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sábado, 27 de abril de 2024

O PEQUENO SOLDADO

Título Original: Le Petit Soldat
Diretor: Jean-Luc Godard
Ano: 1963
País de Origem: França
Duração: 88min
Nota: 9

Sinopse: Durante a guerra da Argélia por independência da França, um jovem francês que pertence a um grupo terrorista de direita e uma jovem que pertence a um grupo terrorista de esquerda se encontram e se apaixonam. A situação se complica quando o grupo terrorista suspeita que o rapaz é um agente duplo.

Comentário: O filme é tão intenso no que denunciava na época que foi censurado pela França só sendo lançado um par de anos depois. O filme é incrível, o personagem é grotesco em vários sentidos: egoísta, babaca, narcisista, chato (enfim, todas as qualidades básicas de um filiado de um partido de direita). Anna Karina está deslumbrante, cativa do momento que aparece ao último minuto em cena, fácil perder uma aposta em não se apaixonar. O último diálogo no apartamento dela entre os protagonistas é maravilhoso, mostra bem o que ambos defendem e de que lado estão (ele está do lado dele mesmo). O filme é intrincado, mas é genial. 



domingo, 27 de agosto de 2023

O SILÊNCIO

Título Original: Tystnaden
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1963
País de Origem: Suécia
Duração: 96min

Sinopse: Duas irmãs com dificuldades de relacionamento, Ester e Anna, e o filho de 10 anos de Anna viajam para a Europa Central à beira da guerra. Ester fica gravemente doente e os três se hospedam num hotel quase deserto onde elas se defrontam com o vazio existencial de suas vidas.
 
Comentário: Filme que fecha a famosa Trilogia do Silêncio de Bergman, Segunda vez que assisto e me surpreendi de não ter escrito um texto quando vi pela primeira vez, talvez pela complexidade. Também acho o mais fraco dos três, mas os outros dois são simplesmente perfeitos, então fica difícil querer comparar. Este é um filme muito bom para o que Bergman se propõe a fazer, o problema é que a narrativa não ajuda, deixando o filme meio difícil de assistir e arrastado, porém a construção das personagens são estratosfericamente das coisas mais perfeitas em toda a filmografia do diretor. Ester tem claramente problemas mentais que vão desde o controle que quer exercer na irmã e ao ciúmes incestuoso que sente por ela. Isso tudo provavelmente fragmentou Anna que explode em um comportamento caótico. Não reconheci o fantástico Birger Malmsten que volta aqui a trabalhar com o diretor. A parte técnica eu nem preciso falar, é Bergman, então é fantástica de se assistir. Há inúmeras camadas e dá para ficar percebendo coisas e mais coisas em entrelinhas, acho que o filme deveria se chamar "Incompreensão" e não "O Silêncio". Gunnel Lindblom finalmente ganha um papel onde pode brilhar.
 

terça-feira, 15 de agosto de 2023

O SONHO

Título Original: Ett Drömspel
Diretor: Ingmar Bergman
Ano: 1963
País de Origem: Suécia
Duração: 113min

Sinopse: A filha do deus Indra desce à terra para conhecer as condições de vida dos humanos em primeira mão. A primeira encenação de uma peça de Strindberg por Bergman.

Comentário: Mais um filme feito para a televisão por Bergman, confesso que não caiu muito no meu gosto. Achei que o filme se estendeu demais, acaba dispersando a atenção devido a linha narrativa mais experimental. Ingrid Thulin e Uno Henning estão muito bem em suas atuações e são os principais motivos que mantive o interesse. As partes com o advogado eu achei meio chata, mas como tudo que o Bergman toca é cheio de significados. Mesmo eu não tendo gostado muito há elementos muito bons que vale a pena. De resto achei tudo muito regular mesmo, muito abaixo do que o Bergman vinha produzindo nesta época. Nunca li nenhuma peça do Strindberg, então não posso fazer nenhuma comparação neste sentido com a adaptação, mas é interessante que mesmo que não tenha me prendido tanto eu fiquei com uma curiosidade em ler o material original.


quinta-feira, 18 de junho de 2020

O BOXEADOR E A MORTE

Título Original: Boxer a Smrt
Diretor: Peter Solan
Ano: 1963
País de Origem: Checoslováquia
Duração: 106min

Sinopse: Em um campo de concentração nazista, um prisioneiro aguardando a execução é poupado quando o comandante, um ex-lutador, descobre que ele tem conhecimento de boxe. Cada treino torna-se uma disputa entre a vida e a morte.

Comentário: Um filme bem interessando onde a opressão nazista é contada em um micro universo relacionado ao boxe. No começo o ator que faz o encarregado do campo de concentração não me convenceu nem um pouco como boxeador, mas no decorrer do filme isto para de importar. Uma direção e elenco afiados, mas é o compositor William Bukový que se destaca mais. Alguns atores coadjuvantes conseguem crescer muito em várias cenas, isto também chama bastante a atenção, é engraçado como o diretor monta alguns personagens, como o Willi, que parece ser gente boa e em momentos esquecemos que é um nazista. Uma alegoria do mundo real, cuidado com aquele cara que parece gente boa quando ele é um fascista. Um filme interessante para um estudo de poder e submissão.


sábado, 13 de junho de 2020

AS TRÊS MÁSCARAS DO TERROR

Título Original: I Tre Volti Della Paura
Diretor: Mario Bava
Ano: 1963
País de Origem: Itália
Duração: 96min

Sinopse: Nesta obra inesquecível, Mario Bava nos brinda com seu talento em três pequenos clássicos do cinema de horror. Em "O Telefone", uma mulher é atormentada por ameaças de um ex-amante que fugiu da prisão. No segundo episódio, "O Wurdulak", uma família aguarda o retorno do patriarca mas ele foi contaminado por um vampiro. No último episódio, "O Pingo D'Água", o espírito de uma condessa volta do além para cobrar um anel que lhe foi roubado nos preparativos de seu funeral. Com a participação do lendário Boris Karloff.

Comentário: O filme como um todo diverte, é como aqueles filmes do William Castle ou do Roger Corman. Baseados livremente em contos dos autores Anton Tchekhov, Aleksei Tolstoi e Guy de Maupassant, as três histórias tem pontos altos e pontos baixos e servem como se fossem três curtas, sem ligação nenhuma entre elas. A primeira história é a mais fraquinha, onde ela fica meio deslocada das outras, pois não apresenta nenhum fator sobrenatural, ponto alto é a atriz Michèle Mercier e um plot twist vagabundo. A segunda história é a mais elaborada, mas achei que se estendeu demais, porém tem mais pontos altos que baixos. A presença ilustre de Boris Karloff e ótimas tenções psicológicas funcionam bem, Susy Andersen tira suspiros de nossos olhos. A terceira é muito boa também e consegue acertar no ritmo, uma história simples e mais curta, sem enrolação, onde a parte técnica da direção de Bava se sobressai. Um filme mediano, mas que dá pra se divertir matando o tempo.


segunda-feira, 14 de maio de 2018

O CARDEAL

Título Original: The Cardinal
Diretor: Otto Preminger
Ano: 1963
País de Origem: EUA
Duração: 175min

Sinopse: Adaptação do romance de Henry Morton Robinson sobre o jovem Stephen Fermoyle, eclesiástico que está para se tornar Cardeal. Mas até que isso aconteça, ele terá de passar por várias provas - inclusive de fé.

Comentário: Confesso que estava com o pé atrás para assistir este filme, quase três horas, tema religioso, personagem principal é um padre... vamos combinar que não é meu estilo. Mas o filme me surpreendeu positivamente, o roteiro divide o filme em vários momentos: A primeira parte onde Stephen tem que lutar entre fé e razão, a segunda onde tem que cuidar de um pastor enfermo, depois quando resolve se afastar da igreja, seguindo para o problema racial americano e chegando finalmente no início da II Guerra Mundial. O filme narra toda a trajetória de vida do personagem, de noviço até cardeal, e por mais que a atuação de Tom Tryon não seja digna de nota nos anais cinematográficos, achei que ele cativa em vários momentos. Romy Schneider com um papel fraco, aparece bem pouco, podiam ter trabalhado melhor e aprofundado de maneira digna sua personagem. John Huston rouba a cena, sendo inclusive indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante e vencedor do Globo de Ouro pelo papel. Um filme bem feito, com algumas ótimas reflexões, mas vale lembrar que não se pode tratá-lo como uma história real, pois sabemos que a posição da igreja em relação ao nazismo não foi bem como demonstrada na película. Pensando no fato de distorções históricas, o filme acaba caindo bastante no meu conceito e ficando com uma nota mais baixa, e o diretor é bem famoso por distorcer fatos como já comentei no enfadonho Êxodo, achei este bem melhor que o melodrama de Israel, como entretenimento aconselho muito mais à assistir O Cardeal do que Êxodo, por exemplo.

SINFONIA DO MEDO

Título Original: Le Concerto de la Peur
Diretor: José Bénazéraf
Ano: 1963
País de Origem: França
Duração: 71min

Sinopse: Considerado como um "potboiler" (filme comercial) francês estrelado por Hans Verner e Jean-Pierre Kalfon como líderes de gangues rivais que se chocam pelo controle do comércio de narcóticos. Quadrilhas de traficantes parisienses estão lutando, levando a sequestros, espancamentos, assassinatos, traições e intrigas. Com uma participação maravilhosa do piston de Chet Baker e seu free-jazz.

Comentario: Um filme bem mais ou menos, a construção dos personagens, ou são clichês, ou são mal trabalhadas. Um apelo sexual completamente desnecessário para a história e uma diminuição das personagens femininas que não precisava acontecer, a personagem principal podia ter crescido muito se não fizesse somente o papel de tensão sexual entre personagens masculinos. Chet Baker salva o filme um pouco com sua música, com algumas sequências interessantes, mas é só isso, o filme não trás nada de novo, nem nada de bom que fique na memória. Daqueles filmes bem medianos que você não gosta nem desgosta.


segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

AS AVENTURAS DE TOM JONES

Título Original: Tom Jones
Diretor: Tony Richardson
Ano: 1963
País de Origem: Inglaterra
Duração: 129min

Sinopse: Tom Jones cresce como o filho de um cavalheiro inglês. Quando adulto, ele tem como seu grande amor Sophie Western, mas ao mesmo tempo não consegue resistir aos encantos de outras mulheres.

Comentário: O talento do diretor é indiscutível, mas este filme ganhar o Oscar em 1964 foi uma das coisas mais injustas e bizarras da história da Academia. O filme é bem mais ou menos, nos primeiros quarenta minutos não apresenta praticamente nada de interessante. Muito aquém dos outros filmes do diretor como Um Gosto de Mel ou A Solidão de Uma Corrida Sem Fim. Não que seja um filme ruim, longe disso, mas está muito longe de ser um filme memorável, tirando a cena em que ele come com a Sra. Waters, o restante do filme é feito de alguns momentos bons, mas outros bem razoáveis. Esperava bem mais.


O CASTELO ASSOMBRADO

Título Original: The Haunted Palace
Diretor: Roger Corman
Ano: 1963
País de Origem: EUA
Duração: 87min

Sinopse: Em pleno século XVIII, um feiticeiro, acusado de fletar com as forças do mal, é condenado à morte na fogueira pelos habitantes de um vilarejo na Nova Inglaterra. Antes de perecer nas chamas, amaldiçoa seus executores e jura vingança. Cem anos depois, um descendente do bruxo, chegando com a esposa è mesma vila para reivindicar a posse do castelo que pertenceu ao ancestral, trava contato com as forças maléficas do lugar.

Comentário: Baseado em um conto de H.P. Lovecraft e em um poema de Edgar Allan Poe, Roger Corman mescla os dois mestres do terror em um único filme. Vincent Price está, como sempre, soberbo e a música de Ronald Stein fazem deste filme uma bela peça na carreira do diretor. Os cenários também são ótimos. Fato interessante é que alguns diálogos foram escritos, por ninguém menos que, Francis Ford Coppola, mas o mesmo acabou não sendo creditado. Debra Paget e Cathie Merchant fazem uma briga acirrada de beleza. O filme se desenvolve perfeitamente em menos de uma hora e meia, sem encher linguiças ou cenas desnecessárias, muito bem conduzido.


quarta-feira, 26 de julho de 2017

ONTEM, HOJE E AMANHÃ

Título Original: Ieri, Oggi, Domani
Diretor: Vittorio De Sica
Ano: 1963
País de Origem: Itália
Duração: 115min

Sinopse: Três histórias sobre três mulheres diferentes e o homem o qual elas amam. Em Nápoles, Adelina (Sophia Loren) que é casada com Carmine (Marcello Mastroianni) um vagabundo, foi presa por contrabandear cigarros. Só que ela descobre que não pode ir para a cadeia enquanto estiver grávida. E agora, anos após e sete filhos depois, Carmine está "ligeiramente impotente" e a cadeia parece inevitável para Adelina que tenta "incentivá-lo" de todas as maneiras. Em Milão, Anna (Sophia Loren) dirige um Rolls Royce e está aborrecida ao lado de seu amante (Marcello Mastroianni). O casal discute e troca palavras hilariantes passando por uma série de contra-tempos engraçados. Mara (Sophia Loren) é uma garota de programa cujo encontro com o "ansioso" Augusto (Marcello Mastroianni) a todo instante é "interrompido" pelo vizinho, um seminarista cujo compromisso com a castidade está estremecido desde o momento em que a conheceu.

Comentário: Filme ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Particularmente prefiro muito mais quando o De Sica sai do realismo depressivo e encara o realismo leve e engraçado como neste filme. Tudo aqui agrada, as interpretações nem preciso falar (Já que Sophia e Marcello estão no meu top 5 atores preferidos), a direção, as histórias, as agulhadas no conservadorismo, tudo casa perfeitamente na proposta do filme. A primeira e a terceira história são perfeitas (Não sei dizer qual prefiro), com cenas engraçadíssimas, momentos eternos na história do cinema e Sophia Loren com sua beleza que me tira o fôlego a cada segundo em cena. Não canso de dizer que não existiu mulher mais bela na face da Terra. A segunda história tem como único defeito ser muito curta, portanto faltou um melhor desenvolvimento da situação e dos personagens, mas não tira a perfeição do filme.


sábado, 20 de maio de 2017

O ENCANTADOR MÊS DE MAIO

Título Original: Le Joli Mai
Diretor: Chris Marker
Ano: 1963
País de Origem: França
Duração: 146min

Sinopse: Maio de 1962, Chris Marker e sua equipe filmam a cidade de Paris, buscando uma maior proximidade com as pessoas da cidade. O documentário faz uma reflexão sobre o primeiro mês de paz, após sete anos de guerra na Argélia.

Comentário: Que documentário incrível, apesar de ter uma duração grande e apesar do começo você demorar um porquinho pra entrar nele, as reflexões e algumas linhas de pensamento são simplesmente epifânicas. Chris Marker é um puta diretor, já vale assistir ao filme só pelas imagens, a direção de arte é um prato cheio para os que apreciam a parte técnica. Destaque para as frases finais do filme e pro cara que comenta sobre a desvantagem deles de estar no passado em relação a quem está vivendo o futuro, parecia que ele estava dialogando com a gente aqui em 2017. Fica registrado aqui meu agradecimento a Lu, que traduziu este filme e que fez aniversário esta semana... meu parabéns atrasado pelo blog!


sábado, 29 de abril de 2017

TRANSPORTE DO PARAÍSO

Título Original: Transport Z Ráje
Diretor: Zbyněk Brynych
Ano: 1963
País de Origem: Checoslováquia
Duração: 92min

Sinopse: Um dia no cotidiano do Gueto de Terezín, na Checoslováquia, sob domínio nazista: o General Knecht chega para inspecionar as atividades do "gueto modelo", sobretudo o filme de propaganda que está sendo realizado para convencer o mundo em geral, e a Cruz Vermelha em particular, que os alemães tratam muito bem seus prisioneiros. A visita do General revela um pouco do funcionamento do gueto - o banco, as lojas de roupa, as triagens, as acomodações, a preparação da lista para o derradeiro transporte.

Comentário: O filme tem cenas maravilhosas, porém tem outras arrastadas, mas não tem como não pegar como um soco no estômago. O comportamento de alguns personagens, nazistas e judeus, com frases como "Como Ovelhas" se desenvolve a nossa frente em um micromundo com todas as nuances da realidade que choca, o gueto apresentado funciona como o barco no romance Moby Dick, há todos os tipos de pessoas representando o mundo, há judeus que trabalham para nazistas, há nazistas que parece ajudar os judeus, há o mal, há o bom e há o simplesmente existir. Alguns personagens poderiam ter um melhor desenvolvimento, mas como na vida real dos judeus que viveram no gueto, não houve tempo para isso, pois foi interrompido pelo transporte que saía do "paraíso".


segunda-feira, 6 de março de 2017

TOTÒ CONTRA OS QUATRO

Título Original: Totò Contro I 4
Diretor: Steno
Ano: 1963
País de Origem: Itália
Duração: 94min

Sinopse: O dia do chefe de polícia Saracino começa mal quando seu novo carro é roubado. Em seguida, em seu escritório, ele conhece Alfredo Fiori que acredita que sua esposa e seu amante, um veterinário, estão tentando matá-lo. Fiore tem uma testemunha: um papagaio! Durante seu dia de trabalho em busca de seu carro roubado, Saracino descobre os roubos do gestor personalizado Mastrillo, que tenta suborná-lo.

Comentário: Um filme bem mediano de Totò, a maior parte do tempo é uma gritaria, personagens fazendo aquela algazarra de berros bem no estilo almoço de família italiana (eu posso zoar porque é o típico almoço da minha família). Tem partes que são ótimas, mas o filme fica dando voltas e fica repetitivo, com algumas piadas iguais, como o personagem do Peppino De Filippo, que acho um baita ator sempre subaproveitado (Tá, talvez sempre não.). No geral é um dos filmes mais fracos do Totò, tem vários superiores a este.

sábado, 24 de dezembro de 2016

MINHA ESPERANÇA É VOCÊ


Título Original: A Child is Waiting
Diretor: John Cassavetes
Ano: 1963
País de Origem: EUA
Duração: 100min

Sinopse: Em uma escola para crianças excepcionais, uma professora novata e inexperiente (Judy Garland) entra em conflito com o diretor da instituição (Burt Lancaster), por causa de seu modo de educar um menino autista recém-abandonado pela família. Comovente denúncia do preconceito de grande parte da sociedade para com os portadores de deficiência mental, um drama que continua bastante atual.

Comentários: As pessoas falavam do Cassavetes, depois de assistir A Canção da Esperança não entendia porque, mas estava esperando que ele me surpreendesse mais pra frente, na sua fase menos comercial. Porém este filme já foi a surpresa que estava esperando, filme incrível, maravilhoso, emocionante e mais tudo de bom. Tendo o Stanley Kramer como produtor (diretor este que adoro) já esperava algo bom, mas não tão bom assim. A cena inicial é uma injeção de adrenalina direto no peito, Judy está ótima e o Burt eu sou sempre suspeito pra falar. Sem entrar no mérito do tratamento das crianças, que pode ser um pouco datado, mas não sou psicólogo, mas o filme se segura muito bem, sem cair no melodramático. No fim você não sabe quem é a esperança de quem, quem é que está ajudando quem, quem é o mais fodido mentalmente: um garoto autista que não entende o mundo ou uma mente sã que entende este mundo tão assustador? Vale muito! Dedico esta última postagem do ano a minha tia Míriam Elena que dedicou sua vida a essas crianças maravilhosas. 


segunda-feira, 21 de novembro de 2016

JURAMENTO DE OBEDIÊNCIA

Título Original: Bushidô Zankoku Monogatari
Diretor: Tadashi Imai
Ano: 1963
País de Origem: Japão
Duração: 122min

Sinopse: O jovem japonês Iikura encontra os diários dos seus antepassados, descobre que é descendente de uma antiga linhagem de samurais e que todos tiveram fins trágicos. Iikura reflete sobre o passado de sua família e o confronta com o seu presente através da lembrança dessas leituras.

Comentário: Um filme interessante, poucos conseguiram me deixar tão irritado e puto quanto este. Nunca havia notado, mas os samurais são os pobres de direita, os coxinhas, os imbecis que mantém um sistema intacto. Tantos filmes idolatram tanto os samurais, colocando-os em um patamar de honra e heroísmo e este é excelente pelo oposto, mostra o quão idiotas eles eram, o quão lambedores de sacos dos imperadores ou chefes dos clãs eles eram. Filme obrigatório pra ir contra o sistema, servindo como critica ao capitalismo e aos endinheirados de hoje, se mantendo absurdamente recente para os dias de hoje. Vencedor do Urso de Ouro do Festival de Berlim de 1963, quando o filme terminou não dei nota 10, tinha dado menos, conforme os dias foram passando a nota foi aumentando e o que o diretor quis passar foi se enraizando no meu cérebro.


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

A CARREIRA DE SUZANNE

Título Original: La Carrière de Suzanne
Diretor: Eric Rohmer
Ano: 1963
País de Origem: França
Duração: 55min

Sinopse: Bertrand (Philippe Beuzen) e Guillaume (Christian Charrière) são universitários em Paris. Guillaume se aproveita de Suzanne (Catherine Sée), uma jovem inocente, o que faz com que Bertrand despreze ambos: ele por se aproveitar, ela por se deixar enganar. Bertrand começa a desconfiar que Suzanne está interessada nele, mas ele sente-se atraído por Sophie (Diane Wilkinson), que não lhe dá a menor atenção.

Comentários: Segundo filme de uma série de seis em que o diretor intitulou como Seis Contos Morais. Preferi o primeiro filme (A Padeira do Bairro), porém este é bem mais complexo e mais trabalhado o que deixa injusto uma comparação. O personagem principal é um imbecil, o amigo dele é um escroto e Suzanne é uma idiota. A direção é ótima e o ritmo do filme é excelente até certo ponto, o final ficou a desejar, já que rola um anticlímax. Os atores trabalham super bem, mesmo que em todo o filme eu odiei todos eles, mas acho que era essa a intenção. Esperava mais do final, meio que decepcionou, deu mil voltas pra não se chegar a lugar nenhum, foi pelo menos esse o sentimento que ficou, mas os valores morais que estão no filme martelam na sua cabeça muito tempo depois de ter assistido.


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

FARSA TRÁGICA

Título Original: The Comedy of Terrors
Diretor: Jacques Tourneur
Ano: 1963
País de Origem: EUA
Duração: 83min

Sinopse: Waldo Trumbull (Vincent Price) é proprietário de uma funerária de poucos clientes. Ele é casado com Amaryllis (Joyce Jameson), que é frustrada por não conseguir ser cantora de ópera. O estranho assiste da funerária (Peter Lorre) é apaixonado por Amaryllis e um fugitivo ladrão de bancos. Trumbull precisa de dinheiro para pagar aluguel, então passa a matar pessoas a fim de conseguir clientes.

Comentário: O filme é uma comédia de humor negro bem no estilo em que Vincent Price está habituado. O trio Price, Lorre e Karloff, do filme O Corvo dirigido por Roger Corman, se repete neste e consegue manter o nível, mesmo achando o filme do Corman um pouco melhor (acho que por causa daquele combate de magia entre Price e Karloff). Boris Karloff podia ter tido um pouco mais de espaço no filme, que tem elementos shakespearianos a todo momento. Peter Lorre e Joyce Jameson são uma espécie de Romeu e Julieta bizarro, Boris Karloff é o Rei Lear maluco e negligenciado, Vincent Price e Basil Rathbone vivem uma espécie de MacBeth e Macduff como é comentado a todo momento em citações. O final é o que tem de melhor no filme. Diversão mais que garantida.


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

O DEMÔNIO

Título Original: Il Demonio
Diretor: Brunello Rondi
Ano: 1963
País de Origem: Itália
Duração: 94min

Sinopse: Depois de ser rejeitada pelo ex-amante, que vai se casar com outra, jovem mulher apela para rituais de magia com o objetivo de reconquistá-lo ou destruí-lo. Os habitantes da pequena cidade, no interior da Itália, começam a hostilizar a jovem acusando-a de bruxaria. A obsessão da jovem, porém, não tem limites obrigando a Igreja a intervir no caso que passa a ser considerado "possessão demoníaca". Novos fatos se sucedem agravando ainda mais a relação da jovem com a população local e com o ex-amante, culminando em uma tragédia.

Comentário: Pro Dia das Bruxas não passar em branco. Primeiramente vou falar os pontos positivos, que não são poucos, este filme serviu de referência pro cultuado O Exorcista, tem inclusive uma cena em que a atriz anda de quatro invertida. Falando na atriz, Daliah Lavi está espetacular, dava qualquer prêmio de atuação pra ela neste filme, dá pra perceber como ela se entregou ao papel. Há cenas maravilhosas, mas o filme tem um grande contra. Tratar ele como um filme "baseado em fatos reais" e citar inclusive documentos atestando a "veracidade" dos fatos foi um ato de extrema irresponsabilidade e beira até o ridículo. Quem atestou isto? Aqueles caipiras ignorantes? Não vi em nenhum momento uma mulher possuída, mas sim uma mulher abusada e torturada de várias formas psicológicas. O filme deveria trazer este tipo de discussão e não simplesmente tentar passar a mão na cabeça da igreja e tentar justificar as mulheres queimadas em fogueiras na Idade das Trevas. O filme poderia muito bem tratar sobre o sobrenatural, mas que tirassem aquela besteirada de "Baseado em Fatos Reais". Tirando isso, sem levar a sério o caso de "possessão demoníaca", o filme é ótimo e trás uma excelente discussão.


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

LANTERNAS VERMELHAS

Título Original: Ta Kokkina Fanaria
Diretor: Vasilis Georgiadis
Ano: 1963
País de Origem: Grécia
Duração: 130min

Sinopse: A história de várias prostitutas, seu dia a dia, pequenas alegrias, tragédias, amores e desilusões, vivendo sob o iminente perigo de que o governo grego decida fechar todos os bordeis, no porto de Pireu.

Comentários: O filme lembra um pouco o Adua e Suas Companheiras do realismo italiano, mas este se desenvolve um pouco melhor, que apesar de ter os seus dramalhões, consegue se controlar um pouco melhor que sua contraparte italiana. O elenco é ótimo, todas as garotas conseguem cativar o telespectador. A que eu estava mais torcendo é a que teve o final que menos gostei, talvez por isto o filme não tenha uma nota maior. A música composta por Stavros Xarhakos é maravilhosa e uma das melhores coisas do filme. Direção competente e um filme que passa voando, uma ótima reflexão para percebermos que por trás de cada ser humano reside um poço infinito de histórias e sentimentos.


terça-feira, 30 de agosto de 2016

17 NINJAS

Título Original: Jushichinin no Ninja
Diretor: Yasuto Hasegawa
Ano: 1963
País de Origem: Japão
Duração: 98min

Sinopse: Um dos maiores Shoguns da história do Japão, Tokugawa Hidetada, está prestes a falecer e só tem 20 dias de vida. Seu filho Tokugawa Tadanaga faz um pacto com a maioria dos Daimyo de Edo no sentido de evitar que seu irmão Tokugawa Iemitsu se torne o terceiro Shogun. No entanto ele não contava com 17 ninjas Igas sobreviventes da batalha de Osaka e que agora prestam serviço ao Shogunato.

Comentários: É um filme legal, que acaba engrenando mais da metade para o final. O começo é meio esquisito, umas baixas já nos primeiros minutos deixa você meio sem saber o que esperar do filme. O negócio começa a pegar mesmo na metade. A história é bem feita e o filme consegue cumprir bem seu papel, a trilha sonora é boa e a direção também é competente. Umas interpretações meio forçadas, mas que é típica desses filmes, principalmente do ninja malvadão interpretado por Jûshirô Konoe. O filme teve uma sequência em 1965 (17 ninjas 2: A Grande Batalha) com alguns atores voltando aos seus papéis, mas com um diretor diferente.