sábado, 29 de abril de 2017

COM MILHÕES E SEM CARINHO

Título Original: The Millionairess
Diretor: Anthony Asquith
Ano: 1960
País de Origem: Inglaterra
Duração: 86min

Sinopse: Quando seu pai morre, Epifania Parerga, uma italiana em Londres, torna-se a mulher mais rica do mundo. Ela sente-se incompleta sem um marido e se apaixona por um médico, um humilde indu, Ahmed El Kabir, muito amado por seus pacientes indigentes. Ele evita o prazer físico, então rejeita a sua proposta, que incluem flerte sexual, ofertas de riqueza, uma oportunidade de dirigir uma importante clínica e sua declaração simples e direta do amor. Eles concordam em um concurso: ela vai tentar o teste do amor que sua mãe lhe ensinou (viver durante 90 dias com apenas 500 rúpias), e ela pede a ele que faça o teste de seu pai: transformar £ 500 em £ 15.000 dentro de 3 meses.

Comentário: Todo filme com a Sophia Loren, a mulher mais linda que já pisou no planeta Terra, ganha alguns pontos a mais. O filme é uma típica comédia romântica dos anos 60, com cenas engraçadas, com ótimos atores, Loren esbanjando carisma e com Sellers cativante como sempre. Há até algumas criticas significativas contra o estilo de vida capitalista e uma agulhada forte no macartismo que durou até três anos antes do lançamento deste filme em Hollywood, com Sellers vivendo um indiano comunista cheio de valores enquanto Loren vive a capitalista que não consegue enxergar as pessoas. Ótimo filme para uma tarde chuvosa com a melhor companhia que o cinema pode oferecer.


TRANSPORTE DO PARAÍSO

Título Original: Transport Z Ráje
Diretor: Zbyněk Brynych
Ano: 1963
País de Origem: Checoslováquia
Duração: 92min

Sinopse: Um dia no cotidiano do Gueto de Terezín, na Checoslováquia, sob domínio nazista: o General Knecht chega para inspecionar as atividades do "gueto modelo", sobretudo o filme de propaganda que está sendo realizado para convencer o mundo em geral, e a Cruz Vermelha em particular, que os alemães tratam muito bem seus prisioneiros. A visita do General revela um pouco do funcionamento do gueto - o banco, as lojas de roupa, as triagens, as acomodações, a preparação da lista para o derradeiro transporte.

Comentário: O filme tem cenas maravilhosas, porém tem outras arrastadas, mas não tem como não pegar como um soco no estômago. O comportamento de alguns personagens, nazistas e judeus, com frases como "Como Ovelhas" se desenvolve a nossa frente em um micromundo com todas as nuances da realidade que choca, o gueto apresentado funciona como o barco no romance Moby Dick, há todos os tipos de pessoas representando o mundo, há judeus que trabalham para nazistas, há nazistas que parece ajudar os judeus, há o mal, há o bom e há o simplesmente existir. Alguns personagens poderiam ter um melhor desenvolvimento, mas como na vida real dos judeus que viveram no gueto, não houve tempo para isso, pois foi interrompido pelo transporte que saía do "paraíso".


segunda-feira, 6 de março de 2017

O INCRÍVEL HOMEM TRANSPARENTE

Título Original: The Amazing Transparent Man
Diretor: Edgar G. Ulman
Ano: 1960
País de Origem: EUA
Duração: 57min

Sinopse: O ladrão de bancos Joey Faust é libertado da cadeia com a condição de submeter-se a uma experiência radical que poderá torná-lo invisível. Seus novos empregadores pretendem usar o "Homem Transparente" para roubos ousados, mas Faust tem seus próprios planos.

Comentário: Um filme com todos os clichês possíveis, mas pensando no curto período de duração ele consegue uma façanha no quesito trabalhar os personagens. Todos tem seus dramas e motivos para fazer parte da trama. Um típico filme de "monstro" dos anos sessenta, com um final clichê. Enfim, serve apenas pra uma sessão pipoca sem muita pretensão. O pôster é melhor que o filme.


TOTÒ CONTRA OS QUATRO

Título Original: Totò Contro I 4
Diretor: Steno
Ano: 1963
País de Origem: Itália
Duração: 94min

Sinopse: O dia do chefe de polícia Saracino começa mal quando seu novo carro é roubado. Em seguida, em seu escritório, ele conhece Alfredo Fiori que acredita que sua esposa e seu amante, um veterinário, estão tentando matá-lo. Fiore tem uma testemunha: um papagaio! Durante seu dia de trabalho em busca de seu carro roubado, Saracino descobre os roubos do gestor personalizado Mastrillo, que tenta suborná-lo.

Comentário: Um filme bem mediano de Totò, a maior parte do tempo é uma gritaria, personagens fazendo aquela algazarra de berros bem no estilo almoço de família italiana (eu posso zoar porque é o típico almoço da minha família). Tem partes que são ótimas, mas o filme fica dando voltas e fica repetitivo, com algumas piadas iguais, como o personagem do Peppino De Filippo, que acho um baita ator sempre subaproveitado (Tá, talvez sempre não.). No geral é um dos filmes mais fracos do Totò, tem vários superiores a este.

sábado, 24 de dezembro de 2016

MINHA ESPERANÇA É VOCÊ


Título Original: A Child is Waiting
Diretor: John Cassavetes
Ano: 1963
País de Origem: EUA
Duração: 100min

Sinopse: Em uma escola para crianças excepcionais, uma professora novata e inexperiente (Judy Garland) entra em conflito com o diretor da instituição (Burt Lancaster), por causa de seu modo de educar um menino autista recém-abandonado pela família. Comovente denúncia do preconceito de grande parte da sociedade para com os portadores de deficiência mental, um drama que continua bastante atual.

Comentários: As pessoas falavam do Cassavetes, depois de assistir A Canção da Esperança não entendia porque, mas estava esperando que ele me surpreendesse mais pra frente, na sua fase menos comercial. Porém este filme já foi a surpresa que estava esperando, filme incrível, maravilhoso, emocionante e mais tudo de bom. Tendo o Stanley Kramer como produtor (diretor este que adoro) já esperava algo bom, mas não tão bom assim. A cena inicial é uma injeção de adrenalina direto no peito, Judy está ótima e o Burt eu sou sempre suspeito pra falar. Sem entrar no mérito do tratamento das crianças, que pode ser um pouco datado, mas não sou psicólogo, mas o filme se segura muito bem, sem cair no melodramático. No fim você não sabe quem é a esperança de quem, quem é que está ajudando quem, quem é o mais fodido mentalmente: um garoto autista que não entende o mundo ou uma mente sã que entende este mundo tão assustador? Vale muito! Dedico esta última postagem do ano a minha tia Míriam Elena que dedicou sua vida a essas crianças maravilhosas. 


NÃO ULTRAPASSE

Título Original: Dobro Pozhalovat, ili Postoronnim Vkhod Vospreshchen
Diretor: Elem Klimov
Ano: 1964
País de Origem: Rússia
Duração: 73min

Sinopse: A obra conta-nos a história de um acampamento de Verão, governado pela mão autoritária do seu diretor, interpretado por Evgeni Evstigneev. Obsequioso em relação à autoridade, resistente à inovação, hostil a qualquer ideia de independência, contudo trivial.

Comentário: Primeiro filme de Elem Klimov, daqueles filmes que trazem a infância de volta, que é leve, mas ao mesmo tempo trás uma bagagem reflexiva enorme. O filme pode ser visto como uma crítica ao regime socialista se pegarmos a figura do diretor (autoritário, inflexivo a novas ideias, punitivo, disciplinado), mas pode ser visto também como um elogio ao regime socialista na figura de Kostya Inochkin, um garoto que se recusa a aceitar sua expulsão do acampamento e que usa da união dos colegas (o povo a favor do povo) para sobreviver como um clandestino, a união das pessoas em prol de uma que precisa de ajuda. Enfim... mas deixando a política de lado, vamos a leveza do filme, onde crianças são crianças e se comportam como crianças. A direção de Klimov já é fantástica aqui. Vale muito a pena ver.


segunda-feira, 21 de novembro de 2016

JURAMENTO DE OBEDIÊNCIA

Título Original: Bushidô Zankoku Monogatari
Diretor: Tadashi Imai
Ano: 1963
País de Origem: Japão
Duração: 122min

Sinopse: O jovem japonês Iikura encontra os diários dos seus antepassados, descobre que é descendente de uma antiga linhagem de samurais e que todos tiveram fins trágicos. Iikura reflete sobre o passado de sua família e o confronta com o seu presente através da lembrança dessas leituras.

Comentário: Um filme interessante, poucos conseguiram me deixar tão irritado e puto quanto este. Nunca havia notado, mas os samurais são os pobres de direita, os coxinhas, os imbecis que mantém um sistema intacto. Tantos filmes idolatram tanto os samurais, colocando-os em um patamar de honra e heroísmo e este é excelente pelo oposto, mostra o quão idiotas eles eram, o quão lambedores de sacos dos imperadores ou chefes dos clãs eles eram. Filme obrigatório pra ir contra o sistema, servindo como critica ao capitalismo e aos endinheirados de hoje, se mantendo absurdamente recente para os dias de hoje. Vencedor do Urso de Ouro do Festival de Berlim de 1963, quando o filme terminou não dei nota 10, tinha dado menos, conforme os dias foram passando a nota foi aumentando e o que o diretor quis passar foi se enraizando no meu cérebro.


O MUNDO DE SUZIE WONG

Título Original: The World Of Suzie Wong
Diretor: Richard Quine
Ano: 1960
País de Origem: EUA
Duração: 126min

Sinopse: Um americano cansado de sua vida executiva tenta ser pintor em Hong Kong, onde contrata uma jovem prostituta como modelo, por quem eventualmente se apaixona.

Comentário: Das comédias românticas que eu já assisti, acho que esta (se não a melhor) é uma das melhores de todas. William Holden e Nancy Kwan estão perfeitos em seus papéis e rola uma química ótima entre os dois. O filme, por mais que pareça um filme bobinho, serve como uma discussão ótima sobre a moralidade, sobre preconceito e um monte de outras coisas, quem dera as comédias românticas conseguissem metade de profundidade hoje em dia que este filme conseguiu há mais de cinquenta anos atrás. Uma Linda Mulher é fichinha. O diretor conseguiu fazer duas pérolas no mesmo ano, este e O Nono Mandamento são filmes excelentes.


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

A CARREIRA DE SUZANNE

Título Original: La Carrière de Suzanne
Diretor: Eric Rohmer
Ano: 1963
País de Origem: França
Duração: 55min

Sinopse: Bertrand (Philippe Beuzen) e Guillaume (Christian Charrière) são universitários em Paris. Guillaume se aproveita de Suzanne (Catherine Sée), uma jovem inocente, o que faz com que Bertrand despreze ambos: ele por se aproveitar, ela por se deixar enganar. Bertrand começa a desconfiar que Suzanne está interessada nele, mas ele sente-se atraído por Sophie (Diane Wilkinson), que não lhe dá a menor atenção.

Comentários: Segundo filme de uma série de seis em que o diretor intitulou como Seis Contos Morais. Preferi o primeiro filme (A Padeira do Bairro), porém este é bem mais complexo e mais trabalhado o que deixa injusto uma comparação. O personagem principal é um imbecil, o amigo dele é um escroto e Suzanne é uma idiota. A direção é ótima e o ritmo do filme é excelente até certo ponto, o final ficou a desejar, já que rola um anticlímax. Os atores trabalham super bem, mesmo que em todo o filme eu odiei todos eles, mas acho que era essa a intenção. Esperava mais do final, meio que decepcionou, deu mil voltas pra não se chegar a lugar nenhum, foi pelo menos esse o sentimento que ficou, mas os valores morais que estão no filme martelam na sua cabeça muito tempo depois de ter assistido.


O REI DOS FACÍNORAS

Título Original: The Rise and Fall of 'Legs' Diamond
Diretor: Budd Boetticher
Ano: 1960
País de Origem: EUA
Duração: 101min

Sinopse: A ascensão e queda do gângster Jack 'Legs' Diamond (Ray Danton), que tornou-se um dos criminosos mais temidos dos EUA nos anos 1920. Jogador, sedutor e violento, irá fazer de tudo para se tornar o chefão do crime organizado em New York.

Comentários: Um ótimo filme de gangsters bem no estilo alá Scorsese, uma pena ser tão desconhecido. Budd Boetticher, mais conhecido por filmes de faroestes, conseguiu fazer um excelente filme fora da sua zona de conforto. Legs Diamond foi um dos notórios chefões do crime organizado na época de Al Capone. O filme não é super fiel aos fatos reais, como todo filme baseado em fatos reais, mas consegue capturar muito bem vários momentos importantes da biografia de Diamond, sua morte permanece um mistério até hoje, diferente de como o filme tenta tratar. O elenco atua muito bem e o filme te prente do começo ao fim. Um filme do mesmo ano de Cavalgada Trágica do diretor, mas infinitamente superior.