quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

...E O VENTO LEVOU

Título Original: Gone With The Wind
Diretor: Victor Fleming
Ano: 1939
País de Origem: EUA
Duração: 233min
Nota: 10

Sinopse: Uma jovem sulista e manipuladora e um aventureiro oportunista se enfrentam em um romance turbulento enquanto a sociedade ao seu redor desmorona com o fim da escravidão e é reconstruída durante os períodos da Guerra Civil e da Reconstrução.

Comentário: Grande vencedor do Oscar e um clássico absoluto da história do cinema. Nunca havia assistido, pelo menos não inteiro, e simplesmente me apaixonei pelo filme. É grandioso! Simplesmente louco de pensar que Victor Fleming lançou ele no mesmo ano em que O Mágico de Oz. Clark Gable e Vivien Leigh estão deslumbrantes, as cenas são lindas demais e toda a construção de todos os personagens nos diz muito sobre o ser humano de um modo geral. Seria redundante eu ficar me estendendo demais. Fui perceber que casei com a Scarlett O'Hara só agora, quase tudo do jeito dela me faz lembrar minha esposa e em certos momentos fiquei preocupado (hahahahaha), só sei que só chamo ela agora de Sra. O'Hara. Um filme que precisa ser visto, um dos melhores que vi este ano todo. Sim, o filme tem problemas graves em retratar a escravidão, não dá para passar pano, mas é um filme da década de 30 e deve ser assistido como tal.



terça-feira, 10 de dezembro de 2024

O MUNDO DOS VAMPIROS

Título Original: El Mundo de los Vampiros
Diretor: Alfonso Corona Blake
Ano: 1961
País de Origem: México
Duração: 84min
Nota: 6

Sinopse: Um vampiro usa duas irmãs para cumprir seu plano de séculos atrás para se vingar do último membro de uma família que perseguiu os vampiros na Europa.

Comentário: O filme é legalzinho, serve muito bem para passar o tempo e mostrar que também se faziam filmes no México nos padrões de William Castle e Roger Corman. O elenco está bem, apesar do vilão interpretado por Guillermo Murray ser bem canastrão, acaba funcionando. Há cenas em que a direção chama a atenção bem positivamente, principalmente com os homens morcegos, há cenas belíssimas deles se movimentando pelas catacumbas. A relação de tudo com a música é outra coisa bem interessante, ainda mais pelo fato de que eu venho sofrendo há anos ouvindo todo dia a mesma droga de música no trabalho, então pode-se dizer que eu entendo o vampiro do filme, muito bem.



sábado, 30 de novembro de 2024

TUDO VAI MAL

Título Original: Subete ga Kurutteru
Diretor:Seijun Suzuki
Ano: 1960
País de Origem: Japão
Duração: 71min
Nota: 9

Sinopse: O jovem rebelde Jiro tem que lidar com um ambiente de crime e prostituição, e o impacto de suas escolhas nas relações pessoais: com a mãe, com o amante dela e com uma garota apaixonada por ele.

Comentário: Uma direção simplesmente perfeita, com um ritmo que vai ficando cada vez mais eletrizante e uma trilha sonora excepcional. Um filme que merece mais destaque, com certeza. Tamio Kawaji interpreta um dos personagens principais mais desprezíveis, mas que representa muito bem o embate geracional de uma geração completamente americanizada de um pós-guerra com a geração que vivenciou a guerra. Talvez haja uma crítica ao ocidentalismo que o Japão vinha sofrendo ao mesmo tempo que uma angústia da geração mais velha que não pode viver a liberdade, como é muito bem colocado. O desfecho, sem spoilers, parece cair em uma certa obsessão dos filmes da época. Todo o elenco está deslumbrante. Vale muito a pena conferir.



quarta-feira, 13 de novembro de 2024

ACONTECEU NAQUELA NOITE

Título Original: It Happened One Night
Diretor: Frank Capra
Ano: 1934
País de Origem: EUA
Duração: 105min
Nota: 10

Sinopse: Peter , um jornalista desempregado, encontra Ellie, a filha de um milionário que fugiu do iate de seu pai, pois este não aprova quem ela escolheu como marido. Peter vê a oportunidade de obter uma boa matéria, mas vários fatos criam uma forte aproximação entre eles.

Comentário: Primeiro filme a conseguir o feito de ganhar os cinco prêmios principais na premiação do Oscar. É realmente muito divertido de assistir, os atores estão fantásticos e tudo funciona perfeitamente bem, a química entre os personagens é contagiante. O que é estranho de se pensar já que Clark Gable foi obrigado pela MGM a fazer este filme meio que como um castigo por um caso que teve com a atriz Joan Crawford enquanto estava casado com sua segunda esposa. Claudette Colbert disse que era o pior filme que havia feito e reclamava constantemente nas gravações. A MGM colocou o filme em cinemas de segunda categoria porque não acreditava que fosse ser um sucesso, mas estavam errado. O filme foi o maior sucesso da produtora naquele ano. A história é simples e cheia de clichês, mas é o tipo de filme que faz falta em Hollywood hoje em dia, uma comédia romântica que não trata os telespectadores como idiotas.



domingo, 3 de novembro de 2024

VELAS ESCARLATES

Título Original: Alye Parusa
Diretor: Aleksandr Ptushko
Ano: 1961
País de Origem: Rússia
Duração: 83min
Nota: 7

Sinopse: Poética adaptação do conto de fadas de Alexander Grin. Após a morte da esposa, Longren, um marinheiro aposentado, vive em uma pequena aldeia de pescadores com a sua filha, Assol. Até que, a menina conhece um feiticeiro que lhe faz uma previsão: “...Quando um belo navio com velas vermelhas chegar, um nobre príncipe irá levá-la para longe daqui...” Os habitantes locais logo começam a fazer piadas sobre o acontecido, mas a jovem acreditava em milagres e esperou...

Comentário: Bela produção soviética sobre a esperança de que dias melhores virão. A história e seu desenrolar é um pouco inocente demais e torna o filme bastante previsível de tudo o que irá acontecer, porém é muito gostoso de assistir, uma típica história que poderia ser adaptada para um desenho Disney de sucesso, e que funciona para passar o tempo. Há uma crítica muito bem colocada a figura controladora do pai, um burguês cheio da grana que quer controlar a vida de seu filho, mas é quando o filho quebra essa corrente da família burguesa e vai viver em meio aos trabalhadores que sua vida floresce. Achei a forma como isto foi colocado muito bonita. A curta duração requer que tudo aconteça muito rápido, funciona, mas você acaba querendo ver mais sobre os personagens no filme. Tanto a direção de Aleksandr Ptushko quanto o roteiro seguem uma certa cartilha de filmes comerciais da época, nada que prejudique a assistida.



quarta-feira, 16 de outubro de 2024

M, O VAMPIRO DE DUSSELDORF

Título Original: M
Diretor: Fritz Lang
Ano: 1931
País de Origem: Alemanha
Duração: 109min
Nota: 10

Sinopse: Quando a polícia de uma cidade alemã não consegue encontrar um assassino de crianças, outros criminosos decidem ajudar na caçada humana.

Comentário: Finalmente assisti, eu até havia comprado em VHS quando era adolescente, mas foi um daqueles filmes que ficaram na fila por décadas. Intrigante que Fritz Lang tente manipular o espectador para humanizar o assassino, na tentativa de tirar-nos da turba que quer linchá-lo, justo o Sr. Lang que tinha em seu currículo a morte da primeira esposa (Lisa Rosenthal) como uma das mais mal explicadas da história do cinema, a qual muitos biógrafos concordam de que Lang a assassinou em 1921. Típico do assassino dizer que vive um tormento depois que é pego, pois até aquele momento ele me parecia muito bem, seu único tormento me parecia ser o medo de ser descoberto, talvez o mesmo que o diretor tinha. Não fui dissuadido a abandonar a turba, eu teria ido até as últimas consequências contra um assassino de crianças. Tirando o ser humano com valores bem duvidosos que era o diretor, como profissional do cinema era realmente um fenômeno, o filme te prende, tem um ritmo eletrizante e diálogos excelentes. Peter Lorre dá um show e é interessante ver Otto Wernicke interpretando o Inspetor Lohmann, papel que iria reprisar no O Testamento do Dr. Mabuse, filme que Lang faria na sequência deste. Filme obrigatório.


domingo, 6 de outubro de 2024

PRISÃO FEMININA

Título Original: Nedamatgah
Diretor: Kamran Shirdel
Ano: 1965
País de Origem: Irã
Duração: 10min
Nota: 8

Sinopse: Prisão Feminina narra a vida das prisioneiras e os problemas que suas famílias enfrentam para sobreviver. As entrevistas com as prisioneiras, assistentes sociais e professores servem como registro documental.
 
Comentário: Curta documental de um Irã pré revolução de 1979 onde é possível ver que nem tudo eram flores naquela época, inclusive há problemas muito similares com o Irã de hoje. As mulheres relegadas a segunda classe por uma sociedade que sempre teve um pé no fundamentalismo religioso. Cena de crianças nas prisões junto com suas mães são assustadoras para nossa sociedade de hoje. O filme é interessante mais como registro histórico, é verdade, mas também serve como diálogo, e muito, para a sociedade que construímos a partir deste passado que nos parece tão remoto. As coisas estão tão diferentes assim? Lógico que há diferenças, mas na espinha dorsal do problema, ainda estamos no mesmo lugar na minha opinião. Impressionante como o diretor consegue ser preciso e cirúrgico em apenas 10 minutos.



sexta-feira, 27 de setembro de 2024

A PECADORA

Título Original: Seven Sinners
Diretor: Tay Garnett
Ano: 1940
País de Origem: EUA
Duração: 86min
Nota: 9

Sinopse: Banida de vários protetorados dos EUA no Pacífico, uma artista de salão usa seus encantos de mulher fatal para cortejar políticos, militares, gângsteres, ralé, juízes e um médico de navio para atingir seus objetivos.

Comentário: Sempre quis ver e fui deixando para depois. Filmaço! Marlene Dietrich é a grande estrela aqui, Wayne é um mero coadjuvante. Um roteiro que dá alfinetadas no patriarcado a todo momento em pleno início da década de 40. Vemos aqui tudo o que podia ter sido melhor trabalhado em Gilda com Rita Rayworth (e ter visto esses filmes tão próximos um do outro foi uma feliz coincidência). Não há uma desconstrução da personagem de Dietrich em prol dos bons costumes, ela não muda para se adequar ao amor masculino de Wayne, e o mais revolucionário é que ele não quer que ela mude. O nível de aceitação dos padrões da personagem pelo público e pela história que está sendo contada é avassalador. O elenco de apoio ajuda muito a fazer tudo funcionar e ver Dietrich cantar é sempre um colírio para os olhos (assim como Rita em Gilda). Um dos grandes filmes da década e imensamente subestimado. Direção de Garnett é competente, mas é Dietrich que brilha imensamente aqui.



segunda-feira, 9 de setembro de 2024

GILDA

Título Original: Gilda
Diretor: Charles Vidor
Ano: 1946
País de Origem: EUA
Duração: 110min
Nota: 8

Sinopse: Um apostador contratado para trabalhar em um cassino de Buenos Aires descobre que a nova esposa de seu chefe é seu antigo amor.
 
Comentário: Indicado ao Grande Prêmio do Festival de Cannes (ainda não existia a Palma de Ouro nessa época). O filme é recheado de um machismo misógino que faz com que o filme não tenha envelhecido tão bem, portanto é preciso deixar isto de lado para aproveitar a sessão. Rita Hayworth está deslumbrante (falar mais sobre isso seria redundante), cativa e merecia uma indicação ao Oscar pela entrega ao papel, mas naquela época as indicações eram mais para papéis melodramáticos. Tive vários gatilhos da minha vida que não vêm ao caso, mas já cheguei a ter uma planta que cuidei por mais de vinte anos com o nome de Gilda por conta deste filme, enfim... demoraria demais para explicar aqui (hahahaha). Glenn Ford está ótimo, e a direção de Vidor é perfeita. Um filme, que mesmo com os defeitos para os padrões de hoje ainda é muito bom de se assistir, a nota continua alta.



quarta-feira, 4 de setembro de 2024

GENTE DO PÓ

Título Original: Gente del Po
Diretor: Michelangelo Antonioni
Ano: 1947
País de Origem: Itália
Duração: 11min
Nota: 7

Sinopse: Primeiro documentário de Michelangelo Antonioni, onde ele já revela seu estilo consistente em retratar a paisagem interior do homem em sua relação com a paisagem que o circunda. Aqui, o cineasta documentou a vida dos barqueiros e dos ribeirinhos do vale do rio Pó.

Comentário: Foi aqui que Antonioni se apresentou para o mundo como diretor, nesse curta documental de onze minutos. Foi filmado em 1943, mas devido a II Guerra Mundial em curso, foi editado somente em 1947, ano de seu lançamento. A música de Mario Labroca dispensa qualquer texto adicionado, as imagens são como poesia e a música combina muito bem com ela. Apesar do texto servir para contextualizar um pouco as coisas, achei que não era nem um pouco necessária. As imagens são lindíssimas, Antonioni já mostra aqui seu talento e todo o seu olhar técnico do que se tornaria dali em diante. Não há uma história, uma narrativa, mas mesmo assim cria-se uma atmosfera nostálgica e histórica.