor e na vida, no mundo incerto do Japão, antes da Segunda Guerra Mundial.
 
Comentário: Que filmaço! Um Kurosawa que nunca tinha ouvido falar e que surpresa incrível ver que o mestre já era tudo aquilo desde o começo da carreira. Pensar que foi lançado já no ano seguinte da explosão das bombas atômicas no Japão, vemos aqui que o país reconstruiu muito rapidamente seu cinema diferente da Alemanha. A história é contagiante, os personagens envolventes e a crítica política do diretor é certeira. Podemos ver como a velha e boa "perseguição aos esquerdistas" consegue levar uma nação inteira direto para o precipício, me espanta que os povos do mundo ainda caiam nessa ladainha depois de tudo que já vimos no passado. Setsuko Hara, a protagonista, dá uma aula incrível e leva o filme todo nas costas fácil. Recomendadíssimo!

sábado, 30 de novembro de 2024

TUDO VAI MAL

Título Original: Subete ga Kurutteru
Diretor:Seijun Suzuki
Ano: 1960
País de Origem: Japão
Duração: 71min
Nota: 9

Sinopse: O jovem rebelde Jiro tem que lidar com um ambiente de crime e prostituição, e o impacto de suas escolhas nas relações pessoais: com a mãe, com o amante dela e com uma garota apaixonada por ele.

Comentário: Uma direção simplesmente perfeita, com um ritmo que vai ficando cada vez mais eletrizante e uma trilha sonora excepcional. Um filme que merece mais destaque, com certeza. Tamio Kawaji interpreta um dos personagens principais mais desprezíveis, mas que representa muito bem o embate geracional de uma geração completamente americanizada de um pós-guerra com a geração que vivenciou a guerra. Talvez haja uma crítica ao ocidentalismo que o Japão vinha sofrendo ao mesmo tempo que uma angústia da geração mais velha que não pode viver a liberdade, como é muito bem colocado. O desfecho, sem spoilers, parece cair em uma certa obsessão dos filmes da época. Todo o elenco está deslumbrante. Vale muito a pena conferir.



quinta-feira, 28 de março de 2024

ERA UMA VEZ UM PAI

Título Original: Chichi Ariki
Diretor: Yasujirô Ozu
Ano: 1942
País de Origem: Japão
Duração: 87min
Nota: 9

Sinopse: Shuhei Horikawa, professor viúvo, luta para criar sozinho seu filho Ryohei sozinho, sem dinheiro nem perspectivas de futuro espera que seu filho conquiste uma vida melhor que a dele.

Comentário: Que baita filme do Ozu, fazia tanto tempo que não assistia algo do diretor. O filme emociona demais em seu desfecho aumentando em muito a nota dele. Impressionante como o diretor consegue dinamismo em seus filmes sem movimentar a câmera nenhuma vez. Os atores são uma simpatia à parte. Interessante notar que o filme foi feito na época em que o Japão estava lutando durante a 2ª Guerra Mundial, e é possível notar pelo discurso do pai aquilo que era tentado passar para a população como "Deem o seu melhor que tudo vai dar certo" ou "Estamos em dificuldade agora, mas as coisas irão melhorar no futuro", muitos detalhes do filme remetem a guerra em curso nas entrelinhas. O respeito cultural que eles tem pela figura do professor era algo que o mundo ocidental deveria ter copiado há muito tempo.



segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

O SANGUE SECOU

Título Original: Chi Wa Kawaiteru
Diretor: Yoshishige Yoshida
Ano: 1960
País de Origem: Japão
Duração: 87min

Sinopse: Um funcionário tenta cometer suicídio, quando o diretor de uma empresa anuncia uma demissão em massa. Uma companhia de seguros usa este evento a sua vantagem de fazer uma campanha publicitária.

Comentário:  Um filme extremamente atual, acho que merecia um remake para discutir redes sociais, instagram e essas bobagens todas. A força da mídia e do capitalismo como massa de manobra da população é mostrada com maestria por Yoshida. Achei que tudo funciona muito bem da maneira que foi mostrado, a trilha sonora com jazz, as cenas sexuais apáticas, o distanciamento da pessoa com a imagem que fazemos dela. Um filme forte para o momento atual em que vivemos, vale o detalhe da personagem forte feminina que trabalha para a companhia de seguros.



quarta-feira, 3 de maio de 2017

A LAGARTIXA NEGRA

Título Original: Kurotokage
Diretor: Umetsugu Inoue
Ano: 1962
País de Origem: Japão
Duração: 101min

Sinopse: O detetive Kogoro Akechi é contratado por um homem rico para fazer a segurança de sua filha Sanae, que está recebendo cartas com ameaças. Logo Akechi descobre que Sanae é alvo de interesse de uma famosa ladra conhecida como Lagartixa Negra. Baseado em uma peça teatral de Yukio Mishima, adaptado do livro de Rampo Edogawa.

Comentário: Um filme simplesmente fantástico, a atmosfera musical com comportamentos bizarros caiu perfeitamente na narrativa, teve cenas que me lembraram bastante Twin Peaks do David Lynch (Tem até um anão japonês), pessoas que dançam e se comportam de maneira irreal frente a situações reais. Machiko Kyô interpreta de maneira estupenda a vilã Lagartixa Negra, o resto do elenco é bastante competente. Masão Mishima (que interpreta o milionário que contrata os serviços de Akechi) consegue passar exatamente aquilo que quer, um personagem chato que dá vontade de dar um murro na cara. Excelente filme japonês, peca um pouquinho no melodrama, mas recomendadíssimo.


segunda-feira, 21 de novembro de 2016

JURAMENTO DE OBEDIÊNCIA

Título Original: Bushidô Zankoku Monogatari
Diretor: Tadashi Imai
Ano: 1963
País de Origem: Japão
Duração: 122min

Sinopse: O jovem japonês Iikura encontra os diários dos seus antepassados, descobre que é descendente de uma antiga linhagem de samurais e que todos tiveram fins trágicos. Iikura reflete sobre o passado de sua família e o confronta com o seu presente através da lembrança dessas leituras.

Comentário: Um filme interessante, poucos conseguiram me deixar tão irritado e puto quanto este. Nunca havia notado, mas os samurais são os pobres de direita, os coxinhas, os imbecis que mantém um sistema intacto. Tantos filmes idolatram tanto os samurais, colocando-os em um patamar de honra e heroísmo e este é excelente pelo oposto, mostra o quão idiotas eles eram, o quão lambedores de sacos dos imperadores ou chefes dos clãs eles eram. Filme obrigatório pra ir contra o sistema, servindo como critica ao capitalismo e aos endinheirados de hoje, se mantendo absurdamente recente para os dias de hoje. Vencedor do Urso de Ouro do Festival de Berlim de 1963, quando o filme terminou não dei nota 10, tinha dado menos, conforme os dias foram passando a nota foi aumentando e o que o diretor quis passar foi se enraizando no meu cérebro.


terça-feira, 30 de agosto de 2016

17 NINJAS

Título Original: Jushichinin no Ninja
Diretor: Yasuto Hasegawa
Ano: 1963
País de Origem: Japão
Duração: 98min

Sinopse: Um dos maiores Shoguns da história do Japão, Tokugawa Hidetada, está prestes a falecer e só tem 20 dias de vida. Seu filho Tokugawa Tadanaga faz um pacto com a maioria dos Daimyo de Edo no sentido de evitar que seu irmão Tokugawa Iemitsu se torne o terceiro Shogun. No entanto ele não contava com 17 ninjas Igas sobreviventes da batalha de Osaka e que agora prestam serviço ao Shogunato.

Comentários: É um filme legal, que acaba engrenando mais da metade para o final. O começo é meio esquisito, umas baixas já nos primeiros minutos deixa você meio sem saber o que esperar do filme. O negócio começa a pegar mesmo na metade. A história é bem feita e o filme consegue cumprir bem seu papel, a trilha sonora é boa e a direção também é competente. Umas interpretações meio forçadas, mas que é típica desses filmes, principalmente do ninja malvadão interpretado por Jûshirô Konoe. O filme teve uma sequência em 1965 (17 ninjas 2: A Grande Batalha) com alguns atores voltando aos seus papéis, mas com um diretor diferente.


quarta-feira, 15 de junho de 2016

A VINGANÇA DO ATOR

Título Original: Yukinojo Henge
Diretor: Kon Ichikawa
Ano: 1963
País de Origem: Japão
Duração: 108min

Sinopse: Em uma excursão com seu grupo de teatro kabuki, Yukinojo, ator principal da trupe, acaba cruzando com os três homens que levaram seus pais ao suicídio, 20 anos antes. Yukinojo então trama sua vingança, primeiro seduzindo a filha de um deles e depois os levando à ruína. 

Comentário: O filme tem suas qualidades e seus defeitos. A direção é belíssima, acho que o diretor poderia ter explorado mais cenas do teatro kabuki (a cena inicial é maravilhosa). Kazuo Hasegawa merece todos os créditos, interpretando dois papéis (do protagonista Yukinojo e do ladrão Yamitaro), confesso que só percebi que era o mesmo ator depois de um tempo. É o 300º filme do ator que tinha um pouco menos que 60 anos, estreou mais um filme neste mesmo ano e depois se aposentou (aparecendo somente em mais duas produções para a TV em 1964 e 1968 de acordo com o IMDB), faleceu em 1984. Yukinojo seria um dos primeiros (se não O primeiro) personagem transgênero no cinema? Dá uma bela discussão e muito pano pra manga. Achei que em alguns momentos o filme cai no melodrama de maneira muito desnecessária e é isto o que mais atrapalha seu desenrolar. As partes dos ladrões funcionam muito bem e servem de contraponto pra trama central. Ayako Wakao (que interpreta Namiji) está belíssima, acho que é o filme em que ela está mais bonita de todos os que assisti. Gostei bastante do ritmo do filme.


quarta-feira, 6 de abril de 2016

A VIDA ELEGANTE DO SR. COMUM

Título Original: Eburi Manshi No Yûga-na Seikatsu
Diretor: Kihachi Okamoto
Ano: 1963
País de Origem: Japão
Duração: 102min

Sinopse: Baseado na novela homônima de autoria de Hitomi Yamaguchi, esta comédia retrata o cotidiano de homem comum, assalariado, que usa a si mesmo como exemplo para escrever um conto. Edição audaciosa e sequências animadas estão entre as originais técnicas incorporadas nesta obra-prima singular. Um retrato do Japão que ainda buscava fechar as cicatrizes deixadas pela guerra.

Comentário: Gostei de todos os filmes que assisti do diretor Kihachi Okamoto, este era pra ser o melhor de todos se não fosse os 30 minutos finais que derruba um pouco a narrativa que estava indo tão bem e cai no melodrama pós-guerra. Mas tirando o final que não me agradou muito, o resto do filme é espetacular, a narrativa é ótima, a direção é perfeita e a atuação de Keiju Kobayashi é de ganhador de qualquer premiação. Ainda prefiro o Projeto de Assassinato do diretor, mas este é melhor do que A Última Cena de Tiros. As partes animadas, as cenas inovadoras (como a apresentação das roupas) e a construção dos personagens só mostram que o diretor merecia melhor reconhecimento de seu trabalho.


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A MULHER INSETO ou TRATADO ENTOMOLÓGICO DO JAPÃO

Título Original: Nippon Konchûki
Diretor: Shohei Imamura
Ano: 1963
País de Origem: Japão
Duração: 123min

Sinopse: É entre os camponeses, os miseráveis, os gângsteres e as prostitutas que Imamura encontra terreno fértil. A Mulher Inseto (Nippon Konchuki, 1963), uma de suas obras-primas do período, conta a história de uma camponesa que, tal como um inseto, faz sua escalada da sobrevivência. Tendo atravessado, desde a adolescência, a violência sexual e o incesto, sua mudança para a cidade grande a conduz diretamente à prostituição e afinal ao controle de um bordel, onde passa a praticar toda sorte de atos vis, dos quais antes fora vítima. O tratamento do personagem como uma verdadeira heroína é absolutamente novo no até então moralista cinema japonês. E as tomadas de estilo documental, nas quais frequentemente o personagem principal não passa de uma cabeça perdida na multidão das ruas da cidade, propõem exatamente o oposto das imagens de estúdio da Shochiku, sempre bem compostas e nítidas.

Comentário: Estava bastante empolgado para assistir este filme devido as referências que David Cronenberg usou em seu livro "Consumidos", mas foi meio decepcionante. Não sou grande fã do cinema de Imamura, acho que ele se perde ao longo de suas narrativas desconexas e truncadas. Esperava que a personagem agisse como um louva-a-deus  fêmea que arranca a cabeça do macho, ou algo do tipo, mas achei a personagem muito fraca, dependente e entregue aos homens que controlam sua vida, mostrando o domínio masculino da sociedade japonesa. Já assisti três filmes do diretor e nenhum caiu muito nas minhas graças, mas de todos, achei este o mais fraco.


sábado, 3 de outubro de 2015

13 ASSASSINOS

Título Original: Jûsan-Nin No Shikaku
Diretor: Eiichi Kudô
Ano: 1963
País de Origem: Japão
Duração: 120min

Sinopse: Nos tempos do Japão feudal, um homem assassina e estupra inocentes, e ao mesmo tempo é protegido pela lei por ser irmão do Xogum. Para impedi-lo surge a força secreta dos misteriosos 13 assassinos, cada um com uma habilidade singular, dispostos a uma missão suicida para acabar com o mal.

Comentário: Não assisti ao remake de 2010 dirigido pelo Takashi Miike, portanto não farei comparações. Achei o começo muito confuso, você se perde um pouco no que está acontecendo, é só na metade do filme que consegui realmente me envolver e a história conseguiu me prender no que está acontecendo. Os personagens não são bem trabalhados, são 13 samurais e alguns poucos tem algum destaque, e mesmo os destaques que alguns têm são bem pequenos. A história é muito interessante e aborda temas muito atuais, pois nem sempre as leis favorecem os inocentes, tem como ser mais atual que isto? Acho que o filme poderia ser bem melhor do que ele é, mas não tem como negar que o filme fica muito melhor da metade pro final e tem um ótimo desfecho.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

CÉU E INFERNO

Título Original: Tengoku To Jigoku
Diretor: Akira Kurosawa
Ano: 1963
País de Origem: Japão
Duração: 143min

Sinopse: Perto de resolver uma situação crítica em sua empresa, para a qual reservou uma grande quantia em dinheiro, o executivo de uma fábrica de sapatos descobre que seu filho foi raptado. O valor do resgate pedido pelos sequestradores se aproxima do dinheiro que tem em mãos para o seu negócio. Porém, quando resolve salvar a vida do filho, ele tem uma surpresa.

Comentário: Aqui vemos mais uma vez porque Kurosawa é mestre no que faz, um excelente filme em três atos que lembra muito aos filmes do Hitchcock. No primeiro ato temos um thriller psicológico onde vemos brilhar a atuação de Toshirō Mifune, no segundo ato temos um filme mais investigativo encabeçado pelo também ótimo ator Tatsuya Nakadai e por fim temos o desfecho. O filme é cumprido, talvez podia ter sido encurtado um pouco, tem horas que parece enrolar, mas está longe de ser cansativo, e se cai em alguns momentos, são momentos rápidos, na grande maioria o filme prende muito bem. Um filme que deveria ser mais conhecido dentro da carreira do Kurosawa.


segunda-feira, 27 de julho de 2015

O REVOLUCIONÁRIO

Título Original: Amakusa Shirô Tokisada
Diretor: Nagisa Ōshima
Ano: 1962
País de Origem: Japão
Duração: 100min

Sinopse: No ano de 1637, durante a era Tokugawa, na província de Shimabara, camponeses cristãos oprimidos se revoltam contra o xogunato com a ajuda de um carismático líder rebelde cristão: Shiro Amakusa.

Comentário: O filme é bom, mas falta algo, uma linha que unisse melhor a narrativa e não deixasse tudo tão solto e aberto. Tem cenas fantásticas, mas tem outras que não precisavam estar ali. O filme não tem um ápice, você fica esperando por ele, mas ele nunca vem, quando o negócio parece que vai estourar, vem uma cena cortando o ápice e o desfecho acaba sendo uma dessas cenas cortando o ápice que estava por vir. Nagisa Ōshima é um grande diretor e dá pra perceber aqui que sem ele o filme perderia muito o que consegue conquistar. Não é o melhor dele, mas também não é o pior. Recomendo só pros fãs do diretor ou de filmes japoneses históricos.


terça-feira, 7 de julho de 2015

O TESTE DO CARRO PRETO

Título Original: Kuro No Tesuto Kaa
Diretor: Yasuzo Masumura
Ano: 1962
País de Origem: Japão
Duração: 95min

Sinopse: Duas companhias automotivas rivais recorrem à espionagem para descobrir os detalhes e os preços dos novos carros esportivos que estão para lançar.

Comentário: Eu não sou muito fã dos filmes do Masumura, este é o terceiro dele que assisto e o que mais gostei, o que é estranho já que as pessoas que costumam gostar dele acham este o mais fraco. Gostei deste filme porque ele é despretensioso, cumpre bem o que se propõe a fazer e brinca com o telespectador em vários momentos pra culminar em um excelente final. O desfecho do filme é a cereja no bolo, mostra pra que o filme veio e consegue muito bem fazer com que haja uma ótima discussão sobre o assunto. A premissa do filme lembra bastante ao Projeto de Assassinato dirigido por Kihachi Okamoto no ano anterior, ainda prefiro ao filme anterior a este, mas vale a pena assistir este aqui também.


terça-feira, 30 de junho de 2015

SANJURO

Título Original: Tsubaki Sanjûrô
Diretor: Akira Kurosawa
Ano: 1962
País de Origem: Japão
Duração: 96min

Sinopse: Depois de superar todos os desafios do filme anterior, o samurai sem nome (Toshirô Mifune) une-se a um grupo de jovens idealistas que estão determinados a acabar com a corrupção que há em sua cidade. Porém, este cínico samurai está muito aquém dos conceitos ideais que esses jovens têm de um nobre guerreiro.

Comentário: Não acho que seja melhor que "Yojimbo, O Guarda-Costas", mas não fica muito longe. Akira Kurosawa volta a dirigir Mifune interpretando o samurai sem nome (que originou a trilogia do Sergio Leone transportada para o faroeste com o Clint Eastwood). O personagem é impagável, muito bom, gostaria de mais uns cinco filmes com ele. Kurosawa sempre magnânimo na direção. O filme é leve, tem partes engraçadas e uma boa história pra amarrar tudo. A cena final é ótima e a trilha sonora continua perfeita, como no filme anterior. Acho que faltou mais momentos de tensão, mas é a única crítica que consigo fazer ao filme.


sexta-feira, 5 de junho de 2015

ARMADILHA

Título Original: Otoshiana
Diretor: Hiroshi Teshigahara
Ano: 1962
País de Origem: Japão
Duração: 97min

Sinopse: Esforçado minerador vive à procura de emprego, conseguindo serviços rápidos em diversos locais. Aonde vai arrasta seu filho, criança silenciosa, acompanhante de todos os seus passos. Certo dia, recebe a recomendação de uma mina e ao se guiar por um mapa vai parar num vilarejo abandonado, cujos habitantes fugiram sob o perigo de um desabamento. Nesse estranho lugar apenas uma mulher ficou. Aguardando notícias de seu amante desaparecido. Nenhum deles sabe que o lugar permanece assombrado por espíritos de pessoas mortas... Continuando à procura da mina, o homem passa a ser perseguido na desértica região por uma misteriosa figura vestida de branco com uma mala de couro.

Comentário: É um filme bem legal, a história em si te prende muito bem, mas me pareceu que ficou com vários pontos onde poderia haver um melhor desenvolvimento. O próprio personagem da criança, observadora e silenciosa, ficou perdida durante o filme. Mas a trama geral eu gostei bastante e tem cenas muito fodas primorosas. Gostei do desfecho, pode parecer broxante para alguns, mas achei que ficou do jeito que tinha que ser, nada de contar tudo mastigadinho, te deixa pensando. Há muita simbologia e sacadas de coisas entre os mundos dos vivos e dos mortos que é muito legal. Recomendo. Um filme simples, com um elenco que trabalha muito bem junto e com uma direção bem competente. Depois de um tempinho que assisti e fiquei pensando, comecei a gostar mais dele.



sexta-feira, 22 de maio de 2015

EU ODEIO, MAS AMO

Título Original: Nikui Anchikusho
Diretor: Koreyoshi Kurahara
Ano: 1962
País de Origem: Japão
Duração: 105min

Sinopse: Daisaku é uma celebridade da mídia que vive um estranho romance com sua empresária, Noriko. Insatisfeito com a vida que leva, resolve largar tudo para cumprir um pedido encontrado no jornal, o de levar um velho jipe para um remoto povoado da ilha de Kyushu.

Comentário: Estava com um pé atrás, já que o único filme que havia assistido do diretor anteriormente não tinha me agradado (Os Deformados), mas eu simplesmente amei o filme. A direção é simplesmente espetacular desde o começo, a maneira em que tudo se desenvolve é perfeita e o final é fodásticamente de tirar o fôlego. O desenvolvimento dos personagens como da própria relação entre eles leva o filme em um ritmo crescente. Diálogos bem trabalhados e situações divertidas que fazem a gente pensar na própria vida e em relacionamentos passados, presentes e futuros. Atuações ótimas e Ruriko Asaoka mais linda do que nunca. Talvez um dos melhores filmes japoneses do ano, só espero que os próximos trabalhos do Kurahara não oscilem tanto como esses dois filmes que assisti.


segunda-feira, 4 de maio de 2015

HUMANO

Título Original: Ningen
Diretor: Kaneto Shindō
Ano: 1962
País de Origem: Japão
Duração: 116min

Sinopse: O barco Netuno fica à deriva após uma violenta tempestade. O desespero dos quatro tripulantes aumenta quando a comida e a água terminam.

Comentário: Quando comecei o Projeto Oráculo Alcoólico não imaginava que o cinema japonês iria me surpreender tanto, Kaneto Shindō foi talvez a melhor surpresa de todas com seu A Ilha Nua. O título Humano é tradução de como o filme foi lançado nos Estados Unidos, pois Ningen (pelo que pesquisei) seria uma espécie de monstro marinho específico da cultura japonesa. Talvez seja uma analogia dos personagens perdendo seu lado humano e virando criaturas do mar, enlouquecendo, perdendo sentimentos e valores. O capitão Kamegoro parece ser o único humano que resta no barco, japonês integro, fiel aos seus valores. Quando faltava uma hora para acabar o filme, pensei: "Como o diretor vai sustentar essa situação e prender nossa atenção?". A verdade é que o diretor sustenta muito bem, o filme me deixou extremamente nervoso, do começo ao fim. A cena da tempestade no início do filme é de roer as unhas. Outro grande filme do diretor.


sexta-feira, 10 de abril de 2015

CAMINHADA SEM DESTINO

Título Original: Hourou-Ki
Diretor: Mikio Naruse
Ano: 1962
País de Origem: Japão
Duração: 123min

Sinopse: Baseado na vida e carreira de Fumiko Hayashi, a romancista cujo trabalho Mikio Naruse adaptou várias vezes para a tela. Da infância à vida adulta, Fumiko enfrenta uma pobreza amarga. Tendo que trabalhar apenas para comer e ajudar os pais, ela espera o reconhecimento literário. 

Comentário:  Como todos os filmes que já assisti do Mikio Naruse, este não foge a regra, é muito bom. Hideko Takamine interpreta muito bem a escritora, consegue passar aquele olhar de amargura mesmo quando está sorrindo. Achei que o filme cansa um pouco, mas o melhor é na reflexão de vida que acaba trazendo junto. Porque muitas vezes afastamos pessoas que nos fazem bem e insistimos em manter relações que nos fazem mal? Fumiko Hayashi parecia perita no assunto. Com o desfecho e o pouco que aparece da velhice da escritora, ficou um gosto amargo na boca, como se ela tivesse se tornado uma pessoa rancorosa e esquecido vergonhosamente de onde realmente veio, mas pode ter sido uma impressão errada que eu tive. Dos três filmes que assisti do diretor, este foi o que menos gostei, mas é um filme forte e que vale a pena. O filme é baseado na própria autobiografia da escritora.