segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O DIA MAIS CURTO

Título Original: Il Giorno Più Corto
Diretor: Sergio Corbucci
Ano: 1963
País de Origem: Itália
Duração: 86min

Sinopse: Comédia italiana com os protagonistas Ciccio e Franco contando com a participação curta de vários atores conhecidos, muitos deles não creditados. Aborda a Primeira Guerra Mundial. O filme se propõe ser uma paródia da película O Mais Longo dos Dias.

Comentário: É um filme pastelão que tenta parodiar O Mais Longo dos Dias, porém achei bem chato. Os personagens principais são dois idiotas, da vontade de explodir os dois, um humor forçado que lembra aos quadros do Zorra Total. Participações especiais de atores de peso permeiam todo o filme e você fica caçando os astros, isto é legal, podemos ver o Walter Pidgeon se passando por Ernest Hemingway durante alguns segundos ou Anouk Aimée nos brindar com sua beleza rapidamente. Virna Lisi, sempre deslumbrante, tem um maior destaque durante todo o filme. Não tenho muita paciência pra comédias pastelões, pra quem gosta pode ser uma boa pedida.


O SENHOR DAS MOSCAS

Título Original: Lord Of The Flies
Diretor: Peter Brook
Ano: 1963
País de Origem: Inglaterra
Duração: 90min

Sinopse: Após um terrível acidente aéreo, um grupo de crianças vê-se perdido numa ilha deserta. Ao perceberem as dificuldades de socorro, os meninos unem-se para fazer frente ao medo e ao desespero. Mas a medida que se apossam da ilha, cresce um sentimento de competição e de luta pelo poder, que os divide em dois grupos. Ralph lidera um dos grupos e defende a pureza civilizada e a união, mas Jack não acredita em nada disso e cria uma facção de caçadores bárbaros, que acabam por entrar em guerra com Ralph. Estas mudanças transformam crianças normais em meninos cruéis, fazendo com que entrem numa guerra na qual o bem combate o mal, oferecendo uma cruel metáfora do selvagem que existe em todos nós. Esta assustadora aventura explora os recantos mais profundos e negros da alma humana.

Comentário: Tenho que confessar que estava esperando bem mais deste filme, por ser baseado na obra de William Golding, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, mas o filme é um pouco decepcionante, não que não seja fiel ao livro, mas não acho que consiga passar pra tela o que está no papel. Tem ótimas cenas, mas é só. A primeira hora se arrasta, vemos crianças no meio do mato, não da pra dizer que acontece muita coisa, pra então, na meia hora final tudo virar um pouco caótico. Peter Brook é um diretor fantástico, conseguiu filmar um longa fiel ao livro, mas infelizmente não achei que ele teve o mesmo efeito pro cinema. O Porquinho com seu óculos quebrado praticamente salva o filme.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

ATLÂNTIDA - O CONTINENTE PERDIDO

Título Original: Atlantis - The Lost Continent
Diretor: George Pal
Ano: 1961
País de Origem: EUA
Duração: 90min

Sinopse: Atlântida - O Continente Perdido retorna à lenda do continente desaparecido de Atlântida ao contar a história do jovem Demétrio, um pescador grego que resgata a bela Antília de um afogamento em mar aberto. A princesa da Atlântida então convence ao já apaixonado rapaz a retornar com ela ao seu estranho e glorioso reino. Lar de maravilhas e encantamentos, Atlântida também é um povo cheio de desejo e maldade, de ambições das conquistas ilimitadas, e isto acaba por levar a cidade a sofrer a vingança furiosa da própria Terra, desaparecendo em um colapso que a enterrou em um local até hoje desconhecido para o homem.

Comentário: Como não traçar uma comparação entre o filme anterior de George Pal? A Máquina do Tempo é um filme fantástico, este fica muito aquém, chega a ser bastante decepcionante até. O filme diverte, tem aquele ar de aventura dos filmes antigos, mas a comparação fica martelando o tempo todo. Sal Ponti (que aqui usa um pseudônimo de Anthony Hall) no papel principal está sofrível, foi um grande compositor de músicas, mas como ator não tinha muito talento. Joyce Taylor consegue ter uma ótima atuação como a princesa Antília, muito bela e competente, pena que nunca foi pra frente. Um filme bem razoável, daqueles que as crianças da época deviam esperar muita pra assistir na TV, tem seus momentos, mas nas mãos do diretor podia ter sido bem melhor.


A CARTA QUE NÃO SE ENVIOU

Título Original: Neotpravlennoye Pismo
Diretor: Mikhail Kalatozov
Ano: 1960
País de Origem: Rússia
Duração: 97min

Sinopse: Baseado no livro de Valery Osipov, conta a história de quatro geólogos à procura de diamantes na Sibéria. Depois de uma longa e cansativa jornada, eles finalmente encontram a mina tão procurada e a colocam num mapa. Mapa este que deverá ser enviado imediatamente à Moscou. Mas no dia certo os geólogos são surpreendidos pelo caos durante um incêndio na floresta.

Comentário: Confesso que esperava bem mais do filme, as imagens e a direção de Kalatozov são realmente o que vale, tem cenas maravilhosas, mas de resto o filme fica cansativo, se arrasta e não nos apresenta nada de novo, a velha mesma história dos sobreviventes passando um apuro em uma terra inóspita para sobreviver. Tatyana Samojlova arranca suspiros, sua personagem transborda simpatia, talvez por ser a única mulher passando por tantas privações a gente se apega a ela como um bibelô. Um filme que é aparentemente bem curto, mas acaba ficando cumprido, a velha propaganda pseudo comunista da antiga União Soviética fica batendo na mesma tecla o tempo todo e chega uma hora que enche o saco. Mas no geral é um filme bom, que atinge uma boa média. Nos créditos iniciais diz que o filme é de 1959, mas pelo IMDB (que é por onde sigo pras postagens de ano) o filme consta como data de lançamento o mês de maio de 1960 no Festival de Cannes e definitivamente só estreando oficialmente na União Soviética no dia 27 de junho de 1960, portanto qualquer dúvida sobre a data está respondida.


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

BOCCACCIO '70

Título Original: Boccaccio '70
Diretores: Mario Monicelli, Federico Fellini, Luchino Visconti & Vittorio De Sica
Ano: 1962
País de Origem: Itália
Duração: 205min

Sinopse: Inspirando-se no clássico Decameron, de Boccaccio, quatro grandes mestres do cinema italiano criaram uma comédia em quatro episódios sobre a mulher contemporânea: Renzo & Luciana de Mario Monicelli: A divertida história de um casal de operários que, para não perder o emprego, se casa escondido do chefe. As Tentações do Dr. Antonio de Federico Fellini: O grande Peppino De Filippo vive um moralista obcecado com a sensual mulher de um outdoor (Anita Ekberg). O Trabalho de Luchino Visconti: Romy Schneider é uma mulher que decide, de maneira muito criativa, vingar-se do marido infiel. A Rifa de Vittorio de Sica: Sophia Loren se oferece para ser prêmio de uma rifa.

Comentário: O primeiro capítulo dirigido pelo Monicelli é bem divertido, os atores estão muito bem e o "vilão" chefe da história consegue transmitir um asco como poucos, interessante notar que entre os roteiristas desta história está o incomparável Italo Calvino. O segundo capítulo dirigido pelo Fellini foi meu preferido, gosto muito do Peppino De Filippo, já estava na hora dele ter um papel de destaque nas mãos de um excelente diretor, e sair da sombra do Totò. Anita Ekberg está de estourar o coração. O terceiro capítulo dirigido pelo Visconti foi o que menos gostei, lógico que vale pela maravilhosa Romy Schneider e pela direção, mas é muito triste, destoa do resto da obra. O último capítulo dirigido pelo De Sica também é muito bom, Sophia Loren arrancando suspiros como sempre em uma história bem engraçada, com um desfecho que me agradou e desagradou ao mesmo tempo, mas não vou dar spoiler, mas tem horas que esses italianos são muito machistas.


O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA

Título Original: The Man Who Shot Liberty Valance
Diretor: John Ford
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 123min

Sinopse: Em 1910, o Senador Ransom Stoddard e sua esposa Hallie chegam numa pequena cidade para o funeral de Tom Doniphon (John Wayne). Entrevistado por um repórter, Stoddard conta a história de quando era advogado na cidade e desejava deter o terrível pistoleiro Liberty Valance por meio da lei. Doniphon, um respeitado caubói, insistia na validade da lei do revólver. Além das diferenças de estilo, Doniphon e Stoddard compartilhavam o interesse pela mesma mulher (Hallie, na época uma garçonete de saloon), além da mesma mesma vontade de acabar com a tirania.

Comentário: Um dos meus faroestes preferidos, tudo neste filme é perfeito, os personagens de Stewart e Wayne são tão bem construídos que é uma aula de interpretação. Poucas vezes podemos ver o John Wayne demonstrar tantos sentimentos diferentes em uma única cena, e aqui acontece de monte. A direção de John Ford é impecável, como sempre. Achei que assistir pela segunda vez estragaria várias coisas, lógico que não é a mesma coisa, mas o filme continuou a me agradar tanto quanto. Você pode torcer pros dois personagens ao mesmo tempo e saber que um deles vai acabar se dando mal, pois é sempre isto que acontece quando tem uma mulher no meio, e você vai sentir as dores do perdedor, pois afinal, quem nunca sentiu? Foi a primeira vez que os dois astros se encontraram em um filme, mesmo ambos já terem trabalhado diversas vezes com o diretor.



segunda-feira, 24 de agosto de 2015

CLÉO DAS 5 ÀS 7

Título Original: Cléo de 5 à 7
Diretora: Agnès Varda
Ano: 1962
País de Origem: França
Duração: 90min

Sinopse: Cléo, bela e cantora, espera o resultado de seus exames médicos. Da superstição ao medo, da rua de Rivoli ao Café do Domo, da frivolidade à angustia, de sua casa ao Parque Montsouris, Cléo vive 90 minutos únicos: seu amante, seu compositor, uma amiga modelo e um soldado de partida para Argélia lhe abrem os olhos para o mundo.

Comentário: Assisti pela segunda vez e cada vez gosto mais dele, é impressionante a simplicidade e o sentimentalismo que permeiam todo o filme. Corinne Marchand está ótima no papel principal e consegue cativar o espectador em uma linha crescente. Discordo de muitos comentários de que Cléo é uma garota mimada, talvez seja assim que ela aparenta no começo do filme, mas não vejo por aí, Cléo é uma mulher, com as mesmas inseguranças, sonhos, tristezas, medos, desejos, carências e tantas outras coisas, como qualquer outra mulher (ou como qualquer ser humano), por isto foi um filme tão importante dentro do feminismo no cinema. A única crítica fica para o pouco tempo em que Cléo e Antoine dividem a tela, você fica querendo mais quando o filme acaba. A música é belíssima e o curta apresentado no meio do filme (dirigido pela própria Varda um ano antes) serve como alegoria para o próprio filme em si.


A EXPEDIÇÃO

Título Original: Abhijaan
Diretor: Satyajit Ray
Ano: 1962
País de Origem: Índia
Duração: 148min

Sinopse: Narsingh é um taxista orgulhoso e irascível, com uma paixão por seu carro, um Chrysler da década de 30. Um dia atreve-se a ultrapassar o carro de um poderoso chefão da cidade, que lhe tira a licença para dirigir. É obrigado então a se refugiar em um pequeno povoado na fronteira dos estados de Bengala e Bihar. Sukharam, um desonesto comerciante, lhe oferece um ótimo emprego para transportar mercadoria, e logo Narsingh está envolvido com o tráfico de ópio. Este é o ponto inicial de uma movimentada e interessante história.

Comentário: Não havia gostado do filme que havia assistido do diretor (A Deusa) e tenho que confessar que estava com receio de perder mais duas horas e meia com um filme dele, porém este filme se mostrou muito superior e muito mais do meu agrado. Os personagens sã formidáveis, complexos e conseguem cativar o telespectador. A primeira hora passa voando, você nem vê. A música, composta pelo próprio Satyajit Ray, é ótima. Há algumas partes arrastadas, mas o resultado final do filme é muito bom, o desfecho também caiu muito bem e a direção é extremamente competente, assim como as atuações.Tem horas que você tem certeza que vai acontecer uma coisa, mas a história vai pra outro lado, e foi isto que mais gostei no filme, ele não é nem um pouco previsível. Dizem que a primeira impressão é a que fica, quanto ao diretor, fico com a segunda impressão que foi bem melhor.


sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O FALSO TRAIDOR

Título Original: The Counterfeit Traitor
Diretor: George Seaton
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 141min

Sinopse: Willian Holden interpreta um executivo sueco, Erick Ericksson, de origem americana que, aceitando ser agente duplo para os Aliados, finge-se de simpatizante dos nazistas visando ganhar-lhes a confiança e ter livre acesso à Alemanha, para onde viaja rotineiramente a pretexto de fazer negócios.

Comentário: O filme é baseado em uma história real de um executivo que acaba virando espião durante a II Guerra Mundial, é um baita filme, que muda de ritmo a todo momento, e quando parece que vai deixar a peteca cair, se segura muito bem. William Holden sempre muito bem, consegue levar o filme nas costas quase que sozinho, tem algumas cenas que caem no clichê, mas não conseguem atrapalhar em nada o desenvolvimento do filme. Detalhe para as participações de Hugh Griffith no papel de Dallas, consegue cativar o telespectador nos poucos momentos em que aparece. Por ser um filme americano tem aquela coisa de todo mundo falando inglês com sotaque na Alemanha, e isso sempre me incomoda. O filme tem ação, romance, drama, suspense... enfim, de tudo um pouco. Ótimo como entretenimento e bem legal como reflexão.


MUNDO CÃO

Título Original: Mondo Cane
Diretores: Franco E. Prosperi, Gualtiero Jacopetti & Paolo Cavara
Ano: 1962
País de Origem: Itália
Duração: 108min

Sinopse: Filmado em vários rincões do mundo, este épico referencial explora a cultura da vida e da morte, a agonia dos homens e das feras, os tabus do sexo, e das religiões, a transformação da civilização doentia em barbárie. Algumas vezes belo, frequentemente horripilante e ainda surpreendente, mantém-se um dos mais perturbadores e controversos filmes de todos os tempos.

Comentário: Como documentário o filme é uma piada de muito mal gosto, conseguiu enganar várias premiações, já que foi indicado ao Palma de Ouro em Cannes. Os diretores inventaram várias cenas e ele é todo ensaiado, tem costumes que aparecem no filme que nem existiam, foi considerado o primeiro Shockumentary da história (um estilo de filme que parece um documentário, mas não é), mas o grande problema é que quando foi lançado o estilo ainda não existia e venderam o filme como inteiramente real. Há cenas fortes e que incomodam, como o abatimento de porcos e a decapitação de bois. As cenas ensaiadas são visíveis, talvez por isso o suposto documentário não foi indicado ao Oscar na categoria documentário, só foi indicado como melhor música. A parte é o que salva o filme, há cenas muito bem dirigidas, a música é realmente fantástica e só. Vale lembrar que o filme Nanook - O Esquimó de 1922 teve cenas ensaiadas também, mas tudo porque as cenas documentais que o diretor Robert J. Flaherty havia gravado foram perdidas em um incêndio. O artista Yves Klein, que aparece no documentário, teve um ataque cardíaco assistindo ao filme quando estreou em Cannes e veio a falecer alguns meses depois. É interessante assistir por curiosidade, mas acho um tremendo exagero ele estar na lista de 1001 filmes pra se assistir antes de morrer, pois considero documentários uma coisa muito séria, tem que ter um compromisso muito importante com a verdade, não curto esse estilo shockumentary que surgiu daí.