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terça-feira, 23 de setembro de 2025

GANGA BRUTA

Título Original: Ganga Bruta
Diretor: Humberto Mauro
Ano: 1933
País de Origem: Brasil
Duração: 78min
Nota: 7

Sinopse: Um homem mata sua esposa na noite de núpcias, após descobrir que ela havia sido infiel. Após ser absolvido, ele se muda para o campo, onde se apaixona por uma garota inocente.
 
Comentário: Entendo, talvez, a importância deste filme para o Cinema Novo em sua narrativa. Há sim cenas interessantíssimas criadas por Humberto Mauro, como a cena inicial do casamento que se transforma em um funeral. Toda a construção do filme está à frente de seu tempo, mas não há como negar que em vários outros aspectos ele envelheceu mal também. O personagem principal é tosco, difícil até de aturar em tela. Gostei das canções que dão um tom de Brasil ao filme, que era marca importante nesta época que o Brasil começou a produzir filmes sonoros uns anos antes. Não gostei muito do final, há uma glorificação da violência masculina que está enraizada na nossa sociedade, lógico que o filme é de uma sociedade de quase 100 anos atrás, difícil ver com os olhos de hoje.

quinta-feira, 5 de junho de 2025

A HORA E VEZ DE AUGUSTO MATRAGA

Título Original: A Hora e Vez de Augusto Matraga
Diretor: Roberto Santos
Ano: 1965
País de Origem: Brasil
Duração: 114min
Nota: 9

Sinopse: Augusto Matraga é um fazendeiro violento, que é traído pela esposa, emboscado por seus inimigos, acaba massacrado e é dado como morto. É salvo por um casal de negros e desde então, volta-se para a religiosidade. Mas quando conhece Joãozinho Bem Bem, um jagunço famoso, este percebe nele o homem violento. Daí em diante Matraga vive o conflito entre o desejo de vingança e sua penitência pelos erros cometidos.
 
Comentário: Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. É um filmaço! Fazia tempo que eu queria ver e consegui uma cópia muito boa que acredito ser a restauração apresentada em Veneza ano passado (2024). O filme é lindo, Leonardo Villar dá um show, uma história que parece que vai para um lado e nos leva para outro, onde olhamos vários aspectos da nossa própria natureza, de como temos um lado violento, mas temos que aprender a deixar nossa racionalidade assumir mais o controle. Por mais que eu sempre torça o nariz para religião, é importante notar que faz parte enraizada de toda cultura pelo mundo e é interessante como foi usada no filme de maneira honesta, sem cair em pieguices, achei muito bonito. A trilha do Geraldo Vandré é outro espetáculo a parte.

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

O CORINTIANO

Título Original: O Corintiano
Diretor: Milton Amaral
Ano: 1966
País de Origem: Brasil
Duração: 99min
Nota: 7

Sinopse: Manuel é um barbeiro louco por um time de futebol de São Paulo, o Corinthians, e por isso vive tendo problemas com vizinhos e familiares.

Comentário: Adoro o Corinthians, é uma paixão, mas sempre achei doentio essa obsessão por futebol que leva as pessoas a terem uma relação nada saudável com esse esporte que se entrelaça a cultura brasileira. O filme é divertido, acho que serve tanto para alívio cômico quanto para críticas pontuais, o que reforça o que eu já havia escrito aqui sobre Mazzaropi: um gênio! Confesso que preferi ao filme Tristeza do Jeca, mas a proposta aqui é completamente diferente. O filme, apesar de ter uma linearidade, funciona como blocos de piadas curtas, que vão seguindo adiante na narrativa. Não teve como não lembrar do padre no balão em determinada cena. E o burro é muito fofo. As críticas não ficam só no âmbito futebolístico, mas também no social. Gostei dos arcos dos filhos, mas podiam ter elaborado um pouco mais as coisas. Há alguns momentos que não funcionam, talvez por estarem datados ou perdidos na narrativa, mas o filme tem mais acertos que erros no geral.



sábado, 3 de agosto de 2024

OLHO POR OLHO

Título Original: Olho Por Olho
Diretor: Andrea Tonacci
Ano: 1966
País de Origem: Brasil
Duração: 20min
Nota: 9

Sinopse: Grupo de amigos de classe média passeiam de carro por São Paulo enquanto a câmera os acompanha. Vão pegando outras pessoas pelo caminho afim de por em prática sua alienação e agressividade moral.

Comentário: Maravilhoso trabalho de estreia de Tonnaci, ícone do cinema marginal. Todo o desenrolar é maravilhoso, com forte influência da nouvelle vague francesa, mas com uma identidade própria. As imagens da cidade de São Paulo são um brinde à parte. É possível até conferir a icônica loja da Varig na Rua dos Andradas e Borges de Medeiros em um momento. A trilha sonora é outra coisa muito boa, que ajuda no ritmo e a cravar a época dessa juventude entre o rock 'n roll e a bossa nova. O próprio desenrolar e o desfecho mostra de uma forma crua a sociedade que criamos e que está aí até hoje, uma espécie de protofascismo. O embrião já estava lá, mas é ainda anterior a 1966.



sábado, 1 de junho de 2024

OS FUZIS

Título Original: Os Fuzis
Diretor: Ruy Guerra
Ano: 1964
País de Origem: Brasil
Duração: 84min
Nota: 9

Sinopse: Um grupo de soldados é enviado ao nordeste do Brasil para impedir que cidadãos pobres saqueiem armazéns por causa da fome.

Comentário: Indicado ao Urso de Ouro e vencedor do Prêmio Especial no Festival de Berlim. Que filmaço! Nelson Xavier com mó pinta de galã e mandando muito bem, e Átila Iório roubando as cenas como o grande herói do filme. Ruy Guerra conseguiu fazer uma obra prima aqui, infelizmente a captação do som nessa época no cinema nacional era muito ruim, mesmo tendo assistido a cópia restaurada ainda tem momentos ruins de entender o diálogo. Acho que o filme podia explorar muito mais coisas, mas devido as tensões da época em que foi lançado entendo a necessidade de ser curto e direto. Merece ser visto e revisto, assisti logo depois da morte de Paulo César Peréio, um dos grandes atores brasileiros e que aqui fazia sua estreia de maneira brilhante e muito competente e ainda de quebra tem uma das melhores cenas do filme. Peréio vive! Infelizmente a fome no sertão também. Até quando?



terça-feira, 30 de agosto de 2016

GANGA ZUMBA

Título Original: Ganga Zumba
Diretor: Cacá Diegues
Ano: 1963
País de Origem: Brasil
Duração: 102min

Sinopse: No início do século XVI, alguns negros fugiram dos senhores portugueses e fundaram aldeias negras, como o Quilombo dos Palmares, o mais famoso. Ganga Zumba, neto do Rei dos Palmares, Zumbi, nasceu na senzala e vai tomando contato com a história das lutas e dos problemas de seu povo, ao fugir do cativeiro e tornar-se líder do Quilombo dos Palmares.

Comentário: Bem, o filme tem seus altos e baixos. Algumas cenas de Cacá Diegues são perfeitas, maestria total na direção. Há muitos erros históricos, já que Ganga Zumba antecedeu Zumbi dos Palmares, mas aqui Zumbi já é famoso e está velho enquanto Ganga Zumba ainda se encontra na fuga da senzala. Eliezer Gomes rouba as cenas em que aparece como o conselheiro Anoroba. Luiza Maranhão não tem destaque nenhum como Dandara e o filme se foca em apenas Ganga Zumba ainda novo fugindo para a liberdade. Antonio Pitanga está convincente, mas merecia ter mais destaque ao longo do filme, parece que está mais encanado em se envolver com rabos de saias do que com tudo o que está acontecendo ao seu redor. A cena final é maravilhosa e o filme tem seus momentos, mas no geral poderia ser muito melhor. Participação mais que especial do Cartola.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

BONITINHA, MAS ORDINÁRIA

Título Original: Bonitinha, Mas Ordinária
Diretor: J.P. de Carvalho
Ano: 1963
País de Origem: Brasil
Duração: 106min

Sinopse: Um industrial oferece dinheiro a um de seus empregados para que ele se case com sua filha de 17 anos, vítima de uma curra. O rapaz, indeciso entre o enriquecimento fácil e a fidelidade aos seus sentimentos por uma jovem de sua classe social, a qual será envolvida pelo mundo inescrupuloso dos ricaços, desmascara a ingenuidade da menina oferecida.

Comentário: Tenho um amigo que sempre diz que todas as respostas para a vida estão no filme Magnólia, bem, não discordo dele, mas eu sempre digo que todas as respostas para a sociedade brasileira estão no Bonitinha, Mas Ordinária e quero ver quem vai discordar de mim. Cinismo, ganância, opressão social, elitismo, machismo, racismo e eu posso ficar aqui colocando adjetivos a noite inteira. Não conhecia essa versão de 1963 e gostei muito, Odete Lara (que nos deixou neste ano de 2015) é de longe a melhor Ritinha de todas as versões e coloca a Vera Fischer no chinelo, portanto esta versão tem coisas melhores e piores com relação a seu remake de 1981 (a versão mais recente eu nem tenho vontade de ver). Jece Valadão atuou, produziu e escreveu o roteiro, parece ter se entregado bastante ao filme com uma atuação que não achei ótima, nem ruim, mas competente. Nelson Rodrigues é mestre, mas quem me conhece sabe que sou suspeitíssimo pra falar, pois adoro esta obra dele, só não dou nota máxima porque teve algumas interpretações forçadas como a da Lia Rossi que não me convenceram.


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

VIDAS SECAS

Título Original: Vidas Secas
Diretor: Nelson Pereira dos Santos
Ano: 1963
País de Origem: Brasil
Duração: 100min

Sinopse: Baseado na obra de Graciliano Ramos, mostra a saga da família retirante pressionada pela seca no sertão brasileiro. Fabiano, Sinhá Vitória, o filho mais velho e o mais novo, além da cachorra Baleia, atravessam o sertão tentando sobreviver.

Comentário: A direção de Nelson Pereira dos Santos é simplesmente maravilhosa, impressiona muito, mas o filme tem seus altos e baixos. Não pude deixar de comparar com o filme A Ilha Nua de Kaneto Shindō lançado dois anos antes, o filme japonês parece ser irmão deste brasileiro, mas superior exatamente por ser mais contemplativo e menos interativo. O filme podia ter bem menos diálogos, como no livro, e os diálogos que tem parecem não convencer muito bem, tem horas que os atores trabalham muito bem sim, ao final do filme podemos ver que o ator Átila Iório é um puta ator, mas me parece que em outras cenas faltou um pulso firme da direção cobrando melhores interpretações, mas isto é o de menos. Podemos ver aqui o cinema brasileiro não devendo em nada para o cinema de vanguarda europeu. Interessante lembrar que neste ano de 1963 o Brasil estava em alvoroço sobre as ideias de reforma agrária discutidas pelo presidente João Goulart, assunto este que foi determinante para o golpe que viria no ano seguinte.


terça-feira, 4 de agosto de 2015

TOCAIA NO ASFALTO

Título Original: Tocaia no Asfalto
Diretor: Roberto Pires
Ano: 1962
País de Origem: Brasil
Duração: 109min

Sinopse: A trama do filme se desenrola em Salvador e gira em torno de um político jovem e idealista que os adversários se esforçam por eliminar. Agildo Ribeiro, deixando de lado o humor, adota postura como o matador, vítima da consciência e do emblemático círculo fatal que o envolve, ao lado de Araçary de Oliveira, a namorada.

Comentário: Roberto Pires me surpreendendo de novo, depois de A Grande Feira, este filme é um tapa na cara da sociedade brasileira e não poderia ser mais atual. É triste ver que em mais de cinquenta anos nada mudou por aqui. Agildo Ribeiro está ótimo no filme e Araçary de Oliveira arranca suspiros. A única critica é que enquanto uma parte do elenco está ótima, outra parece amadora, com interpretações forçadas e estereotipadas. Adriano Lisboa faz um policial galhofa tosco pra caramba e Geraldo Del Rey tenta interpretar um mocinho sem perder seus vícios de interpretar vilões. Angela Bonatti está bem no papel e tenta ser uma Monica Vitti no meio da trama, sem pretensões ela até que consegue. A trama é muito boa, te envolve bem e apesar de alguns clichês o filme cumpre muito bem o que promete.


terça-feira, 14 de julho de 2015

PORTO DAS CAIXAS

Título Original: Porto das Caixas
Diretor: Paulo Cézar Saraceni
Ano: 1962
País de Origem: Brasil
Duração 75min

Sinopse: O filme baseia-se em crime ocorrido no município de Itaboraí, no estado do Rio de Janeiro. Uma mulher muito pobre, maltratada por um marido ignorante e bruto, resolve assassiná-lo, e para conseguir quem faça isso, utiliza seus encantos femininos.

Comentário: A direção de Saraceni é simplesmente espetacular, o clima claustrofóbico e as músicas de Tom Jobim casaram com o filme como uma luva. A sinopse está meio estranha para o filme, não que o marido seja flor que se cheire, mas a protagonista está longe de ser uma santa. Manipuladora e maquiavélica, consegue cativar qualquer um, até o telespectador. Minha única critica é as atuações, são meios forçadas, tirando o Reginaldo Faria que faz um papel coadjuvante, mas mesmo não sendo uma Brastemp, Irma Álvarez (protagonista) consegue cativar mesmo intercalando alguns bons momentos de interpretação e outros nem tanto. Desfecho simplesmente perfeito, não podia ter terminado melhor.


terça-feira, 30 de junho de 2015

OS CAFAJESTES

Título Original: Os Cafajestes
Diretor: Ruy Guerra
Ano: 1962
País de Origem: Brasil
Duração: 90min

Sinopse: Jovem playboy preocupado com a falta de dinheiro quando seu pai está a ponto de ir à falência, recruta um cúmplice, prometendo a este um carro se ele ajudar em seu esquema de chantagem. Eles atraem a amante do tio até uma praia deserta e a fotografam nua. O playboy planeja extorquir dinheiro de seu tio rico com as fotos, mas as coisas não acontecem como o planejado.

Comentário: O filme é famoso por mostrar o primeiro nu frontal do cinema brasileiro, mas tem vários outros pontos que merecem comentário. Primeiramente, a direção de Ruy Guerra é fantástica, faz do filme uma nouvelle vague que não fica devendo em nada pra qualquer filme francês da época. Tomadas magníficas, sendo a famosa cena de nu frontal, com Norma Bengell (Não sei porque está Benguel no cartaz), apenas uma delas. Outro ponto é o descaramento do subversivo, que deve ter chocado muita gente na época, como os personagens fumando maconha em vários momentos. Norma Bengell está deslumbrante, trabalha bem e tal, mas pra mim, quem rouba a cena é Lucy de Carvalho: que mulher é essa minha gente? Uma pena que tenha feito tão poucos filmes, tentei pesquisar e não achei quase nada sobre ela. Já tinha chamado minha atenção em Barravento, mas não como aqui. O filme se perde em alguns pontos, algumas partes confusas e cenas forçadas, mas nada que o estrague.


quinta-feira, 28 de maio de 2015

O PAGADOR DE PROMESSAS

Título Original: O Pagador de Promessas
Diretor: Anselmo Duarte
Ano: 1962
País de Origem: Brasil
Duração: 91min

Sinopse: Zé do Burro põe-se a cumprir uma promessa e doa metade de seu sítio, para depois começar uma caminhada rumo a Salvador, carregando nas costas uma imensa cruz de madeira. Mas a via crucis de Zé ainda se torna mais angustiante ao ver sua mulher se engraçar com o cafetão (Geraldo Del Rey) e ao encontrar a resistência ferrenha do padre Olavo (Dionísio Azevedo) a negar-lhe a entrada em sua igreja, pela razão de Zé haver feito sua promessa em um terreiro de macumba.

Comentário: O Glauber Rocha pode dizer que "não provoca a menor reflexão" ou o Walter Lima Jr podem fala que "a peça em que se baseia é rudimentar como construção dramática e pouco significativa no desperdício de uma boa ideia", a verdade é que pra mim parece recalque, o filme é um dos melhores nacionais sim e merece todo o prestígio que tem. Lançado durante o governo do Jango, com uma enorme crise política ocorrendo que culminou no golpe militar, O Pagador de Promessas veio pra trazer muita reflexão, sobre a igreja e religião, sobre mídia e seu papel em gerar pânico, sobre a condição humana e tantas outras coisas. Não posso dizer que me lembro de ter assistido um filme nacional melhor do que este, mas posso estar exagerando sim. Havia assistido há uns dez anos atrás, reassistir só fez eu gostar ainda mais do filme, sem querer entrar se a Palma de Ouro foi merecida ou não é um baita filme. Triste ver que o cinema nacional foi ladeira abaixo, depois do golpe de 1964, e está tentando se reconstruir até hoje. As atuações começam meio mornas, mas vão crescendo muito conforme o filme vai transcorrendo. Geraldo Del Rey faz um dos maiores filhos da puta da história do cinema. Um filme obrigatório, que não fica devendo em nada pra nenhum outro país, afinal de contas, ganhou o Palma de Ouro em cima dos O Anjo Exterminador (Buñuel), O Eclipse (Antonioni), Cléo das 5 às 7 (Varda) e Longa Jornada Noite Adentro (Lumet). Cena final mais que espetacular, e que trás uma reflexão super atual para os dias de hoje, frente a um povo tão apático como os brasileiros e aos absurdos perpetrados pela câmara dos deputados de Cunha. Até quando o povo vai ficar estagnado frente aos calvários impostos a tantos Zés que tem por aí?


sexta-feira, 8 de maio de 2015

O ASSALTO AO TREM PAGADOR

Título Original: O Assalto ao Trem Pagador
Diretor: Roberto Farias
Ano: 1962
País de Origem: Brasil
Duração: 102min

Sinopse: Tião Medonho, um dos criminosos mais perigosos do Rio de Janeiro, liderou, atacou e assaltou o trem pagador da Central do Brasil, seguindo ordens do misterioso Grilo, explodindo os trilhos com dinamite. Armados de revólveres e metralhadoras, seis assaltantes levaram 27 milhões de cruzeiros e mataram um homem. Para não levantar suspeitas eles decidem gastar apenas dez por cento do valor roubado, mas nem tudo corre tão bem quanto o planejado...

Comentário: É um baita filme, mas não é melhor que o Cidade Ameaçada do mesmo diretor. O filme se perde em alguns momentos e o desfecho não me agradou muito, o filme se arrasta um pouco no final e em alguns momentos pela metade. Há atores ótimos e outros nem tanto, Luiza Maranhão não parece estar tão à vontade com o papel como nos filmes anteriores (A Grande Feira e Barravento), mas no geral o filme cumpre o prometido e consegue se destacar bastante. 1962 foi um ano bom para o cinema nacional, com filmes acima da média em todos os gêneros. Reginaldo Faria consegue outra ótima atuação aqui, a cena em que ele coloca o dedo na ferida da sociedade preconceituosa e racista da época (que infelizmente não é exclusividade só daquela época, né?) é uma das melhores em todo o filme. Vale lembrar que o filme é somente baseado em uma história real (a história do Trem Pagador que foi assaltado), mas todo seu enredo e desenrolar é pura ficção.


quarta-feira, 8 de abril de 2015

O 5º PODER

Título Original: O 5º Poder
Diretor: Alberto Pieralisi
Ano: 1962
País de Origem: Brasil
Duração: 99min

Sinopse: Uma potência estrangeira tenta desestabilizar o Brasil através da propaganda subliminar, que pode atingir o inconsciente das pessoas por meio de artefatos eletrônicos. Um jornalista começa a investigar uma série de fatos e descobre os responsáveis pelos distúrbios.

Comentário: O filme é bem interessante, pode ter algumas coisas forçadas, pontas soltas e coisas do tipo, mas impressiona com as coincidências de fatos. Quem iria pensar que dois anos depois deste filme o Brasil sofreria um golpe militar financiado pelos Estados Unidos? (uma potência estrangeira como no filme). E quem iria imaginar que ainda nos dias de hoje seríamos uma nação comandada pela mídia (vai me dizer que você acha que a Rede Globo não faz uma bela de uma lavagem cerebral na maioria da população?). Isto por si só aumenta bastante o grau de importância do filme. Uma pena que a única cópia disponível esteja com legendas fixas em inglês, é uma vergonha que nossa obra e cultura tenha que ser salva do ostracismo pelos americanos e não pelo povo brasileiro. Ah, já ia esquecendo de elogiar a Eva Wilma, sempre uma musa suprema do cinema nacional nos anos 60. Um fato interessante sobre o filme é a rixa que gerou entre o roteirista e produtor Carlos Pedregal (de origem espanhola) e do diretor Alberto Pieralisi (italiano), o primeiro não estava gostando do clima sério e sem ação que o diretor estava seguindo e resolveu falar com Pieralisi que decidiu se afastar. Eva Wilma interveio e disse que não seria dirigida por outro diretor, fim da história: Pieralisi dirigiu as cenas com Eva Wilma e Pedregal (que não consta nos créditos como diretor) dirigiu as cenas sem Eva Wilma. Pieralisi quis dividir os créditos quando o filme começou a ganhar notoriedade, mas ficou por isto mesmo. A embaixada americana tentou impedir Pedregal de filmar devido ao tema de mensagens subliminares, ele vendeu quase tudo que tinha pra terminar o longa. Um filme vergonhosamente esquecido, que merecia um lugar de destaque nas grandes produções brasileiras.


quinta-feira, 5 de março de 2015

CINCO VEZES FAVELA

Título Original: Cinco Vezes Favela
Diretores: Marcos Farias, Miguel Borges, Joaquim Pedro de Andrade, Carlos Diegues & Leon Hirszman
Ano: 1962
País de Origem: Brasil
Duração: 91min

Sinopse: Cinco histórias com a visão de diferentes diretores sobre a favela, mostrando um retrato definitivo das pessoas que ali viviam no começo da década de 60. Em "Um Favelado" conta a história de um desempregado que sem dinheiro, arquiteta um plano para poder pagar o barraco onde vive. Em "Zé da Cachorra" um latifundiário quer de volta suas terras, onde está instalada uma favela. Um favelado luta contra a passividade de uma comissão de moradores, que estão aceitando a situação desfavorável que lhes foi imposta. Em "Couro de Gato" crianças caçam gatos a fim de usar seu couro para fabricar tamborins, que serão usados no carnaval. Em "Escola de Samba Alegria de Viver" o presidente do grêmio recreativo, divide-se entre lutar pela sua categoria ou aceitar as imposições comerciais do carnaval. Em "Pedreira de São Diogo" sobre uma pedreira há uma favela. Ao perceberem o risco de desabamento dos barracos, em consequência das explosões de dinamite, os operários incitam os moradores a iniciar um movimento de resistência para impedir um acidente fatal.

Comentário: Como são cinco histórias diferentes é difícil manter o mesmo nível em todas. As melhores pra mim são "Couro de Gato" (de Joaquim Pedro de Andrade) que consegue comover de maneira simples, e "Pedreira de São Diogo" (de Leon Hirszman) que é uma aula de cinema, excelente sequência. As histórias "Um Favelado" e "Zé da Cachorra" são medianas, a primeira (de Marcos Farias) cai um pouco no clichê e não acrescenta muito ao filme, enquanto a segunda (de Miguel Borges) gostei bastante, mas poderia ser bem mais desenvolvida, parece que ficou faltando algo (mas entendo a falta de tempo pro desenvolvimento, senão viraria um filme só sobre ela). "Escola de Samba Alegria de Viver" (de Carlos Diegues) é a mais chata, parece não sair muito do lugar, cansa e é mal desenvolvida. No geral é um filme que vale a pena ser assistido, tanto pelas histórias quanto pela visão documental da época.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

BOM MESMO É CARNAVAL

Título Original: Bom Mesmo é Carnaval
Diretor: J.B. Tanko
Ano: 1962
País de Origem: Brasil
Duração: 86min

Sinopse: Uma importante figura de uma pequena cidade do interior apadrinha a eleição de um 'amigo do peito' para a prefeitura. Às vésperas da eleição, vítima de uma série de manobras de seus inimigos políticos e de sua própria índole carnavalesca, é obrigado a relegar seus princípios rígidos e pactuar com a evolução política da pequena cidade.

Comentário: Como hoje é uma terça feira de carnaval os dois filmes postados serão temáticos a este feriado bem brasileiro. Uma divertida comédia com Zé Trindade, um roteiro amarrado com várias atrapalhadas que vão virando uma bola de neve. Deu pra dar boas risadas e relembrar o carnaval em uma época que era um pouco mais inocente, nos clubes com as encantadoras vedetes. Falando em vedetes, o filme até que merecia uma nota seis, mas ganhou um ponto a mais pela presença da Anilza Leoni que está belíssima e ótima no papel da professorinha que arranca suspiros da população. Uma ótima pedida pra embalar no carnaval. E uma ótima alfinetada na sociedade conservadora da época, que se chocava até se você mostrasse o umbigo.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

BARRAVENTO

Título Original: Barravento
Diretor: Glauber Rocha
Ano: 1962
País de Origem: Brasil
Duração: 77min

Sinopse: Numa aldeia de pescadores de xeréu, cujos antepassados vieram da África como escravos, permanecem antigos cultos místicos ligados ao candomblé. Firmino (Antônio Pitanga) é um antigo morador, que foi para Salvador na tentativa de escapar da pobreza. Ao retornar ele sente atração por Cota (Luíza Maranhão), ao mesmo tempo em que não consegue esquecer sua antiga paixão, Naína (Lucy Carvalho), que, por sua vez, gosta de Aruã (Aldo Teixeira). Firmino encomenda um despacho contra Aruã, que não é atingido. O alvo termina sendo a própria aldeia, que passa a ser impedida de pescar.

Comentário: Um grande filme do cinema nacional, ainda hoje tem uma força tremenda, sugiro pra todos os que criticam abertamente o sistema de cotas, pois este filme mostra bem a tremenda barbárie que fizemos com os negros do nosso país, a opressão e escravismo que ainda dura por este povo brasileiro tão sofrido que está vivendo como pode por aí. Um retrato da cultura baiana e do candomblé, a superstição e devoção de uma cultura tão diferente da maioria que povoa este misto cultural que é o Brasil. O filme pode cansar em algumas partes, se estender demais em algumas cenas, mas é arte. Antônio Pitanga trabalhando mal, coitado, de todo o elenco quem chama realmente a atenção é Luíza Maranhão, que já havia brilhado em A Grande Feira, mas aqui consegue despontar ainda mais, uma das atrizes negras mais lindas que passou pelo cinema nacional e a primeira a estampar uma capa de revista em circulação nacional. O personagens são interessantes pra caramba, você consegue concordar e odiar Firmino, ter pena e dizer bem feito pra Aruã, se importar e querer ajudar Cota. Naína é a que passa mais despercebida em todo o filme na minha opinião. O filme conta ainda com a participação do grande Nelson Pereira dos Santos como editor. Era o cinema nacional dando seus primeiros passos rumo ao brilhantismo, vale a pena.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

A ILHA

Título Original: A Ilha
Diretor: Walter Hugo Khouri
Ano: 1962
País de Origem: Brasil
Duração: 112min

Sinopse: Um milionário convida um grupo de amigos para um fim de semana numa ilha onde, dizia uma lenda, havia um tesouro. Mas uma tempestade leva o barco embora, e aquelas pessoas ficam isoladas do mundo. Logo elas começam a revelar sua verdadeira natureza.

Comentário: Um filme sensacional, creio que é a obra prima do Khouri. Uma pena o cinema nacional ser tão ignorado pela preservação cultural do país, consegui uma cópia horrível com o som quase inaudível, precisei ter bastante paciência e atenção para entender a maioria dos diálogos. Dizem que o filme tem bastante relação com A Aventura do Antonioni, realmente existe algumas coisas que travam um diálogo com o filme italiano, mas não acho que seja tudo isso que falam, preferi este (porém A Aventura é o filme que menos gosto do Antonioni). Achei muito bem estruturado e vários personagens são bastante interessantes no contexto do filme. Infelizmente este é o último filme de Lyris Castellani, que desapareceu fugindo do estrelado depois de sua realização, acho de longe ela a personagem mais interessante aqui, extremamente estourada, sem muito pudores, achei que poderia ter mais destaque e ser melhor trabalhada, pois cada cena com ela é de encher os olhos, conseguiu ofuscar até Eva Wilma. Restauração dos filmes nacionais antigos já!


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

UM CANDANGO NA BELACAP

Título Original: Um Candango na Belacap
Diretor: Roberto Farias
Ano: 1961
País de Origem: Brasil
Duração: 99min

Sinopse: Um casal do show business de Brasília se une, por amor e arte, a uma dupla carioca, abre uma boate no Rio de Janeiro e enfrenta os golpes baixos de um competidor desonesto.

Comentário: Não é o melhor filme da supla Grande Otelo e Ankito, ainda prefiro o Pistoleiro Bossa Nova, mas é um filme bem legal. Foge um pouco do estilo dos filmes do Roberto Farias (o irmão do ator Reginaldo Faria que dirigiu Cidade Ameaçada e O Assalto ao Trem Pagador), mas ele consegue segurar muito bem o filme e fazer um ótimo trabalho. Grande Otelo foi um grande ator e merece todo o prestígio que teve, mas em compensação eu prefiro o Ankito, que tem talento pra dar e vender e foi bem esquecido merecia mais reconhecimento, pois é um dos melhores atores do gênero pelo final dos anos 50 e início dos 60. Infelizmente, durante as filmagens deste filme Ankito sofreu um acidente grave caindo de um prédio em construção, isso acarretou na perda de algumas habilidades acrobatas que praticamente encerrou sua carreira no cinema. Marina Marcel está linda, não consegui informações do porque este é o último filme dela. Boa diversão, recomendo.


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

TRÊS COLEGAS DE BATINA


Título Original: Três Colegas de Batina
Diretora: Darcy Evangelista
Ano: 1961
País de Origem: Brasil
Duração: 108min

Sinopse: Frei Martinho, decano de um convento de frades no Rio de Janeiro, luta pela urbanização de uma favela. O bondoso homem quer transformar os morros em locais decentes e luta com grandes dificuldades para que construam sólidas casas de tijolos. Três padres resolvem ajudar a arrecadar dinheiro para as obras cantando em casas noturnas escondidos de seus companheiros de convento.


Comentário: Segundo filme que assisto do Trio Irakitan, conjunto musical fundado na década de 50 e que ficaram muito famosos e chegaram a participar de 18 filmes até 1965 até o infeliz suicídio de Edson Reis de França (que interpreta neste filme o Padre Jeremias). O grupo canta bem, interpreta bem e tem carisma, foi realmente uma pena a fatalidade que ocorreu. O filme anterior, Virou Bagunça, é melhor, mas este não fica muito atrás não. A história é bem amarrada, a discussão social onde os ricos só pensam em dinheiro enquanto o povo do morro morre de fome não deixa de ser bastante atual (Não que se passe fome como naquela época, mas o fechar os olhos da alta sociedade para os problemas sociais dos pobres é algo que infelizmente sempre vai existir). Um bom filme nacional, que proporciona boas risadas e modestamente bem feito, até o som, que era um grande problema técnico dos filmes nacionais da época, não está tão ruim.