segunda-feira, 24 de outubro de 2016

LADY MACBETH SIBERIANA

Título Original: Sibirska Ledi Magbet
Diretor: Andrzej Wajda
Ano: 1962
País de Origem: Iugoslávia
Duração: 88min

Sinopse: No que pode ser chamado de noir Russo-Shakespeariano, um caso de adultério de uma mulher com um andarilho põe em movimento uma reação em cadeia de assassinatos e mentiras em um remoto vilarejo na Mtsensk do século 19.

Comentário: Com a recente morte do diretor Wajda, fiz questão de postar mais um filme dele por aqui. Este é um filme mais simples, porém bem intenso e com cenas incrivelmente bem dirigidas (citar a cena deles correndo na carroça ou dela lavando a escada só pra ficar em dois exemplos). Com várias referências Shakespearianas e com um elenco que se entrega muito bem ao papel, Wajda consegue nos brindar com outro filme muito bom, de produção iugoslava, fora de sua Polônia, não parece se intimidar em cutucar e provocar o telespectador, coisa que adorava fazer. Aquele típico filme que o personagem vai fazendo tanta cagada que uma hora você sabe que vai dar merda, roí todas as minhas unhas. Pode ser um filme bem menor do Wajda, se compararmos com sua filmografia, mas pra quem é fã acaba se tornando obrigatório também. Descanse em paz velho mestre.


UMA SAUDADE EM CADA ALMA

Título Original: Conspiracy of Hearts
Diretor: Ralph Thomas
Ano: 1960
País de Origem: Inglaterra
Duração: 113min

Sinopse: Freiras italianas na 2ª guerra mundial, durante a ocupação nazista, ajudam à contrabandear crianças judias através do convento para fora de um campo de concentração próximo. O oficial do exército italiano no comando suspeita do que pode estar acontecendo, mas deliberadamente faz vista grossa. Quando os alemães assumem a segurança do acampamento, as atividades das freiras tornam-se muito mais perigosas.

Comentários: O filme parece ser baseado em uma história real, mas pesquisando pela web descobri que não é, então achei bem interessante este clima que o diretor consegue captar de algo como "É, isto poderia ter acontecido!". Como italiano que sou, a primeira coisa que pensei foi "Este alemão idiota vai realmente achar que algum italiano vai se revoltar com uma freira? Sério mesmo?". O filme é muito bem feito, apesar de achar que no final fica um pouco embolado demais, mas no geral nos conduz muito bem durante todo o filme, o realismo que já comentei é bem impressionante. Parece ser um filme leve, e em algumas partes realmente é, mas ele vem com algumas voadoras surpreendentes quando não esperamos. Não é um filme indispensável, mas é um filme de qualidade que merece ser visto.


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

LANTERNAS VERMELHAS

Título Original: Ta Kokkina Fanaria
Diretor: Vasilis Georgiadis
Ano: 1963
País de Origem: Grécia
Duração: 130min

Sinopse: A história de várias prostitutas, seu dia a dia, pequenas alegrias, tragédias, amores e desilusões, vivendo sob o iminente perigo de que o governo grego decida fechar todos os bordeis, no porto de Pireu.

Comentários: O filme lembra um pouco o Adua e Suas Companheiras do realismo italiano, mas este se desenvolve um pouco melhor, que apesar de ter os seus dramalhões, consegue se controlar um pouco melhor que sua contraparte italiana. O elenco é ótimo, todas as garotas conseguem cativar o telespectador. A que eu estava mais torcendo é a que teve o final que menos gostei, talvez por isto o filme não tenha uma nota maior. A música composta por Stavros Xarhakos é maravilhosa e uma das melhores coisas do filme. Direção competente e um filme que passa voando, uma ótima reflexão para percebermos que por trás de cada ser humano reside um poço infinito de histórias e sentimentos.


O INTRUSO

Título Original: The Intruder
Diretor: Roger Corman
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 82min

Sinopse: A história retrata as maquinações de um racista chamado Adam Cramer (interpretado por William Shatner), que chega na pequena cidade fictícia do sul de Caxton, a fim de incitar a violência racial de moradores contra a minoria negra da cidade.

Comentários: Um ponto fora na curva da filmografia de Roger Corman, mas um tiro direto no alvo, talvez o melhor filme de toda a sua filmografia. O filme assusta pelo infeliz fato de continuar sendo atual, mostrando que o ser humano continua tão pequeno e ridículo como há mais de cinquenta anos atrás. William Shatner em um papel anterior ao Capitão Kirk, de Jornada nas Estrelas, demonstra talento, e consegue surpreender em um filme que coloca como protagonista o vilão que serve de espelho pro que há de pior na humanidade. Adoro os filmes do Corman, mas depois de ver este, penso que gostaria de ver ele saindo mais da sua zona de conforto e se arriscando mais em filmes como este.


terça-feira, 30 de agosto de 2016

17 NINJAS

Título Original: Jushichinin no Ninja
Diretor: Yasuto Hasegawa
Ano: 1963
País de Origem: Japão
Duração: 98min

Sinopse: Um dos maiores Shoguns da história do Japão, Tokugawa Hidetada, está prestes a falecer e só tem 20 dias de vida. Seu filho Tokugawa Tadanaga faz um pacto com a maioria dos Daimyo de Edo no sentido de evitar que seu irmão Tokugawa Iemitsu se torne o terceiro Shogun. No entanto ele não contava com 17 ninjas Igas sobreviventes da batalha de Osaka e que agora prestam serviço ao Shogunato.

Comentários: É um filme legal, que acaba engrenando mais da metade para o final. O começo é meio esquisito, umas baixas já nos primeiros minutos deixa você meio sem saber o que esperar do filme. O negócio começa a pegar mesmo na metade. A história é bem feita e o filme consegue cumprir bem seu papel, a trilha sonora é boa e a direção também é competente. Umas interpretações meio forçadas, mas que é típica desses filmes, principalmente do ninja malvadão interpretado por Jûshirô Konoe. O filme teve uma sequência em 1965 (17 ninjas 2: A Grande Batalha) com alguns atores voltando aos seus papéis, mas com um diretor diferente.


GANGA ZUMBA

Título Original: Ganga Zumba
Diretor: Cacá Diegues
Ano: 1963
País de Origem: Brasil
Duração: 102min

Sinopse: No início do século XVI, alguns negros fugiram dos senhores portugueses e fundaram aldeias negras, como o Quilombo dos Palmares, o mais famoso. Ganga Zumba, neto do Rei dos Palmares, Zumbi, nasceu na senzala e vai tomando contato com a história das lutas e dos problemas de seu povo, ao fugir do cativeiro e tornar-se líder do Quilombo dos Palmares.

Comentário: Bem, o filme tem seus altos e baixos. Algumas cenas de Cacá Diegues são perfeitas, maestria total na direção. Há muitos erros históricos, já que Ganga Zumba antecedeu Zumbi dos Palmares, mas aqui Zumbi já é famoso e está velho enquanto Ganga Zumba ainda se encontra na fuga da senzala. Eliezer Gomes rouba as cenas em que aparece como o conselheiro Anoroba. Luiza Maranhão não tem destaque nenhum como Dandara e o filme se foca em apenas Ganga Zumba ainda novo fugindo para a liberdade. Antonio Pitanga está convincente, mas merecia ter mais destaque ao longo do filme, parece que está mais encanado em se envolver com rabos de saias do que com tudo o que está acontecendo ao seu redor. A cena final é maravilhosa e o filme tem seus momentos, mas no geral poderia ser muito melhor. Participação mais que especial do Cartola.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

NOS DOMÍNIOS DO TERROR

Título Original: Twice-Told Tales
Diretor: Sidney Salkow
Ano: 1963
País de Origem: EUA
Duração: 119min

Sinopse: Três histórias de terror baseadas nos escritos de Nathaniel Hawthorne. Na primeira história intitulada "A Experiência do Dr. Heidegger", Heidegger tenta restaurar a juventude de três amigos idosos. Em "A Filha de Rappaccini", Vincent Price interpreta um pai demente inoculando sua filha com veneno para que ela nunca saia de seu jardim de plantas venenosas. Na história final "A Casa das Sete Torres", a família Pyncheon sofre de uma maldição centenária e enquanto negociam sobre a herança, o irmão Pyncheon tenta escapar de sua sina.

Comentários: O filme começa com a melhor história, "A Experiência do Dr. Heidegger" é tudo o que estas histórias precisam ter, reviravoltas, ótimos diálogos, elementos fantásticos, enfim, prende muito bem. Em "A Filha de Rappaccini" pude voltar a ver a belíssima Joyce Taylor (que já havia comentado sobre na resenha de Atlântida - O Continente Perdido) que está ainda mais bela aqui. A história também é muito boa, Vincent Price assume um papel mais de coadjuvante aqui, deixando o casal jovem no protagonismo sem perder a pose. "A Casa das Sete Torres" é a história com mais clichês, mas eles funcionam muito bem para a história. O filme não fica devendo em nada para clássicos de Roger Corman ou William Castle, tudo funciona muito bem e Vincent Price está cada vez mais conquistando meu coração, é ótimo vê-lo em qualquer papel.




MINHA ESPOSA É UM SUCESSO

Título Original: Il Successo
Diretor: Mauro Morassi
Ano: 1963
País de Origem: Itália
Duração: 100min

Sinopse: Este filme conta a história de um homem casado de 38 anos que está vivendo o "boom" dos anos 60. Quando muitas pessoas na sua idade já estavam fazendo fortuna e vivendo nos mais altos padrões ele permanecia como assalariado de uma empresa imobiliária. Sua frustração continua crescendo desesperadamente na busca por algum dinheiro. Qual o preço que se paga para obtenção do sucesso financeiro? Vale a pena?

Comentário: O filme tem uma mensagem ótima, mas o seu desenrolar é massante, fica martelando sempre na mesma tecla e Gassman está meio que forçado demais no papel. Acho que o ritmo teria sido melhor se Dino Risi (que não sei porque está como não creditado por este filme no IMDB) tivesse sido o diretor, mas por algum motivo ele abandonou o projeto ou foi chamado pra tentar ajudar em algo. O título em português é patético, já que Anouk Aimée quase não aparece no filme, tudo bem que ela é um sucesso, qualquer um sabe disso, mas ficou meio estranho esse título traduzido. Trintignant estava indo bem no papel do amigo, mas parece que depois de um tempo foi deixado de lado. Tirando a mensagem final, algumas partes muito boas como a do personagem de Gassman com o amigo que dá golpes e alguns diálogos muito bons, o filme fica no regular. Nada demais, nada de menos.


terça-feira, 5 de julho de 2016

O RIO DA CORUJA

Título Original: La Rivière du Hibou
Diretor: Robert Enrico
Ano: 1962
País de Origem: França
Duração: 26min

Sinopse: Durante a Guerra Civil, homem está prestes a ser enforcado. Mas quando a plataforma está para derrubá-lo e quebrar seu pescoço, milagrosamente ele consegue escapar são e salvo para ter a chance de tentar continuar vivo.

Comentário: O média metragem (para os padrões brasileiros) é de uma maestria excelente, a direção de Robert Enrico é o que realmente chama a atenção aqui, a câmera parece dançar em alguns momentos, e o clima tenso da luta pela sobrevivência é pego de uma maneira que beira ao perfeccionismo. A duração curta é uma faca de dois gumes, acho que dava pra aproveitar mais uns vinte minutos fácil pra brincar com a história, principalmente pra contar de uma maneira até que superficial quem é o personagem central, mas funciona bem talvez exatamente porque não sabemos nada sobre ele. O final é excelente. Um "filme" que deveria sem sombra de dúvidas ser mais conhecido.


O AVENTUREIRO DO PACÍFICO

Título Original: Donovan's Reef
Diretor: John Ford
Ano: 1963
País de Origem: EUA
Duração: 104min

Sinopse: Na ilha polinésia de Haleakoloha vivem três veteranos da Segunda Guerra: Guns Donovan (John Wayne), Boats Gilhooley e o médico William Dedham, viuvo da princesa da ilha e com quem teve três filhos. Guns é dono de um bar, o Donovan's Reef, espécie de ponto de encontro para o trio. Certo dia descobrem que Amelia, filha do primeiro casamento de Dedham, está a caminho da ilha. Amelia, que nunca viu o pai, viaja com a intenção de impedi-lo de herdar uma fortuna familiar. Como primeira providência, Guns adota temporariamente as crianças mestiças do amigo. Baseado num conto de Edmund Beloin.

Comentário: Quem acompanha o Blog sabe que sou fã do Ford e do Wayne, quando se juntam é impossível sair algo ruim, mas este é um dos mais fracos de toda a parceria da dupla, porém não deixa de ser um dos mais divertidos. A direção de John Ford é sempre excelente e é desnecessário ficar jogando confete, a atuação do John Wayne é sempre competente e aqui não deixa de sair do esteriótipo que construiu para si ao longo de sua carreira. Achei que o papel de Lee Marvin poderia ser muito melhor aproveitado, mas serve só pra manter umas pancadarias no filme. Cesar Romero (O eterno Coringa) está ótimo no filme, consegue roubar algumas cenas. O filme diverte, está longe de ser uma obra prima, mas cumpre seu papel muito bem, envolve o telespectador muito bem também. Ótima pedida pra quem quiser assistir um filme leve por puro entretenimento.