terça-feira, 4 de agosto de 2015

TOCAIA NO ASFALTO

Título Original: Tocaia no Asfalto
Diretor: Roberto Pires
Ano: 1962
País de Origem: Brasil
Duração: 109min

Sinopse: A trama do filme se desenrola em Salvador e gira em torno de um político jovem e idealista que os adversários se esforçam por eliminar. Agildo Ribeiro, deixando de lado o humor, adota postura como o matador, vítima da consciência e do emblemático círculo fatal que o envolve, ao lado de Araçary de Oliveira, a namorada.

Comentário: Roberto Pires me surpreendendo de novo, depois de A Grande Feira, este filme é um tapa na cara da sociedade brasileira e não poderia ser mais atual. É triste ver que em mais de cinquenta anos nada mudou por aqui. Agildo Ribeiro está ótimo no filme e Araçary de Oliveira arranca suspiros. A única critica é que enquanto uma parte do elenco está ótima, outra parece amadora, com interpretações forçadas e estereotipadas. Adriano Lisboa faz um policial galhofa tosco pra caramba e Geraldo Del Rey tenta interpretar um mocinho sem perder seus vícios de interpretar vilões. Angela Bonatti está bem no papel e tenta ser uma Monica Vitti no meio da trama, sem pretensões ela até que consegue. A trama é muito boa, te envolve bem e apesar de alguns clichês o filme cumpre muito bem o que promete.


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O MUNDO PERDIDO

Título Original: The Lost World
Diretor: Irwin Allen
Ano: 1960
País de Origem: EUA
Duração: 97min

Sinopse: Professor Challenger irá liderar uma equipe de cientistas e aventureiros, para procurar em um lugar conhecido apenas por ele no interior da selva amazônica, que contém segundo ele dinossauros vivos da época Jurássica. Clássico da época de ouro dos filmes de dinossauros, com Michael Rennie e Claude Rains.

Comentário: Antes de qualquer crítica é preciso lembrar que é uma história escrita em 1912 e que esta adaptação foi feita em 1960. Quando o livro de Arthur Conan Doyle  foi lançado a selva amazônica era uma terra mítica e misteriosa, portanto é muito compreensível alguns estereótipos que o povo critica nos dias de hoje. O pessoal também fala mal dos lagartos reais fantasiados de dinossauros, mas pra mim, é aí que mora todo o charme do filme e que deve ter dado o tom de realidade pra época em que foi lançado, achei a ideia brilhante. No geral é um filme de aventura, clichê e com vários defeitos na narrativa, mas é divertido e deve ter feito a festa de muita criançada da época. O filme pode ter envelhecido um pouco mal, mas continua sendo uma ótima diversão. Irwin Allen foi um pioneiro em filmes fantásticos e de aventura, homem por trás de séries como Perdidos no Espaço e diretor do Viagem ao Fundo do Mar, que achei inferior a este aqui.


O VINGADOR DOS MARES

Título Original: Billy Budd
Diretor: Peter Ustinov
Ano: 1962
País de Origem: Inglaterra
Duração: 118min

Sinopse: Billy Budd, jovem marinheiro que encanta a todos com sua beleza e simpatia, é injustamente acusado de incitar um motim a bordo. Sem querer, ele precipita uma série de acontecimentos que conduzirão a um final trágico. Baseado no clássico da literatura mundial de Herman Meville, o filme é considerado uma das grandes adaptações literárias realizadas para o cinema.

Comentário: É muito difícil não fazer um filme excelente se você segue uma história escrita pelas mãos de Herman Melville. O filme é grandioso, envolvente, muito bem dirigido e com um elenco de primeira. A história é basicamente a mesma do livro, mas consegue cativar e envolver muito bem, mesmo quem já o tenha lido. Peter Ustinov prova, que além de grande ator, é um diretor muito competente também. O filme diz que introduz Terence Stamp nos cinemas como Billy Budd, mas o ator havia estreado como coadjuvante antes com o Mentira Infamante, mas o fato é que ele, já em seu primeiro ou segundo papel, demonstra que seria um dos grandes atores de seu tempo. O filme é muito atual na discussão que levanta entre justiça e leis, e prova que uma não está atrelada a outra, infelizmente. Robert Ryan rouba as cenas como Claggart e o veterano Melvyn Douglas também está muito bem como O Dansker. O filme foi traduzido para O Vingador dos Mares em uma clara referência ao navio em que se passa a história, chamado de Vingador. Recomendo!


quarta-feira, 29 de julho de 2015

OS DIAS SÃO NUMERADOS

Título Original: I Giorni Contati
Diretor: Elio Petri
Ano: 1962
País de Origem: Itália
Duração: 94min

Sinopse: Cesare é um solitário encanador romano. Um dia, viajando de bonde, ele testemunha a morte súbita, por ataque cardíaco, de um homem em sua idade. O evento deixa-lhe chocado e começa a pensar que seus dias estão contados. Dessa forma, ele começa a usar seu tempo para aproveitar a vida, saindo de seu trabalho, mas isso também começa a ser um problema.

Comentário: A ideia do filme é ótima, quem não vai se identificar com o personagem principal? A mortalidade e a auto análise da própria vida faz parte de todo o ser humano. A critica ao trabalho é visível, mas o pé no chão do roteiro não permite que tudo seja festa. Achei que o filme poderia ser melhor, na reta final ele quase se perde, fica cansativo e fica um pouco repetitivo. O desfecho faz com que fique pensando em muitas coisas e a ideia do filme fica bem aberta ao telespectador, mas ainda assim achei que o diretor não conseguiu atingir o potencial que o filme poderia ter tido. O filme me lembrou um pouco O Carrinho, nas duas películas os atores principais são o que mais vale a pena. Acima da média, mas nada espetacular também.


O HOMEM DE ALCATRAZ

Título Original: Birdman Of Alcatraz
Diretor: John Frankenheimer
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 148min

Sinopse: Um prisioneiro condenado pelo assassinato de dois homens passa a vida na cadeia. Lá se torna um autodidata sobre pássaros, sendo reconhecido mundialmente como uma grande autoridade no assunto. Mas, apesar de ser reconhecidamente uma pessoa regenerada e dotada de um intelecto superior, o Estado se recusa a libertá-lo.

Comentário: O filme é a maior critica ao sistema penitenciário americano (e porque não mundial?) já produzido por Hollywood. Entrou fácil nos meus favoritos e é com muito orgulho que ele vem pra marcar o centésimo filme americano comentado aqui no blog. A história é forte, a direção competente e com o excelente elenco não tinha como não ficar perfeito. Não esperava nada do filme e me pegou de uma maneira arrebatadora: a relação entre os personagens, o peso de saber que é uma história real e a duração do filme que passa num flash, Burt Lancaster sabia mesmo escolher os filmes que fazia, só tenho assistido pérolas dele. Por incrível coincidência estou lendo o livro Vigiar e Punir, do Michel Foucault, e é triste perceber que o sistema penitenciário, em sua maioria, não quer reabilitar o prisioneiro e age de uma maneira que beira à vingança cega de um vigilante sedento por sangue. Nesta mesma semana os deputados vetaram um projeto de lei que obrigaria o ensino médio obrigatório nos presídios, aqui mesmo no Brasil, mas pra que dar educação se você pode fazer a máquina punitiva dos presídios funcionar tão bem, né? Se você é dessas pessoas cheias de ódio e discurso vazios de "bandido bom é bandido morto", assista este filme, talvez mude sua cabecinha. Se você é contra o sistema carcerário como é regido na maioria dos países (sorte que existe a Suécia, Finlândia e alguns outros países pra serem exceção), assista também, porque é um puta de um filme bom!


segunda-feira, 27 de julho de 2015

79 DA ESTAÇÃO

Título Original: 79 af Stöðinni
Diretor: Erik Balling
Ano: 1962
País de Origem: Islândia
Duração: 82min

Sinopse: Ragnar Sigurðsson deixou a vida com sua família numa fazenda e agora trabalha como taxista na Reykjavík do início dos anos 60. Depois de conhecer, por acaso, uma bela moça chamada Guðríði Faxen (conhecida como Gógó), ele acaba se interessando por ela e espera que os dois tenham uma vida feliz juntos. Os dois, antes consumidos pela solidão, agora vivem um romance feliz. Mas Gógó considera-se uma alma perdida e possui um fato em sua vida do qual Ragnar não está ciente.

Comentário: O filme foi um tremendo sucesso na Islândia na época em que foi lançado, assistido por aproximadamente um terço de toda a população do país. Baseado no romance de Indriði Guðmundur Þorsteinsson, toca em vários assuntos, é um filme sobre solidão, sobre tentar a vida na cidade grande, sobre pré julgamentos e tantas outras coisas. O filme engrena e se arrasta em vários momentos, se desenvolve e cria uma trava ao mesmo tempo. O personagem principal é carismático e tão complexo que é difícil não julgar a garota por quem está apaixonado (conhecida como Gógó, que leva nome ao título em inglês: The Girl Gogó, mas preferi traduzir o filme direto do original). Os atores trabalham bem, mas a cena de sexo é tão triste e falsa quanto a máscara que Gógó veste no começo do filme. A mudança dos personagens ao longo do filme é o que vale mais.


O REVOLUCIONÁRIO

Título Original: Amakusa Shirô Tokisada
Diretor: Nagisa Ōshima
Ano: 1962
País de Origem: Japão
Duração: 100min

Sinopse: No ano de 1637, durante a era Tokugawa, na província de Shimabara, camponeses cristãos oprimidos se revoltam contra o xogunato com a ajuda de um carismático líder rebelde cristão: Shiro Amakusa.

Comentário: O filme é bom, mas falta algo, uma linha que unisse melhor a narrativa e não deixasse tudo tão solto e aberto. Tem cenas fantásticas, mas tem outras que não precisavam estar ali. O filme não tem um ápice, você fica esperando por ele, mas ele nunca vem, quando o negócio parece que vai estourar, vem uma cena cortando o ápice e o desfecho acaba sendo uma dessas cenas cortando o ápice que estava por vir. Nagisa Ōshima é um grande diretor e dá pra perceber aqui que sem ele o filme perderia muito o que consegue conquistar. Não é o melhor dele, mas também não é o pior. Recomendo só pros fãs do diretor ou de filmes japoneses históricos.


sexta-feira, 24 de julho de 2015

O MILAGRE DE ANNE SULLIVAN

Título Original: The Miracle Worker
Diretor: Arthur Penn
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 102min

Sinopse: A incansável tarefa de Anne Sullivan (Anne Bancroft), uma professora, ao tentar fazer com que Helen Keller (Patty Duke), uma garota cega e surda, se adapte e entenda (pelo menos em parte) as coisas que a cercam. Para isto entra em confronto com os pais da menina, que sempre sentiram pena da filha e a mimaram, sem nunca terem lhe ensinado algo nem lhe tratado como qualquer criança.

Comentário: Esse é daqueles filmes que te fisgam, que extrapolam todo o tipo de sentimento que vem de brinde quando se nasce humano. Vencedor de três Oscars: melhor diretor, melhor atriz para Anne Bancroft e melhor atriz coadjuvante para Patty Duke. Não tem muito o que dizer, é um filme obrigatório e que no final despertou lágrimas nos meus olhos, não por ser triste, mas sim por dar aquela renovada no otimismo do dia a dia. O filme é denso, claustrofóbico e pesado em vários momentos, mas tudo funciona perfeitamente bem. Fato curioso é que a atriz que vive a garota cega e surda, Patty Duke, fez o papel da Anne Sullivan em um remake de 1979. Um segundo remake ainda foi produzido pela Disney em 2000. O filme é um retrato cruel e esperançoso do ser humano, pode ser sombrio e iluminado, é o Yin e o Yang em todos os seus aspectos. Anne Bancroft foi uma das melhores atrizes de todos os tempos, merecia ter ganhado seu segundo Oscar em 1968, mas quem é que liga pra essas premiações vendidas de Hollywood?


OS 2 CORONÉIS

Título Original: I 2 Colonnelli
Diretor: Steno
Ano: 1962
País de Origem: Itália
Duração: 95min

Sinopse: Totó (1898 - 1967), o coronel italiano ironiza, mais uma vez, a II Guerra Mundial, especialmente o comportamento duplo da Itália neste confronto. O excelente ator canadense Walter Pidgeon (1897 - 1984), com um rigor “inglês” faz contraponto com a irreverência dos italianos. 

Comentário: O filme é muito bom, tão bom quando o outro que o diretor realizou com Totò (Totò Diabólico). O filme diverte e tem situações bem hilárias. A única critica fica pra retratação das mulheres gregas fazendo festa para os soldados italianos, tudo bem que é um filme italiano realizado pra italianos assistir, sem esquecer que é uma comédia que tenta fazer paródia de várias situações, mas não tem como esquecer que a ocupação nazista (que os italianos faziam parte) dentro do território grego foi uma das piores de toda a II Guerra Mundial, onde milhares de pessoas morreram de inanição e provavelmente muitas mulheres gregas eram estupradas por soldados italianos, então achei de mal tom a retratação neste sentido. Ignorando isso o filme é uma das melhores comédias de Totò. Walter Pidgeon meio apagadão, convence, mas não tem muito carisma aqui.



quinta-feira, 16 de julho de 2015

O SOL EM UMA REDE

Título Original: Slnko V Sieti
Diretor: Stefan Uher
Ano: 1962
País de Origem: Checoslováquia
Duração: 90min

Sinopse: "O Sol Em Uma Rede" explora o desenvolvimento dos romances de Fatjták, um fotógrafo amador, com a sua conterrânea Bela, e Jana, uma amante que ele conhece durante um trabalho temporário em uma colheita na zona rural. Esse triângulo amoroso fornece ao filme uma série de oposições: cidade e interior, intelectuais e trabalhadores, verdade coletiva e pessoal, realidade e representação - Todas apontando em direção à distinção entre verdade e mentira. No entanto, o filme não oferece uma resolução clara para todas as questões que levanta, demandando que o espectador tente resolvê-las por si mesmo.

Comentário: Hoje é dia de postar filmes com "Sol" no título (O Sol é para Todos), a única coisa que os dois tem em comum é criança rolando dentro de pneu e me deixar indagando porque diabos nunca fiz isto (pelo que me lembre). Este é um filme reflexivo, sem fórmulas prontas e de difícil compreensão para o telespectador que não está habituado com este tipo de narrativa. Pra mim, o filme se trata sobre amadurecimento, e em como as pessoas tem dificuldade de seguir em frente, e muitas vezes ficarem estáticas com suas obsessões (seja o personagem principal com sua obsessão por fotografias de mãos, seu amigo em pegar mulheres, o capataz que se recusa a pedir desculpas ou da mulher cega que se acostumou a fazer o papel de vítima). Alguns crescem, outros continuam em seus lugares acomodados por toda a vida, o protagonista parece disposto a crescer. O moleque que só toca a mesma nota da flauta, que diga-se de passagem tive vontade de enfiar a flauta no cu dele, parece também nunca avançar para o próximo passo. As belas mulheres da Checoslováquia roubam todas as cenas em que aparecem, só contribuem para o filme, Olga Salagová é simplesmente maravilhosa, longe deste estereótipo magrelo anoréxico "Angelina Jolie" que predomina no cinema mundial. A direção é muito bonita, as reflexões que ele trás são extensas, e para cada um o filme terá um significado diferente, mas só para quem estiver disposto a adentrar em sua proposta, que volto a repetir, não é das mais fáceis.