sexta-feira, 11 de novembro de 2016

JOE LIMONADA

Título Original: Limonádový Joe Aneb Konská Opera
Diretor: Oldrich Lipský
Ano: 1964
País de Origem: Checoslováquia
Duração: 95min

Sinopse: Escandalosa paródia dos faroestes clássicos de Hollywood, a comédia musical do diretor checo Oldrich Lipsky vale-se de seus trabalhos anteriores em animação para avacalhar e exagerar o "grande gênero" do cinema americano. Passada em Stetson City, a história começa com uma balbúrdia generallizada no Whisky Trigger Saloon (Bar Gatilho de Prata), de onde o malévolo Doug Badman controla a cidade e onde a cantora Tornado Lou sonha com um amor redentor. O ataviado Joe Limonada irrompe na cidade, trazendo a lei e a ordem - e a limonada Kolaloka - e salvando a virginal Winifred Goodman das garras do terrível Hogo Fogo.

Comentários: É um filme divertido, mas o Joe Limonada pra mim é o personagem mais capitalista já criado em um filme, que filho da puta, torci um pouco pra ele se dar mal! Entretêm muito bem e serve como uma homenagem a vários tipos de filmes (mudo, musical, faroeste, etc...). No final tudo fica meio sem pé nem cabeça, um pouco forçado demais, achei um pouco desnecessário. Mas todos trabalham muito bem, inclusive com uma atuação meia canastra proposital, tirando sarro mesmo de alguns clichês de filmes do gênero. Vale a assistida, é divertimento na certa. A direção é perfeita, tecnicamente é um filme que todo estudante de cinema deveria assistir.


ENTRE LAGARTOS

Título Original: Eén Hagedis Teveel
Diretor: Paul Verhoeven
Ano: 1960
País de Origem: Holanda
Duração: 31min

Sinopse: A bela Janine, apesar de paquerada por um colega, não consegue deixar de se sentir atraída pelo misterioso escultor que a toma por modelo. Nas mãos do artista, ela sente sua verdade ser reconhecida, sua face ser revelada enquanto atravessa uma transformação inexplicável. Mas para que uma criação ocorra, algo precisa ser destruído.

Comentários: Primeiro filme (média metragem) do diretor Paul Verhoeven, conhecido por filmes mais comerciais como Robocop ou Instinto Selvagem. Aqui podemos ver o controle impressionante que ele já demonstrava do cinema. O filme tem atores mais ou menos, mas que crescem nas tomadas do diretor. A parte em que Janine relata sua relação com o escultor é a melhor de todas e impressiona, é poesia pura, é aquilo que o cinema tem de melhor. Reflexivo e difícil, mas um ótimo começo para um diretor que iria voar alto (e algumas vezes baixo).


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

FARSA TRÁGICA

Título Original: The Comedy of Terrors
Diretor: Jacques Tourneur
Ano: 1963
País de Origem: EUA
Duração: 83min

Sinopse: Waldo Trumbull (Vincent Price) é proprietário de uma funerária de poucos clientes. Ele é casado com Amaryllis (Joyce Jameson), que é frustrada por não conseguir ser cantora de ópera. O estranho assiste da funerária (Peter Lorre) é apaixonado por Amaryllis e um fugitivo ladrão de bancos. Trumbull precisa de dinheiro para pagar aluguel, então passa a matar pessoas a fim de conseguir clientes.

Comentário: O filme é uma comédia de humor negro bem no estilo em que Vincent Price está habituado. O trio Price, Lorre e Karloff, do filme O Corvo dirigido por Roger Corman, se repete neste e consegue manter o nível, mesmo achando o filme do Corman um pouco melhor (acho que por causa daquele combate de magia entre Price e Karloff). Boris Karloff podia ter tido um pouco mais de espaço no filme, que tem elementos shakespearianos a todo momento. Peter Lorre e Joyce Jameson são uma espécie de Romeu e Julieta bizarro, Boris Karloff é o Rei Lear maluco e negligenciado, Vincent Price e Basil Rathbone vivem uma espécie de MacBeth e Macduff como é comentado a todo momento em citações. O final é o que tem de melhor no filme. Diversão mais que garantida.


O CANTOR E A BAILARINA

Título Original: O Cantor e a Bailarina
Diretor: Armando de Miranda
Ano: 1960
País de Origem: Portugal
Duração: 93min

Sinopse: O cantor português Luís Vidal desembarca no Rio de Janeiro, interessando-se por uma linda rapariga. Fotografa-a, mas apenas se distinguem as pernas da jovem, que Luís incumbe seu secretário, Camilo Pampanini, de 'identificar' na cidade... Trata-se da bailarina Natália Derval, com quem Luís vive um romance. Luís convence-a a ilustrar com bailados as suas canções, o que não agrada a Camilo, elaborando um plano de agitadas consequências.

Comentário: O filme é uma produção portuguesa, mas realizado no Brasil. Imaginem o Luciano Huck se apaixonando pela Angélica nos anos 60, é mais ou menos isso. Situações clichês, um romance bem água com açúcar que chega a parecer trama mal elaborada de novela Global. A única coisa que realmente salva o filme é a participação do Otelo Zeloni, conhecido por interpretar Pepino na saudosa Família Trapo. Tirando ele e suas situações cômicas o filme é bem meia boca. A beleza de Nancy Rinaldi é espontânea, convence, mas devia ser alguma bailarina profissional, pois não achei mais nenhuma participação dela em filmes (mas como atriz trabalhava bem ruim também).


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

O DEMÔNIO

Título Original: Il Demonio
Diretor: Brunello Rondi
Ano: 1963
País de Origem: Itália
Duração: 94min

Sinopse: Depois de ser rejeitada pelo ex-amante, que vai se casar com outra, jovem mulher apela para rituais de magia com o objetivo de reconquistá-lo ou destruí-lo. Os habitantes da pequena cidade, no interior da Itália, começam a hostilizar a jovem acusando-a de bruxaria. A obsessão da jovem, porém, não tem limites obrigando a Igreja a intervir no caso que passa a ser considerado "possessão demoníaca". Novos fatos se sucedem agravando ainda mais a relação da jovem com a população local e com o ex-amante, culminando em uma tragédia.

Comentário: Pro Dia das Bruxas não passar em branco. Primeiramente vou falar os pontos positivos, que não são poucos, este filme serviu de referência pro cultuado O Exorcista, tem inclusive uma cena em que a atriz anda de quatro invertida. Falando na atriz, Daliah Lavi está espetacular, dava qualquer prêmio de atuação pra ela neste filme, dá pra perceber como ela se entregou ao papel. Há cenas maravilhosas, mas o filme tem um grande contra. Tratar ele como um filme "baseado em fatos reais" e citar inclusive documentos atestando a "veracidade" dos fatos foi um ato de extrema irresponsabilidade e beira até o ridículo. Quem atestou isto? Aqueles caipiras ignorantes? Não vi em nenhum momento uma mulher possuída, mas sim uma mulher abusada e torturada de várias formas psicológicas. O filme deveria trazer este tipo de discussão e não simplesmente tentar passar a mão na cabeça da igreja e tentar justificar as mulheres queimadas em fogueiras na Idade das Trevas. O filme poderia muito bem tratar sobre o sobrenatural, mas que tirassem aquela besteirada de "Baseado em Fatos Reais". Tirando isso, sem levar a sério o caso de "possessão demoníaca", o filme é ótimo e trás uma excelente discussão.


O GRANDE MOTIM

Título Original: Mutiny on the Bounty
Diretor: Lewis Milestone
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 185min

Sinopse: Em 1787 o Bounty deixa Portsmouth com destino ao Taiti, para trazer o maior carregamento possível de fruta-pão. O capitão do navio (Trevor Howard) fica de tal forma obcecado em cumprir sua missão que, em virtude dos seus métodos extremamente rígidos, provoca um forte descontentamento na sua tripulação, o que acaba resultado em um motim.

Comentário: Um filme grandioso, com mais de três horas de duração, mas que confesso que não me pareceu tão grande, fiquei bastante entretido e passou até que rápido. Este filme é um remake do filme de mesmo nome do ano de 1935, teve ainda uma outra versão chamada por aqui de Rebelião em Alto Mar em 1984 com Anthony Hopkins e Mel Gibson, mas só assisti esta até agora. O filme também tem algumas cenas que foram dirigidas pelo legendário Carol Reed que não foi creditado. Sempre quis ver o Marlon Brando em um filme com o Richard Harris, já que considero os dois muito parecidos em suas atuações, donos de um enorme talento, mas o Harris fica meio em segundo plano, não dando pra ter um embate de interpretações entre ambos. As interpretações são ótimas, a direção é de encher os olhos e a história tem altos e baixos, mas mais altos que baixos. Brando voltando a atuar muito bem depois de alguns filmes que considero em que estava meio apático, é ele a alma do filme, mesmo Trevor Howard estando ótimo também. Um filme onde o clima de tensão só vai aumentando com um cenário maravilhoso.


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

LADY MACBETH SIBERIANA

Título Original: Sibirska Ledi Magbet
Diretor: Andrzej Wajda
Ano: 1962
País de Origem: Iugoslávia
Duração: 88min

Sinopse: No que pode ser chamado de noir Russo-Shakespeariano, um caso de adultério de uma mulher com um andarilho põe em movimento uma reação em cadeia de assassinatos e mentiras em um remoto vilarejo na Mtsensk do século 19.

Comentário: Com a recente morte do diretor Wajda, fiz questão de postar mais um filme dele por aqui. Este é um filme mais simples, porém bem intenso e com cenas incrivelmente bem dirigidas (citar a cena deles correndo na carroça ou dela lavando a escada só pra ficar em dois exemplos). Com várias referências Shakespearianas e com um elenco que se entrega muito bem ao papel, Wajda consegue nos brindar com outro filme muito bom, de produção iugoslava, fora de sua Polônia, não parece se intimidar em cutucar e provocar o telespectador, coisa que adorava fazer. Aquele típico filme que o personagem vai fazendo tanta cagada que uma hora você sabe que vai dar merda, roí todas as minhas unhas. Pode ser um filme bem menor do Wajda, se compararmos com sua filmografia, mas pra quem é fã acaba se tornando obrigatório também. Descanse em paz velho mestre.


UMA SAUDADE EM CADA ALMA

Título Original: Conspiracy of Hearts
Diretor: Ralph Thomas
Ano: 1960
País de Origem: Inglaterra
Duração: 113min

Sinopse: Freiras italianas na 2ª guerra mundial, durante a ocupação nazista, ajudam à contrabandear crianças judias através do convento para fora de um campo de concentração próximo. O oficial do exército italiano no comando suspeita do que pode estar acontecendo, mas deliberadamente faz vista grossa. Quando os alemães assumem a segurança do acampamento, as atividades das freiras tornam-se muito mais perigosas.

Comentários: O filme parece ser baseado em uma história real, mas pesquisando pela web descobri que não é, então achei bem interessante este clima que o diretor consegue captar de algo como "É, isto poderia ter acontecido!". Como italiano que sou, a primeira coisa que pensei foi "Este alemão idiota vai realmente achar que algum italiano vai se revoltar com uma freira? Sério mesmo?". O filme é muito bem feito, apesar de achar que no final fica um pouco embolado demais, mas no geral nos conduz muito bem durante todo o filme, o realismo que já comentei é bem impressionante. Parece ser um filme leve, e em algumas partes realmente é, mas ele vem com algumas voadoras surpreendentes quando não esperamos. Não é um filme indispensável, mas é um filme de qualidade que merece ser visto.


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

LANTERNAS VERMELHAS

Título Original: Ta Kokkina Fanaria
Diretor: Vasilis Georgiadis
Ano: 1963
País de Origem: Grécia
Duração: 130min

Sinopse: A história de várias prostitutas, seu dia a dia, pequenas alegrias, tragédias, amores e desilusões, vivendo sob o iminente perigo de que o governo grego decida fechar todos os bordeis, no porto de Pireu.

Comentários: O filme lembra um pouco o Adua e Suas Companheiras do realismo italiano, mas este se desenvolve um pouco melhor, que apesar de ter os seus dramalhões, consegue se controlar um pouco melhor que sua contraparte italiana. O elenco é ótimo, todas as garotas conseguem cativar o telespectador. A que eu estava mais torcendo é a que teve o final que menos gostei, talvez por isto o filme não tenha uma nota maior. A música composta por Stavros Xarhakos é maravilhosa e uma das melhores coisas do filme. Direção competente e um filme que passa voando, uma ótima reflexão para percebermos que por trás de cada ser humano reside um poço infinito de histórias e sentimentos.


O INTRUSO

Título Original: The Intruder
Diretor: Roger Corman
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 82min

Sinopse: A história retrata as maquinações de um racista chamado Adam Cramer (interpretado por William Shatner), que chega na pequena cidade fictícia do sul de Caxton, a fim de incitar a violência racial de moradores contra a minoria negra da cidade.

Comentários: Um ponto fora na curva da filmografia de Roger Corman, mas um tiro direto no alvo, talvez o melhor filme de toda a sua filmografia. O filme assusta pelo infeliz fato de continuar sendo atual, mostrando que o ser humano continua tão pequeno e ridículo como há mais de cinquenta anos atrás. William Shatner em um papel anterior ao Capitão Kirk, de Jornada nas Estrelas, demonstra talento, e consegue surpreender em um filme que coloca como protagonista o vilão que serve de espelho pro que há de pior na humanidade. Adoro os filmes do Corman, mas depois de ver este, penso que gostaria de ver ele saindo mais da sua zona de conforto e se arriscando mais em filmes como este.