quarta-feira, 7 de setembro de 2022

O NOVATO DO ANO

Título Original: Rookie Of The Year
Diretor: John Ford
Ano: 1955
País de Origem: EUA
Duração: 24min

Sinopse: Mike Cronin (John Wayne) é um jornalista esportivo na pequena cidade de Emeryville. Ao visitar um colega de profissão em New York, Cronin vê o jovem talento do beisebol Lyn Goodhue (Patrick Wayne) em um jogo, jovem que aos poucos o lembra de um famoso jogador do passado que se envolvera em um escândalo. Se houver uma conexão entre ambos os atletas, no jovem Goodhue poderia estar então o furo de reportagem que Cronin há muito tempo procura e que poderia levá-lo ao sucesso profissional. Mas uma questão de ética jornalística surge em seu caminho quando ele conhece a namorada de Goodhue, a jovem Ruth Dahlberg (Vera Miles).
 
Comentário: Episódio de uma série para a televisão chamada Screen Directors Playhouse, este foi o único dirigido pela lenda, John Ford, onde todos os episódios eram histórias fechadas. O escândalo comentado aqui realmente aconteceu em 1919 envolvendo o Chicago White Sox, foi o primeiro trabalho da dupla Ford/Wayne para a TV e a estreia de Patrick Wayne, filho do lendário ator que trabalharia em vários outros filmes com ele. Eu achei ótimo, a dinâmica, sou um fã de baseball (joguei na adolescência) e o clima mais despojado e simplista de todo o episódio passa aquele clima anos 50. Puro entretenimento. Eu adoro ver o Wayne em papéis que o tiram de seu estereótipo de caubói.


segunda-feira, 15 de agosto de 2022

QUANDO AS MULHERES ESPERAM

Título Original: Kvinnors Väntan
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1952
País de Origem: Suécia
Duração: 108min

Sinopse: As esposas dos quatro irmãos Lobelius estão reunidas em uma casa de campo para férias, pela primeira vez em muito tempo. Elas aguardam a chegada dos maridos, que ainda se encontram em Estocolmo. Enquanto esperam, fazem confidências sobre suas vidas em quatro episódios narrados segundo o ponto de vista de cada uma delas.
 
Comentário: O filme não é tão bom quanto o anterior do diretor, Juventude, mas ainda assim é um Bergman acima da média. É interessante ver como o diretor brinca com a narrativa, experimentando novas direções. Em determinado momento há um flashback dentro de um flashback e você sente não saber mais onde está na linha do tempo (me lembrou do experimentalismo da série Os Normais com flashbacks décadas depois). O elenco é maravilhoso e extremamente competente, os já usuais Birger Malmsten e Maj-Britt Nilsson, a nova e estreante Gerd Andersson esbanjando beleza, mas é Anita Björk, da primeira história, que rouba a cena para mim. A última história no elevador é a mais leve e que me tirou boas risadas. Para quem é fã do diretor, vale bastante a assistida.


quinta-feira, 7 de julho de 2022

JUVENTUDE

Título Original: Sommarlek
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1951
País de Origem: Suécia
Duração: 96min

Sinopse: Na véspera da estréia do seu novo espetáculo, a bailarina Marie recebe um diário, que a faz lembrar do seu primeiro amor na juventude, um episódio que marcou para sempre sua vida.

Comentário: Ingmar Bergman já havia feito filmes nota 10 antes desse, mas é aqui que ele atinge o nível que veríamos em seus filmes daí para frente. Um primor ímpar como poucos cineastas atingiram. Aqui tudo funciona, e a dor de amor é sentida de maneira palpável durante toda a película. O clima de nostalgia do envelhecer permeia todo o filme, acho que assisti no momento certo da vida, pois pude entender melhor e refletir sobre sentimentos meus juntos com o filme, já que passei os quarenta anos. Maj-Britt Nilsson está magnífica, rouba as cenas de qualquer ator em cena com ela. O filme perdeu o Leão de Ouro em Veneza para Brinquedo Proibido do René Clément. Vale a assistida, apesar de ter que aguentar o aperto no coração depois por dias.


sábado, 18 de junho de 2022

A ALUCINAÇÃO DE ULYSSES

Título Original: Ulysses
Diretor: Joseph Strick
Ano: 1967
País de Origem: Irlanda
Duração: 120min

Sinopse: Baseado no romance do escritor irlandês James Joyce, Ulisses foi uma das adaptações mais esperadas e polêmicas da tensa relação entre a literatura e o cinema. Diante de um desafio descomunal, Joseph Strick até certo ponto foi fiel ao magistral romance de Joyce, que conta, durante um único dia (16 de junho de 1904), as desventuras do judeu Leopold Bloom pelas ruas de Dublin, onde acompanhamos seu encontro com o poeta Stephen Dedalus (alterego do escritor, personagem principal de Retrato do Artista Quando Jovem) e suas preocupações com a mulher Molly.

Comentário: Assisti apenas depois de uns dois meses que havia terminado o livro, não dá pra negar o trabalho dificílimo que é transpor aquele calhamaço em duas horas de filme e nisso acho que o diretor conseguiu se sair muito bem. Mas não tem como terminar a sessão sem comparações, muito se perde ao longo da película e outras coisas que estão lá ficam jogadas (como a cena do Bloom procurando o cu na estátua de mármore no museu). Mulligan consegue ser mais repugnante que no livro e a cena da alucinação, que inclusive entrou no título nacional, é de um primor ímpar. Os atores também estão muito bem, Fionnula Flanagan novinha, e uns closes de Barbara Jefford maravilhosos. Em certo momento durante a alucinação, Bloom faz uma saudação vulcana famosa de Jornada nas Estrelas, fico imaginando se foi proposital. O filme é acima da média, mas só aconselho assistir depois de ler o livro mesmo.


sexta-feira, 3 de junho de 2022

ISTO NÃO ACONTECERIA AQUI

Título Original: Sånt Händer Inte Här
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1950
País de Origem: EUA
Duração: 113min

Sinopse: Num desolado país onde as pessoas ignoram os problemas políticos e os conflitos de guerra ocultos no cotidiano, um casal se infiltra como amigo da comunidade. Ele, um agente impiedoso da espionagem internacional, não sabe o que é o amor; está disposto a tudo, até mesmo a sacrificar sua esposa e a família desta; mas ele não sabe do que ela também é capaz.

Comentário: Nunca pensei que eu ia dar uma nota tão baixa para um filme do Bergman. Um filme feito sob encomenda contra o comunismo da União Soviética, o diretor chegou a pedir para as pessoas não assistirem e que não fosse mais exibido. O filme é realmente bem fraco, confuso, com uma direção técnica competente e alguns diálogos afiados, mas é só. Para por aí. Um noir bem no estilo americano, os atores convencem. A melhor definição para o filme que li veio de um comentário de uma usuária do Filmow onde escreve: "É Bergman, mas é um abacaxi". Sim, é um abacaxi.



segunda-feira, 16 de maio de 2022

OS PIVETES

Título Original: Les Mistons
Diretor: François Truffaut
Ano: 1957
País de Origem: França
Duração: 17min

Sinopse: O filme é baseado no romance homónimo de Maurice Pons. Os mistons são cinco garotos que espiam dois amantes, Gerard e Bernardette, seguindo-os para todo o lado.
 
Comentário: Um marco na história do cinema, sem exageros, já que foi aqui que Truffaut iniciou sua carreira onde iria marcar seu nome como um dos maiores. Não é segredo nenhum que ele é para mim um dos meus favoritos e podemos ver aqui a semente que iria germinar no Os Incompreendidos. E pra completar temos a minha musa do cinema francês, Bernadette Lafont, esbanjando lindeza. O diretor já mostra a competência na parte técnica e é engraçado que os dois atores principais interpretem personagens com seus próprios nomes. Acho que um dos maiores defeitos é a curta duração, pois passa tão rápido, gostaria de ler o romance em que foi baseado para sentir o desenvolvimento desses personagens em uma longa história.


quinta-feira, 12 de maio de 2022

SOBERBA

Título Original: The Magnificent Ambersons
Diretor: Orson Welles
Ano: 1942
País de Origem: EUA
Duração: 88min

Sinopse: Indianápolis, final do século XIX. A família Amberson se revela relutante em acompanhar as transformações que a rodeiam. Uma mulher desperdiça sua vida ao deixar de se casar com sua grande paixão por dois motivos: o primeiro foi em razão de uma serenata na qual houve um pequeno acidente, que fez com que ela se sentisse ridícula e acabasse se casando com um homem que não amava. O segundo foi a interferência do único filho na vida da mãe. Quando este homem, agora viúvo assim como ela, tenta se reaproximar, o filho por pura estupidez bate a porta na sua cara.

Comentário:Foi um filme mais fraco que assisti do Welles, confesso que me senti um pouco decepcionado. Teria sido um pouco melhor se tivesse terminado minutos antes sem a cena final. Dizem que o filme sofreu intervenção de produtores (pra variar, né? Era a sina do coitado), acredito que teria sido melhor com a liberdade criativa do diretor. A mensagem que mais me pegou e que é pessoal para mim é o amor entre os personagens que dura décadas mesmo distantes, pois acredito que há pessoas que marcam a gente assim mesmo e machuca saber que a vida não permite ensaios como em um filme. O elenco é competente, mas acho normal também não conseguir manter o nível depois de um Cidadão Kane, porque fazer aquele clássico é uma vez na vida... mas em contrapartida A Dama de Shanghai é maravilhoso mesmo com os pitacos dos produtores.


sábado, 30 de abril de 2022

RUMO À FELICIDADE

Título Original: Till Glädje
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1950
País de Origem: EUA
Duração: 99min

Sinopse: Stig (Stig Olin) é o mais recente violinista da orquestra do maestro Sönderby (Victor Sjöström). Amargurado e perdido na sua vida, Stig vai encontrar conforto nos braços da também violinista da orquestra, Marta (Maj-Britt Nilsson). Os dois iniciam uma relação, que em breve se precipita para um casamento, quando Marta descobre estar grávida. Por entre crises existenciais e fracassos profissionais, Stig acaba por conduzir o casamento de modo errático.
 
Comentário: O filme começa pelo final, ou seja, não é spoiler nenhum eu dizer que o final (no caso o começo) é trágico. Sua mulher morre. A partir daí vamos voltar no tempo e entender o desenrolar dessa relação. Stig é um babaca, não gostei do personagem interpretado magistralmente por Stig Olin (pai da famosa atriz Lena Olin). O personagem de Birger Malmsten é mal aproveitado, enquanto o do lendário Victor Sjöström é maravilhoso. Mas é Maj-Britt Nilsson que rouba a cena de todos, personagem cativante. Típico filme acima da média de Bergman, cenas musicais muito boas, desenrolar interessante. Pode não estar entre suas grandes obras, mas certamente é um bom filme. Mas acho que aqui podemos começar a ver um certo amadurecimento do diretor, não tanto na parte técnica (pois considero alguns filmes anteriores até melhor), mas na parte narrativa.


domingo, 10 de abril de 2022

A ÁGUIA AZUL

Título Original: The Blue Eagle
Diretor: John Ford
Ano: 1926
País de Origem: EUA
Duração: 57min

Sinopse: George Darcy e Big Tim Ryan se apaixonam pela mesma mulher. A rivalidade dos dois continua quando eles ingressam juntos na Marinha. Após a guerra, eles dão uma trégua temporária em suas brigas para lutarem juntos contra traficantes de drogas.
 
Comentário: O mestre Ford no começo de carreira, muito triste que uma sequência do começo do filme esteja perdida para o tempo. O filme é muito bom e me chamou bastante atenção como o filme trata sobre o tráfico e uso de drogas de uma maneira tão direta e cru em plena década de 20. A lenda Janet Gaynor já chama a atenção aqui em um de seus primeiros trabalhos, e não só pelo beleza e carisma, mas pela atuação mesmo, de uma naturalidade ímpar em frente às câmeras. O filme diverte, pode estar longe da genialidade do Ford que conhecemos, mas já mostra o talento que o diretor iria adquirir no futuro.


sábado, 12 de março de 2022

O COVARDE

Título Original: Kapurush
Diretor: Satyajit Ray
Ano: 1965
País de Origem: Índia
Duração: 69min

Sinopse: O carro do roteirista Amitabha Roy quebra numa plantação de chá. O gerente da plantação o convida a passar noite em sua casa enquanto o mecânico não aparece. Ao chegar na casa do gerente, ele descobre que Karuna, uma antiga paixão, é a esposa dele. A partir daí, Amitabha relembra seu romance com Karuna.
 
Comentário: Belo filme de Satyajit Ray, não posso dizer que me compadeci muito do personagem principal como a maioria, acho que pela minha história de vida me vi muito mais no lugar de Karuna e de uma maneira meio maquiavélica foi gostoso ver o sofrimento do protagonista depois que algumas peças se encaixam. A vida é um trem que não para e muitas vezes não há espaço para segundas chances. Um filme cru e cruel, de amores perdidos pelas indecisões. Corações se partem e não se recuperam jamais quando amam de verdade. O filme é muito bom, é curto, direto ao ponto. A direção é ótima, acho que o único pecado é não mostrar o lado de Kuruna no filme, somos meio obrigados e nos identificar somente com o protagonista.