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quarta-feira, 20 de agosto de 2025

NÃO LAMENTO MINHA JUVENTUDE

Título Original: Waga Seishun ni Kuinashi
Diretor: Akira Kurosawa
Ano: 1946
País de Origem: Japão
Duração: 110min
Nota: 9

Sinopse: A filha de um professor universitário politicamente desonrado luta para encontrar um lugar para si no amor e na vida, no mundo incerto do Japão, antes da Segunda Guerra Mundial.
 
Comentário: Que filmaço! Um Kurosawa que nunca tinha ouvido falar e que surpresa incrível ver que o mestre já era tudo aquilo desde o começo da carreira. Pensar que foi lançado já no ano seguinte da explosão das bombas atômicas no Japão, vemos aqui que o país reconstruiu muito rapidamente seu cinema diferente da Alemanha. A história é contagiante, os personagens envolventes e a crítica política do diretor é certeira. Podemos ver como a velha e boa "perseguição aos esquerdistas" consegue levar uma nação inteira direto para o precipício, me espanta que os povos do mundo ainda caiam nessa ladainha depois de tudo que já vimos no passado. Setsuko Hara, a protagonista, dá uma aula incrível e leva o filme todo nas costas fácil. Recomendadíssimo!

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

GILDA

Título Original: Gilda
Diretor: Charles Vidor
Ano: 1946
País de Origem: EUA
Duração: 110min
Nota: 8

Sinopse: Um apostador contratado para trabalhar em um cassino de Buenos Aires descobre que a nova esposa de seu chefe é seu antigo amor.
 
Comentário: Indicado ao Grande Prêmio do Festival de Cannes (ainda não existia a Palma de Ouro nessa época). O filme é recheado de um machismo misógino que faz com que o filme não tenha envelhecido tão bem, portanto é preciso deixar isto de lado para aproveitar a sessão. Rita Hayworth está deslumbrante (falar mais sobre isso seria redundante), cativa e merecia uma indicação ao Oscar pela entrega ao papel, mas naquela época as indicações eram mais para papéis melodramáticos. Tive vários gatilhos da minha vida que não vêm ao caso, mas já cheguei a ter uma planta que cuidei por mais de vinte anos com o nome de Gilda por conta deste filme, enfim... demoraria demais para explicar aqui (hahahaha). Glenn Ford está ótimo, e a direção de Vidor é perfeita. Um filme, que mesmo com os defeitos para os padrões de hoje ainda é muito bom de se assistir, a nota continua alta.



segunda-feira, 6 de setembro de 2021

CRISE

Título Original: Kris
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1946
País de Origem: Suécia
Duração: 93min

Sinopse: Nelly, uma jovem de 18 anos, vive com a mãe adotiva numa cidade do interior da Suécia. Tudo muda quando sua verdadeira mãe, proprietária de um salão de beleza em Estocolmo, aparece decidida a levá-la para a cidade grande. Encantada com as posses da mãe, Nelly decide acompanhá-la a Estocolmo, onde conhecerá o lado sombrio da natureza humana. Baseando-se na peça teatral dinamarquesa Coração de Mãe, Bergman realizou um melodrama que reflete a influência do existencialismo, em voga na época, e do realismo poético do francês Marcel Carné (O Boulevard do Crime).

Comentário: Primeiro filme do Bergman, já havia assistido, mas resolvi ver de novo para escrever esta resenha. O filme continua tão bom quanto da primeira vez que eu assistir, uma excelente estreia, pode não ser tão bom quanto alguns que ele realizou depois já no início de carreira, mas trás algumas reflexões bem interessantes.  O sentimento da mãe adotiva que não sabe se age por amor ou egoísmo nos faz pensar em nós mesmos em alguns momentos da vida, mas para mim o personagem de Jack (interpretado muito bem por Stig Olin) é o grande trunfo do filme: ele nos é apresentado como um possível vilão aproveitador quando na verdade vai na contramão de todos os paradigmas deste tipo de personagem, ele está longe de ser um santo, mas é fiel a quem é. Quase um Puck shakespeariano. Única coisa que me incomodou um pouco foi que a personagem de Nelly podia ter um pouco de mais destaque em alguns momentos que parece um pouco apagada.


domingo, 5 de julho de 2020

CHOVE SOBRE NOSSO AMOR

Título Original: Det Regnar På Vår Kärlek
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1946
País de Origem: Suécia
Duração: 95min

Sinopse: Um jovem casal tenta ultrapassar as barreiras que a vida lhe impõe. Ela está grávida e ele acabou de ser libertado da prisão. Ambos não têm onde morar, porém decidem unir forças e encontram uma pequena casa para passar a noite. O proprietário inicialmente ameaça chamar a polícia, mas acaba os aceitando como inquilinos. David começa a trabalhar em uma floricultura. Mas imprevistos e problemas não param de aparecer, e eles terão de lutar na Justiça contra a oposição da igreja, do patrão e toda a burocracia existente.

Comentário: Segundo filme de Bergman... E que filme! Simplesmente fantástico, uma verdadeira aula sobre várias coisas que não sei nem por onde começar. Sim, é verdade que é um filme menor de Bergman, mas carrega aqui uma bela bagagem de muita coisa que o diretor sempre tentou fazer com seus espectador: refletir sobre a vida. É triste pensar que muita coisa aqui poderia ser refilmada em 2020 sem mudar nada, já que a sociedade continua patética como na década de 40. Os atores trabalharam muito bem, a trama é super bem amarrada e o final é perfeito. O filme é uma mistura de coisas também, trás drama, romance, comédia e todo o misto de sentimento humano. Este filme, ao meu ver, já mostra o gigante que Bergman seria para o cinema.