quarta-feira, 30 de setembro de 2015

A VISITA

Título Original: La Visita
Diretor: Antonio Pietrangeli
Ano: 1964
País de Origem: Itália
Duração: 106min

Sinopse: Pina e Adolfo, dois solitários que se conheceram pelos classificados de um jornal, encontram-se, nutrindo a esperança de que a amizade se transforme em amor. As diferenças são extremas. Mentiras, falsidades, traições, tantos artifícios surgem para tentar ocultar a incompatibilidade. O findar do dia não escapará do trágico, e sufocados por suas próprias individualidades terão de aprender a lidar com essa nova dor.

Comentário: Estreando prematuramente os filmes de 1964, pois assisti pensando que era de 1963. Pietrangeli vem desde 1960 fazendo um filme melhor do que o outro, este é o meu preferido dos três que já assisti. Um filme completamente despretensioso e  que tem como o tema central a solidão, a percepção da dor de se sentir sozinho nunca foi trabalhada de uma maneira tão descompromissada e tão real. Sandra Milo está apaixonante no filme, queria abraçá-la, confortá-la e dizer que ela não é a única que se sente assim no mundo. François Périer, no entanto, dá vontade de dar um murro na cara dele, consegue ser um nojento, mas que surpreende em seus momentos. A música de Armando Trovajoli é perfeita e a parte técnica tem seus belos momentos. Mistura de drama, comédia e romance.


A PADEIRA DO BAIRRO

Título Original: La Boulangère de Monceau
Diretor: Eric Rohmer
Ano: 1963
País de Origem: França
Duração: 23min

Sinopse: Um jovem estudante (Barbet Schroeder) sente-se atraído por uma garota que vê todos os dias na rua, apesar de jamais ter falado com ela. Quando ele enfim toma coragem de se aproximar, a garota desaparece. Durante várias manhãs ele faz plantão no local, na esperança de vê-la novamente. Enquanto espera ele passa a frequentar uma padaria, onde acaba conhecendo uma jovem atendente.

Comentário: Primeiro filme de uma série de seis em que o diretor intitulou como Seis Contos Morais. O grande problema do média metragem (pelas definições do Brasil, no cenário americano seria um curta) é que poderia ter muito mais minutos, a direção e a narrativa são ótimas e você fica querendo mais. "Quem Nunca Foi a Padeira do Bairro na Vida de Alguém?", este comentário da Letícia Couto no Filmow resume tudo o que o filme nos passa, em poucos minutos o diretor consegue uma carga emocional enorme sobre várias questões da vida de qualquer pessoa, o que torna este pequeno grande filme em uma peça única da sétima arte.


segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A CIDADELA DOS ROBINSONS

Título Original: Swiss Family Robinson
Diretor: Ken Annakin
Ano: 1960
País de Origem: EUA
Duração: 122min

Sinopse: Baseado na clássica obra literária do escritor Johann Wyss, leva-nos para as paisagens maravilhosas dos mares do sul, cheias de animais exóticos e piratas traidores. Esta aventura conta as corajosas proezas da família Robinson após o navio onde viajavam naufragar e irem parar em uma ilha deserta. Trabalhando em equipe, eles conseguem ultrapassar os obstáculos da natureza e transformar a sua nova casa numa comunidade 'civilizada'. Mas o último desafio aparece quando um bando de assassinos piratas ameaçam destruir o paraíso provisório deles.

Comentário: Um filme família típico dos Estúdios Disney desta época, com a competente direção de Ken Annakin (responsável pela direção da parte dos britânicos do sensacional O Mais Longo dos Dias) e um elenco cativante (tirando o Francis Robinson, claro, moleque chato pra caralho) é diversão mais do que garantida. Parece que os filmes de aventura deram lugar aos filmes de ação, parece faltar filmes deste gênero para a molecada de hoje em dia. O que me incomodou muito no filme é a visão machista que esses filmes família obrigatoriamente acabam tendo, enquanto os meninos se divertem na lagoa a mãe apenas observa tudo com muita roupa, ridículo, não me espanta essa visão enraizada na nossa sociedade, afinal nossos pais e muitos de nós mesmos crescemos assistindo essas mensagens escondidas (Chega ao cúmulo de no filma a mãe não ter nem um nome, todos tem nomes, a personagem dela está creditada apenas como Mãe Robinson). Apesar do filme ter cenas completamente absurdas e sem cabimento, é preciso lembrar sempre que é um filme descompromissado, pra outro tipo de público e consegue cumprir muito bem seu objetivo de puro entretenimento. Janet Munro, que faz o papel da Roberta, está linda no filme, muito triste ter morrido com apenas 38 anos de idade.

QUEM AMA, PERDOA

Título Original: À Tout Prendre
Diretor: Claude Jutra
Ano: 1963
País de Origem: Canadá
Duração: 100min

Sinopse: Primeiro longa metragem ficcional de Claude Jutra, o filme é um ícone da geração de artistas e intelectuais franco-canadenses que viveram as transformações culturais e políticas dos anos 60 no Canadá. Claude é um cineasta em crise política, amorosa e identitária que se apaixona por uma cantora haitiana, Johanne.

Comentário: O filme estava indo muito bem até sua metade, daí acho que o diretor se perdeu, o ritmo se arrastou, ficou cansativo, sempre com uma direção muito boa, mas no geral não achei tudo isso. O personagem principal é um cineasta com o mesmo nome do diretor, o que faz a gente ficar pensando o quanto dele o personagem realmente tem. O Claude (do filme) é um grande filho da puta, não consegui me identificar ou sentir nenhum tipo de empatia pelo personagem, fico pensando se todo esse nível de egoísmo egocêntrico não tenha sido um dos fatores do suicídio do Claude (na vida real). O filme tem uma aparição relâmpago do François Truffaut, que com certeza influenciou muito essa nouvelle vague canadense que estava surgindo. Johanne Harelle, que interpreta uma personagem que também se chama Johanne (ela mesma?) está ótima, consegue roubar as cenas, juntando ela e a direção é o que faz o filme valer a pena.


sexta-feira, 25 de setembro de 2015

TOTÒSEXY

Título Original: Totòsexy
Diretor: Mario Amendola
Ano: 1963
País de Origem: Itália
Duração: 86min

Sinopse: Continuação do filme Totò Na Noite que aborda as aventuras de dois contrabaixistas que viajam por vários países à procura do sucesso, mas que acabam na cadeia.

Comentário: Como a própria sinopse já diz, é uma continuação do filme Totò na Noite, mas é muito inferior ao primeiro, não trás nada de novo, é quase uma cópia do primeiro, mas de um jeito bem meia boca. As partes musicais do primeiro foram bem melhores (Tirando a cena com a dançarina Dodo D'Amburg neste aqui) do que este, a própria história é mal desenvolvida, ficam batendo na mesma tecla sem parar, cheio de clichês. Uma sequência completamente desnecessária, mesmo porque o primeiro filme é bem regular, nada demais, há filmes muito melhores com o Totò pra assistir do que estes dois. Tirando uma ou duas cenas o filme é sofrível, parecia que eu tava vendo o primeiro filme em uma versão piorada.


DEU A LOUCA NO MUNDO

Título Original: It's a Mad, Mad, Mad, Mad World
Diretor: Stanley Kramer
Ano: 1963
País de Origem: EUA
Duração: 159min

Sinopse: Depois de cumprir 15 anos atrás das grades, ladrão vai procurar os US$ 350 mil que roubou de um banco e deixou escondido, a caminho do dinheiro ele sofre um acidente e, antes de morrer, dá apenas pistas de onde estão os dólares, a partir de então várias pessoas saem desesperados para encontrar a fortuna.

Comentário:  É uma boa comédia, mas depois de um tempo fica um pouco cansativa, martela demais na mesma piada, nas mesmas situações, mas não deixa de ter momentos brilhantes com alguns personagens. Ao longo de todo filme várias celebridades fazem pontas, temos que ficar atento para não perdê-las em cena: Jerry Lewis, Buster Keaton, Os Três Patetas, entre muitos outros. O filme tem uma das melhores sequências de dança da história do cinema, em uma participação mais que especial de Barrie Chase, famosa como par de dança de Fred Astaire. Quem também está linda no filme é Madlyn Rhue, conhecida dos trekkers por ser o interesse romântico de Khan no episódio Space Seed da série clássica. O elenco principal está muito bem, parece que houve uma boa química entre eles, mas a direção de Kramer, apesar de se segurar muito bem na maior parte do filme, tem alguns erros de continuidade gritantes (muito evidente na cena da escada do bombeiro). O filme poderia ser mais curto, porém existe uma versão estendida com 192min, mas sinceramente não sei o que mais eles poderiam colocar no filme. O desfecho podia ser melhor, mas diverte, foge completamente dos padrões de todos os filmes que havia assistido do diretor. Aquele filme Tá Todo Mundo Louco de 2001 é descaradamente baseado neste, mas por incrível que pareça este filme não foi creditado no roteiro da nova versão.


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

LUZ DE INVERNO

Título Original: Nattvardsgästerna
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1963
País de Origem: Suécia
Duração: 81min

Sinopse: Após ler nos jornais que a China possuí a bomba atômica e pretende usá-la, um pescador vai à igreja, buscando palavras de conforto e consolo do pastor. Porém, este não consegue ajudá-lo porque está passando por uma crise de fé, temendo também o apocalipse nuclear.

Comentário: Mais uma obra prima de Bergman onde a fé, a solidão, a procura incessante pela paz interior e no conforto do calor humano nos faz refletir sobre nós mesmos. É o segundo filme da "Trilogia do Silêncio", mas mesmo tendo preferido o Através de um Espelho, este é muito bom, porém de um ritmo difícil, complexo, intrincado, que pode parecer chato pro telespectador acostumado com filmes blockbusters. Tem horas que cai em uma melancolia, tem horas que nos instiga e tem horas que aborrece. O filme é uma crítica a religião e a falta dela, não trás respostas prontas e deixa tudo para o telespectador refletir, mas mais do que o tom religioso é um filme sobre as aflições de seres humanos se relacionando com outros seres humanos. O diálogo sobre a Paixão de Cristo é um dos melhores já escritos pelo Bergman e a cena em que a atriz Ingrid Thulin lê sua carta é uma das mais belas em todo o filme. Sufocante e instigante, um autêntico Bergman em sua melhor fase.


DOIS TEMPOS NO INFERNO

Título Original: Két Félidö a Pokolban
Diretor: Zoltán Fábri
Ano: 1963
País de Origem: Hungria
Duração: 119min

Sinopse: Para o aniversário de Hitler, os alemães decidem organizar uma partida de futebol contra os prisioneiros húngaros durante a Segunda Guerra Mundial. Eles determinam que Ónodi (Dió), um famoso jogar de futebol, organize o time. Ónodi por sua vez exige comida, uma bola e dispensa do trabalho para treinar. Porém, ele é convencido pelo time a fugir, assim que encontrem uma oportunidade.

Comentário: Guerra e futebol, estreando os filmes da Hungria no blog em grande estilo, pois é um baita filme. O filme usa como base a Partida da Morte, um jogo de futebol, com várias versões sobre o que realmente aconteceu, que teria ocorrido na Rússia em 9 de agosto de 1942, porém todo o filme é fictício, personagens, acontecimentos, só usaram a ideia de um fato real, então não confundam o filme com a história de fato. Os personagens são excelentes, todos muito bem trabalhados com ótimos momentos em tela, a direção é ótima, música bem conduzida e o final é arrebatador. Um dos melhores filmes do ano com certeza, recomendo muito.


segunda-feira, 21 de setembro de 2015

55 DIAS EM PEQUIM

Título Original: 55 Days at Peking
Diretor: Nicholas Ray
Ano: 1963
País de Origem: EUA
Duração: 162min

Sinopse: Um pequeno grupo de estrangeiros se vê encurralado no interior da Cidade Proibida de Pequim, cercados por milhares de fanáticos chineses, durante a revolta dos Boxers. A coragem e liderança de um marinheiro americano e do Embaixador inglês são a única esperança contra o perigo intransponível, enquanto uma linda condessa russa deve optar entre a liberdade e o compromisso. 

Comentário: A parte técnica do filme é impecável: direção, música, figurino, atuações, iluminação... enfim, foi mais por isso que não dei uma nota mais baixa, mas não tem como fingir que não é uma superprodução Hollywoodiana, onde tentam colocar como heróis os vilões e vice-versa. Os fatos históricos em si estão todos alterados, as decisões do embaixador da Inglaterra (David Niven) beiram ao patético e a relação entre sua esposa é enfadonha como todo o resto de comparação história com os fatos inventados para a película. Se pararmos pra pensar, podemos ver aqui os Estados Unidos metendo o nariz onde não é chamado desde o começo do século XX, não mudaram nada em mais de cem anos. Ava Gardner ainda esbanja beleza e sensualidade com seus mais de quarenta anos. Charlton Heston esbanjando canastrice e cai como uma luva no papel.


O CHICOTE E O CORPO

Título Original: La Frusta e Il Corpo
Diretor: Mario Bava
Ano: 1963
País de Origem: Itália
Duração: 87min

Sinopse: No século XIX, um nobre sádico aterroriza os membros de sua família. Ele é encontrado morto, mas seu fantasma retorna para assombrar os residentes de seu castelo...

Comentário: Tinha tudo pra ser o melhor filme do Bava, mas houve vários deslizes. Há alguns problemas técnicos, como o som do vento com as árvores paradas, mas isto da pra ignorar, a música é ótima, mas se torna tão repetitiva que começa a encher o saco já na metade do filme e alguns furos no roteiro que não colocarei aqui se não vou dar spoilers atrapalham um pouco a lógica do desfecho. O que chama a atenção no filme é a construção psicológica dos personagens, é ótima, cada personagem tem uma carga dramática muito bem construído (mesmo os criados que poderiam ter tido um destaque melhor), gostei muito de todas as interpretações. A iluminação de algumas cenas é simplesmente genial, Bava mostrando que tinha talento de sobra.