segunda-feira, 14 de setembro de 2015

TERRA DE UM SONHO DISTANTE

Título Original: America America
Diretor: Elia Kazan
Ano: 1963
País de Origem: EUA
Duração: 168min

Sinopse: No final do século XIX um homem cresce em um pequeno povoado na Turquia como membro da minoria grega. Quando a opressão por partes dos turcos aumentou, seu pai o enviou para Constantinopla, onde se esperava que ele ganhasse dinheiro para unir a família. No entanto o jovem sonha em ir para a América.

Comentário:  Está longe de figurar entre as maiores obras do diretor, o filme é cheio de estereótipos e nitidamente feito para agradar o público americano. A mulher com cidadania americana que ele conhece não retrata em nada as mulheres do final do século XIX, colocaram características de uma mulher independente dos anos sessenta nela, e estas coisas permeiam todo o filme se você prestar atenção. No começo do filme já sabemos que ele vai conseguir chegar nos Estados Unidos, então não é spoiler, mas tudo no filme é muito bonito, tudo muito irreal, quando a realidade de que muito provavelmente ele comeu o pão que o diabo amassou nos Estados Unidos também é melhor varrer pra baixo do tapete. O personagem é completamente irresponsável, ingênuo e maquiavélico até certo ponto. O filme é longo demais, poderia ter uns trinta minutos a menos. Um bom filme, com uma excelente direção (nesse quesito é difícil o Kazan decepcionar), mas muito aquém dos filmes do diretor. Sem querer entrar em polêmica, mas parece um filme em que Kazan tenta aliviar a própria consciência depois de ter trocado a alma por uma piscina (como disse Orson Welles), querendo dar uma desculpa ou deixando o público cair no velho ditado "Os Fins Justificam os Meios" de uma maneira um pouco enfadonha.


O MUNDO FABULOSO DE BILLY LIAR

Título Original: Billy Liar
Diretor: John Schlesinger
Ano: 1963
País de Origem: Inglaterra
Duração 98min

Sinopse: Um jovem rapaz vive sonhando e inventando histórias para se enganar de sua própria vida monótona, fingindo ser um herói. Mas com tantas mentiras, acaba ficando desacreditado, e tem uma chance única de recomeçar sua vida, ou continuar a se enrolar cada vez mais.

Comentário: Parece que eu não sou muito fã dos filmes do diretor, este é melhor o que o anterior que assisti (Ainda Resta Uma Esperança), apesar de tentar retratar as coisas com realismo, pra mim várias cenas soam de maneira falsa. Novamente não tenho nenhuma crítica com a direção e atuações, mas a narrativa que é cheia de entraves, os momentos de carga sentimental não tem sentimento, é tudo muito falso, como disse anteriormente. Como este é melhor que o anterior, vamos ver se o diretor consegue ir fazendo um filme melhor do que o outro, mas no geral achei um filme bem dispensável. Não entendo as traduções de filmes no mercado nacional, o título com Billy Liar no nome fica completamente sem sentido, já que o nome do personagem é Billy Fisher, teria muito mais coerência deixar o título nacional com o "Billy Mentiroso" no nome.


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

VIAGEM AO FIM DO UNIVERSO

Título Original: Ikarie XB-1
Diretor: Jindřich Polák
Ano: 1963
País de Origem: Checoslováquia
Duração: 83min

Sinopse: No ano de 2163 a nave Ikarie XB-1 é enviada para o misterioso "Planeta Branco" em órbita da estrela Alpha Centauri. Durante o voo, a equipe deve se adaptar à vida no espaço, bem como lidar com vários perigos que encontram, incluindo uma nave espacial abandonada do século XX, armado com armas nucleares, uma mortal e radioativa "estrela negra", e o colapso mental de um dos membros da tripulação que ameaça destruir a nave espacial.

Comentário: Baseado no romance de 1955 Oblok Magelana (A Nuvem de Magalhães), do autor de ficção científica polonês Stanislaw Lem, o filme cumpre o que promete, quanto a isso não resta dúvida, mas é inegável o fato de que ele tenha envelhecido um pouco mal. Vemos algumas coisas que simplesmente não batem, a festa e comportamento é típico dos anos sessenta: será que achavam que os anos sessenta iam durar até o ano de 2163 ou será que o que vemos é um revival dos anos sessenta em pleno século XXII? Quando acontece o nascimento de um bebê e vemos todos os astronautas abandonando os seus postos é impensável não pensar na falta de profissionalismo deles. Posso estar muito chato, estar muito crítico, mas é o tipo de filme que me ataca este lado sombrio meu. Mas o filme não é feito só de erros, há muitas partes ótimas, e como eu disse anteriormente, ele cumpre o que promete. Há várias cenas maravilhosas, os efeitos especiais são ótimos pra época, levanta questionamentos válidos até para os dias de hoje e alguns dizem que o Kubrick se baseou bastante neste filme para fazer o 2001 - Uma Odisseia no Espaço. É um filme que merece ser assistido, mas com os olhos dos anos 60. Vale destacar que é uma ficção científica bem mais adulta em comparação ao que era produzido no cinema americano, pode-se dizer que foi uma precursora de Star Trek, mas sempre lembrando que neste mesmo ano começou a série Doctor Who, que pra mim abordava temas bem elevados se compararmos filmes de ficção desta época.

A LISTA DE ADRIAN MESSENGER

Título Original: The List Of Adrian Messenger
Diretor: John Huston
Ano: 1963
País de Origem: EUA
Duração: 94min

Sinopse: Antes de viajar, o escritor Adrian Messenger pede a um amigo, Anthony Gethryn, que verifique uma lista de nomes. Quando o avião em que viajava explode no ar, a tarefa se torna mais séria. Enquanto Gethryn verifica a lista, descobre que as pessoas nela atreladas morreram em circunstâncias misteriosas. Com o auxílio de um sobrevivente do acidente aéreo, Gethryn tenta descobrir quem estaria por trás de todas as mortes.

Comentário: Não é o melhor filme do Huston, mas com certeza é um dos mais divertidos. Fiquei procurando os atores durante o filme e confesso que só o Robert Mitchum não me enganou, um excelente trabalho de maquiagem pra época. A história é muito boa, não fica devendo em nada pra nenhum filme noir. O filme é uma produção americana, apesar de se passar na Inglaterra e ter sido filmado lá, o ator principal (George C. Scott) consegue convencer muito bem como um perfeito inglês. A direção de Huston é sempre competente e mesmo este sendo um filme meio obscuro de sua filmografia, recomento, mesmo pra quem não é fã do diretor. A cena final parece tirada de um filme do William Castle.


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

OLHOS DIABÓLICOS / A GAROTA QUE SABIA DEMAIS

Título Original: La Ragazza Che Sapeva Troppo
Diretor: Mario Bava
Ano: 1963
País de Origem: Itália
Duração: 88min

Sinopse: Nora Davis viaja para Roma, onde ficará na casa de sua tia Edith. Infelizmente, já na primeira noite, Edith morre. Nora sai pela noite em busca de ajuda e acaba transformando-se em testemunha ocular de um assassinato. Sendo uma mulher jovem, com um apetite insaciável por literatura de crime e mistério, Nora não consegue fazer qualquer um acreditar em sua história. 

Comentário: Alguns dizem que é o melhor filme do Bava, não sei se concordo, o filme é muito bom, consegue criar um clima de tensão ótimo e manter um desenvolvimento excelente até o desfecho, mas acho que prefiro A Máscara de Satã. Tem alguns momentos, como a cena final que podemos ver um Bava brincalhão, que tira completamente toda a seriedade do filme, não sei se gostei disto. Mas vale dizer que este filme nos apresenta a melhor direção de Bava, tecnicamente é um filme perfeito, os enquadramentos, as cenas, é o diretor em sua melhor direção. As atuações são boas, nada demais, mas conseguiu me deixar tenso, no melhor estilo Hitchcock, e isto é que conta. O filme foi lançado com o título "Olhos Diabólicos" no Brasil (Talvez pra imitar o título americano que era Evil Eye), mas hoje é possível achar em alguns lugares com o título A Garota Que Sabia Demais.


A IMORTAL

Título Original: L'Immortelle
Diretor: Alain Robbe-Grillet
Ano: 1963
País de Origem: França
Duração: 101min

Sinopse: Um homem que se depara com uma mulher de identidade confusa em Istambul, uma história não-linear de inquietude obsessiva, o fantasma de uma sedutora vislumbrada no passado, fantasma nascido de uma empregada, de uma dançarina de cabaré e de uma imagem contemplada na entrada de uma mesquita - um quebra-cabeça mental.

Comentário: O filme é muito bom, não tem como não compará-lo com O Ano Passado em Marienbad, mas por pura coincidência, pois o diretor garante que terminou o roteiro do filme um pouco antes do famoso filme de Alain Resnais. A direção é impecável, o que chama a atenção, já que é o primeiro filme de Robbe-Grillet. O ator Jacques Doniol-Valcroze mostra que, além de bom diretor (ele dirigiu o filme Amor Livre), também é um bom ator, mas é Françoise Brion que rouba a cena. A atriz consegue criar uma personagem misteriosa, talvez sua beleza exótica tenha ajudado, mas é impressionante como o papel lhe caiu tão bem. O desfecho, pra mim, é a única coisa que impede o filme de fechar com nota máxima, mas não deixa de ser um baita filme. Segundo o diretor François Truffaut, que era amigo do diretor na época, o filme teve forte influência de Alfred Hitchcock, mais precisamente do filme Vertigo.


segunda-feira, 7 de setembro de 2015

IRMA LA DOUCE

Título Original: Irma La Douce
Diretor: Billy Wilder
Ano: 1963
País de Origem: EUA
Duração: 137min

Sinopse: Conheça Nestor (Jack Lemmon), um jovem com uma vida amorosa muito complicada. Contratado como "gerente de negócios" de Irma La Douce (Shirley MacLaine), uma orgulhosa e bem-sucedida prostituta, o pobre rapaz acaba apaixonado por ela! Mas como manter fiel uma parisiense tão popular como Irma?

Comentário: Billy Wilder reúne a mesma equipe de seu filme ganhador do Oscar (Se Meu Apartamento Falasse) e nos brinda com uma outra excelente comédia. O filme cativa, Shirley MacLaine está encantadora demais no filme, Jack Lemmon sempre surpreendendo com sua versatilidade. O filme tem umas partes que caem no absurdo, fica um pouco forçado, mas mesmo assim não deixa de ser muito acima da média. Não assisti aos filmes que concorriam como melhor atriz contra a Shirley MacLaine, mas posso dizer que ela era uma das concorrentes mais fortes ao prêmio, uma pena que não tenha ganhado por este papel. A direção, música, atuações, roteiro, tudo faz um filme leve, divertido e que entretém muito bem.


O LEOPARDO

Título Original: Il Gattopardo
Diretor: Luchino Visconti
Ano: 1963
País de Origem: Itália
Duração: 185min

Sinopse: Sicília, durante o período do "Risorgimento", o conturbado processo de unificação italiana. O príncipe Don Fabrizio Salina (Burt Lancaster) testemunha a decadência da nobreza e a ascensão da burguesia, lutando para manter seus valores em meio a fortes contradições políticas.

Comentário:  Tecnicamente o filme é perfeito, as atuações são soberbas, mas no geral o filme é bem arrastado e enche um pouco o saco sim, afinal são três horas onde tudo é muito sutil, muito parado e registra uma momento histórico muito específico da Itália, que pra quem não estiver situado pode se sentir meio perdido. De resto o filme é brilhante, as metáforas sobre a queda da realeza italiana é trabalhado de maneira perfeita, não sei se daria a Palma de Ouro para o filme, Harakiri estava concorrendo no mesmo ano e ganhou o Prêmio do Juri, eu acho que dava a Palma de Ouro pro filme japonês. Mas pensando em toda a parte técnica e no trabalho do Burt Lancaster (Que tem se tornado cada vez mais meu ator preferido junto com o Mastroianni), podem premiar o filme sim, mesmo ele sendo meio difícil de assistir. Luchino Visconti filmava a mesma cena com umas três câmeras pra deixar os cortes na edição mais realistas, o cara era muito foda no que fazia, mas este está longe de ser seu melhor filme.


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

CÉU E INFERNO

Título Original: Tengoku To Jigoku
Diretor: Akira Kurosawa
Ano: 1963
País de Origem: Japão
Duração: 143min

Sinopse: Perto de resolver uma situação crítica em sua empresa, para a qual reservou uma grande quantia em dinheiro, o executivo de uma fábrica de sapatos descobre que seu filho foi raptado. O valor do resgate pedido pelos sequestradores se aproxima do dinheiro que tem em mãos para o seu negócio. Porém, quando resolve salvar a vida do filho, ele tem uma surpresa.

Comentário: Aqui vemos mais uma vez porque Kurosawa é mestre no que faz, um excelente filme em três atos que lembra muito aos filmes do Hitchcock. No primeiro ato temos um thriller psicológico onde vemos brilhar a atuação de Toshirō Mifune, no segundo ato temos um filme mais investigativo encabeçado pelo também ótimo ator Tatsuya Nakadai e por fim temos o desfecho. O filme é cumprido, talvez podia ter sido encurtado um pouco, tem horas que parece enrolar, mas está longe de ser cansativo, e se cai em alguns momentos, são momentos rápidos, na grande maioria o filme prende muito bem. Um filme que deveria ser mais conhecido dentro da carreira do Kurosawa.


CHARADA

Título Original: Charade
Diretor: Stanley Donen
Ano: 1963
País de Origem: EUA
Duração: 113min

Sinopse: Em Paris a americana Regina Lambert (Audrey Hepburn), que recentemente ficou viúva, tenta entender que tipo de vida o marido levava e onde podem estar escondidos os US$ 250 mil que muitos acreditam estar com ela.

Comentário: Stanley Donen se redimiu depois do péssimo Do Outro Lado, O Pecado, este é um ótimo filme. O grande trunfo do filme é o fato dele não se levar a sério, conseguindo assim ser um filme de suspense, mistério, reviravoltas, ação e principalmente uma comédia. Cary Grant consegue um de seus melhores papéis, e sua química com Audrey Hepburn está excelente. O restante do elenco complementa e engrandece o filme. Se estiver procurando um filme descompromissado por puro entretenimento, este é um dos melhores nesse sentido. Em meio a tantas produções atuais que trata o telespectador como um completo retardado, podemos ver aqui que é possível fazer filmes completamente comerciais de alto nível, são filmes como este que estão faltando em Hollywood.