quarta-feira, 18 de março de 2015

DESEJO QUE ATORMENTA

Título Original: Senilitá
Diretor: Mauro Bolognini
Ano: 1962
País de Origem: Itália
Duração: 106min

Sinopse: Angiolina é uma jovem proletária belíssima que na Trieste dos anos 20 leva a loucura com seu irresponsável e tortuoso amor ao aspirante a burguês Emílio, que perde a cabeça por ela e começa um processo senil em plena juventude, viajando aos abismos do inferno por sua desesperança.

Comentário: O filme só vale mesmo a assistida por causa da Claudia Cardinale que está belíssima e sempre consegue roubar o coração de qualquer um. O filme é um grande novelão, se arrasta tempo demais em um único assunto, a doença de amor não correspondido, tanto o personagem principal quanto sua irmã no filme só servem pra ficar martelando na mesma tecla. Ao meu ver o personagem de Emilio só serve pra fazer papel de idiota durante todo o filme. A direção é ótima, Bolognini consegue cenas estupendas, mas o filme como um todo é bem inferior a obra O Belo Antônio do diretor. Se não fosse pela Claudia Cardinale o filme não teria se segurado tanto, e estaria com uma nota inferior.


MORTOS QUE CAMINHAM

Título Original: Merrill's Marauders
Diretor: Samuel Fuller
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 98min

Sinopse: O General Frank D. Merrill conduz os 3.000 voluntários americanos de sua 5307 Composite Unit, conhecidos como "Merrill's Marauders" (na tradução algo como Os Saqueadores de Merrill), atrás das linhas japonesas através da Birmânia para Myitkyina, forçando todos além dos seus limites e lutando batalhas em todos os pontos fortes.

Comentário: Um filme fraco, estava esperando bem mais por ser um filme do Samuel Fuller, nem se compara ao seu anterior A Lei dos Marginais que entrou pra lista como um dos melhores filmes da década de 60 pra mim. A linha narrativa não foca em praticamente nenhum enredo, as duas coisas que realmente gostei do filme é do soldado com a jumenta e da cena em que outro soldado recebe um prato de arroz e começa a chorar. O filme fica o tempo todo mostrando soldado que não aguentam mais nada e de alguma maneira se levantam e continuam a guerrear, parece o Frodo com o Sam no final do Senhor dos Anéis. Aquela velha história de patriotismo tosco americano, "nossos soldados aguentam e cumprem a missão". A cena em que o soldado acha uma nativa machucada e a ajuda é digna de pena, na realidade ela seria estuprada por todo o batalhão (afinal foram mais de 100 mil alemãs estupradas pelos soldados americanos, né? Imagina o que fizeram na Ásia), mas é um filme americano, então os soldados são sempre retratados como bons moços e isto definitivamente não me desce goela abaixo.


sexta-feira, 13 de março de 2015

AINDA RESTA UMA ESPERANÇA

Título Original: A Kind Of Loving
Diretor: John Schlesinger
Ano: 1962
País de Origem: Inglaterra
Duração: 107min

Sinopse: Adaptado de um livro de Stan Barstow é o primeiro longa de John Schlesinger. Alan Bates é Vic Brown, jovem desenhista de uma fábrica que ama Ingrid Rothwell (June Ritchie). Uma noite em que a mãe da garota não está em casa eles fazem amor. A partir daí, Vic não sabe mais se quer ter um relacionamento sério enquanto Ingrid busca entender o que está acontecendo com ele.

Comentário: A direção e atuação são excelentes, não tem nada para criticar em relação a isto, mas definitivamente não foi um filme que me pegou. O título original, que fazendo uma tradução livre, seria algo como "Um tipo de amor" não demonstra amor nenhum do meu ponto de vista. Vic não ama Ingrid, já no começo da relação ele se cansa dela, enquanto Ingrid também não ama Vic, existe um sentimento juvenil de amor na cabeça dela (garota mimada). Tem partes que você odeia o Vic por não conseguir dizer na cara dela o que sente e tem outros momentos que você odeia Ingrid por não conseguir calar a boca e enxergar a realidade como ela realmente é. Será que toda mulher inglesa matraqueia desse jeito? Não aguentava uma semana. Da metade pro final o filme fica melhor, mas cai em um desfecho clichê bem comercial. É um tipo de amor fadado a dar errado na minha opinião. No geral é um filme regular, um romance água com açúcar que dá pra assistir de boa, que não é ruim, mas também não tem nada demais. Ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim, desbancando filmes muito melhores como Através de um Espelho, do Bergman.


GORATH - CHOQUE DE PLANETAS

Título Original: Yôsei Gorasu
Diretor: Ishirô Honda
Ano: 1962
País de Origem: Japão
Duração: 88min

Sinopse: A estrela Gorath está em rota de colisão com a Terra, e os japoneses reúnem forças com cientistas do mundo inteiro para empreender uma missão para salvar a humanidade.

Comentário: O que eu gosto dos filmes do Ishirô Honda é que são diversão garantida. Quando este filme começou fiquei espantado com a excelente produção e efeitos visuais em uma época pré-Star Trek, parecia que ia ser uma ficção científica de alto nível, da mesma maneira que O Vapor Humano iria ser um filme noir de alto nível, mas daí tudo muda e começam as coisas mirabolantes. O plano dos cientistas para salvar a Terra é uma das coisas mais engraçadas do filme, não tem como levar a sério, coisas vão acontecendo e você vai achando que vai ter alguma ligação com algo, algum pretexto maior, mas são só eventos aleatórios que não acrescentam em nada. Quando aparece um monstro destruindo tudo (é um filme do Honda pô! Como assim não ia ter um monstro gigante?) você já está tão de boa assistindo que tudo vira motivo pra diversão. Dos que assisti do diretor ainda prefiro o Mothra, acho que porque o filme consegue não se levar muito a sério desde o começo, mas este talvez foi o que tenha me divertido mais.


terça-feira, 10 de março de 2015

FREUD - ALÉM DA ALMA

Título Original: Freud - The Secret Passion
Diretor: John Huston
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 134min

Sinopse: Huston realiza uma pseudo-biografia do psicanalista vienense Sigmund Freud (1856-1939), mas descrevendo apenas um período de cinco anos (a partir de 1885) da vida do médico. Nessa época, a maioria dos colegas de Freud se recusavam a tratar dos casos de histeria por acreditar que tudo não passava de fingimento dos pacientes para chamar atenção. Mas Freud não achava isso e passou a aplicar a técnica da hipnose, que viria a se tornar uma prática no tratamento psiquiátrico.

Comentário: Huston é um excelente diretor, quanto a isso não há dúvidas, aqui ele pisa em um terreno arenoso, pois não é uma obra fácil de se adaptar, tentar mostrar a teoria de Freud em tela é no mínimo complexo, adaptar biografia é difícil, sempre tem aquela adaptação ficcional que parece não encaixar direito. Não é de seus melhores filmes pela natureza da obra, não pela falta de competência, porém não deixa de ser um filme legal de assistir e fácil para o telespectador mais leigo, outro grande trunfo do Huston aqui. Não posso deixar de imaginar que a escolha de Montgomery Clift para o papel não pode ter sido obra do acaso, ele e Huston já haviam trabalhado juntos em Os Desajustados (Pra mim a obra máxima do diretor), mas a escolha de Clift deve ter sido pelas suas próprias neuroses e autodestruição, famoso pela confusão sexual e pela depressão que o acometia (provavelmente a depressão vinha de sua confusão sexual, alguns biógrafos dizem que era homossexual, outros que era bissexual), foi demitido pela Universal pelas frequentes ausências nas filmagens deste filme deixando o estúdio puto com ele. Havia sofrido um feio acidente de automóvel saindo de uma festa de Elizabeth Taylor uns dois anos antes e Marilyn Monroe chegou a dizer que Clift conseguia estar pior que ela no fator depressão. Era um puta ator, que conseguia roubar a cena quando aparecia, fez um papel digno de Freud na minha opinião, mas bem mais modesto em atuação do que estava acostumado a atuar, chega a ser irônico uma pessoa tão perturbada interpretar o pai da psicanálise e acho que foi essa a ideia. Jean-Paul Sartre escreveu o roteiro original do filme, mas o mesmo não foi usado por ser muito extenso, Huston usou elementos do roteiro de Sartre, mas este acabou não sendo creditado já que a obra foi reescrita por outro roteirista. Menção honrosa para a trilha sonora de Jerry Goldsmith, uma lenda de Hollywood quando o assunto é música.


O OLHO DO MAL

Título Original: L'Oeil du Malin
Diretor: Claude Chabrol
Ano: 1962
País de Origem: França
Duração: 72min

Sinopse: Albin Mercier, um jornalista francês, é enviado à Baviera para escrever um artigo sobre a vida na Alemanha. Ele faz amizade com um casal burguês, o escritor Andreas Hartman e sua esposa Hélène, que moram próximo a ele. O casal parece ser feliz, como também parece gostar da companhia de Mercier. Mercier, no entanto, ressente-se da felicidade deles e decide tomar o lugar de Andreas.

Comentário: Chabrol é um diretor incrível, consegue passar vários tipos de sentimentos com a câmera, mas seus filmes parecem faltar alguma coisa (pelo menos os filmes que assisti, ainda faltam vários). Aqui temos ótimas atuações, uma ótima história e um desfecho que gostei, mas ao mesmo tempo tem momentos que a história parece se arrastar (mesmo o filme sendo bem curto) e alguns personagens parecem não conseguir passar o que poderiam dentro da história (principalmente Hélène). Ainda prefiro ao filme Entre Amigas do diretor. Não gostei nem um pouco da trilha sonora, que parece não entrar em sintonia com o filme. O personagem principal me lembrou bastante ao famoso Tom Ripley, dos livros de Patricia Highsmith, e adaptado para o cinema várias vezes.


quinta-feira, 5 de março de 2015

CINCO VEZES FAVELA

Título Original: Cinco Vezes Favela
Diretores: Marcos Farias, Miguel Borges, Joaquim Pedro de Andrade, Carlos Diegues & Leon Hirszman
Ano: 1962
País de Origem: Brasil
Duração: 91min

Sinopse: Cinco histórias com a visão de diferentes diretores sobre a favela, mostrando um retrato definitivo das pessoas que ali viviam no começo da década de 60. Em "Um Favelado" conta a história de um desempregado que sem dinheiro, arquiteta um plano para poder pagar o barraco onde vive. Em "Zé da Cachorra" um latifundiário quer de volta suas terras, onde está instalada uma favela. Um favelado luta contra a passividade de uma comissão de moradores, que estão aceitando a situação desfavorável que lhes foi imposta. Em "Couro de Gato" crianças caçam gatos a fim de usar seu couro para fabricar tamborins, que serão usados no carnaval. Em "Escola de Samba Alegria de Viver" o presidente do grêmio recreativo, divide-se entre lutar pela sua categoria ou aceitar as imposições comerciais do carnaval. Em "Pedreira de São Diogo" sobre uma pedreira há uma favela. Ao perceberem o risco de desabamento dos barracos, em consequência das explosões de dinamite, os operários incitam os moradores a iniciar um movimento de resistência para impedir um acidente fatal.

Comentário: Como são cinco histórias diferentes é difícil manter o mesmo nível em todas. As melhores pra mim são "Couro de Gato" (de Joaquim Pedro de Andrade) que consegue comover de maneira simples, e "Pedreira de São Diogo" (de Leon Hirszman) que é uma aula de cinema, excelente sequência. As histórias "Um Favelado" e "Zé da Cachorra" são medianas, a primeira (de Marcos Farias) cai um pouco no clichê e não acrescenta muito ao filme, enquanto a segunda (de Miguel Borges) gostei bastante, mas poderia ser bem mais desenvolvida, parece que ficou faltando algo (mas entendo a falta de tempo pro desenvolvimento, senão viraria um filme só sobre ela). "Escola de Samba Alegria de Viver" (de Carlos Diegues) é a mais chata, parece não sair muito do lugar, cansa e é mal desenvolvida. No geral é um filme que vale a pena ser assistido, tanto pelas histórias quanto pela visão documental da época.


DOCE PÁSSARO DA JUVENTUDE

Título Original: Sweet Bird Of Youth
Diretor: Richard Brooks
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 115min

Sinopse: Chance Wayne (Paul Newman) volta à sua cidade-natal, após muitos anos tentando fazer filmes. Com ele está uma decadente estrela de cinema, Alexandra Del Lago (Geraldine Page). Enquanto tenta obter ajuda para fazer um teste de cinema, Chance acha tempo para rever sua ex-namorada, Heavenly (Shirley Knight), a filha do político Tom Finley (Ed Begley), que mais ou menos o forçou a deixar a cidade há muitos anos atrás.

Comentário: Segunda obra que o diretor adapta do famoso escritor Tennessee Williams, confesso que ainda não assisti ao trabalho anterior (Gata em Teto de Zinco Quente), mas gostei bastante deste. Geraldine Page simplesmente rouba todas as cenas em que aparece, deu até um pouco de dó do Paul Newman que não conseguiu chegar perto da interpretação dela. A crítica à Hollywood e ao sonho americano de "se você se esforçar vai conseguir ser alguém" é a melhor parte do filme, o escritor tira sarro do American Way of Life de uma maneira bem sutil. Richard Brooks é um diretor excelente, que já me conquistou com o filme Entre Deus e o Pecado. Gostei bastante do desfecho do filme, achei melhor que o Vidas em Fuga, também do Tennessee Williams, e dirigido pelo Sidney Lumet.


terça-feira, 3 de março de 2015

AQUELE QUE SABE VIVER

Título Original: Il Sorpasso
Diretor: Dino Risi
Ano: 1962
País de Origem: Itália
Duração: 105min

Sinopse: Realizado em 1962, com a Itália já recuperada da Segunda Guerra, o filme capta a atmosfera hedonista e consumista da era dos automóveis conversíveis, da vida de playboy, das festas na praia ao som do rock e twist de Peppino di Capri e do sexo e amor livre dos anos 60. O título original Il Sorpasso pode ser traduzido como A Ultrapassagem, título rico em significados depois que você assiste ao filme.

Comentário: Uma das melhores direções de Dino Risi e outra excelente atuação de Vittorio Gassman com o diretor (Sua Excelência, O Trapaceiro), poderia ser uma das obras primas do diretor, mas eu particularmente não gostei do final, lógico que dá o que pensar, mas não gostei, por puro gosto pessoal mesmo, preferia um final diferente. Mas o filme vale a assistida pelo seu desenrolar, as tomadas de câmeras, o clima bem anos 60 sendo mostrado de maneira excelente. Não conhecia a atriz Catherine Spaak e me deslumbrou pela beleza. Jean-Louis Trintignant (que está mais em evidência recentemente pelo filme Amor) também demonstra incrível talento já no começo de carreira, é o filme mais antigo que assisti com ele. Vale a assistida pelo elenco, pela direção, pelo clima sessentista e pelo filme em geral, mas continuo não gostando do desfecho. Foi um dos primeiros road-movies da história do cinema, e teria sido usado como referência, segundo Dennis Hopper, para o clássico Easy Rider.


ÁNIMAS TRUJANO

Título Original: Ánimas Trujano (El Hombre Importante)
Diretor: Ismael Rodríguez
Ano: 1962
País de Origem: México
Duração: 99min

Sinopse: Este drama de Ismael Rodríguez tem como pano de fundo um "festival de mayordomía", festa típica dos estados mexicanos do sul. Na celebração anual, a Igreja elege um homem como "mayordomo", posto de grande honra; quem fizer a maior doação consegue o cobiçado título. O célebre ator Toshiro Mifune faz o papel de Ánimas Trujano, um camponês rude e preguiçoso que nada faz, enquanto sua mulher sustenta a família. A grande ambição de Ánimas e tornar-se "mayordomo", e para isso ele começa a fazer de tudo para conseguir o dinheiro necessário.

Comentário: É isso mesmo que vocês leram na sinopse, o Toshiro Mifune interpreta um mexicano e isto por si só já é motivo de piada. O filme tem partes boas e partes ruins, o que torna ele um filme regular. É estranho Mifune, um ator japonês famoso pelos filmes do Kurosawa, aceitar entrar em uma coisa assim (só pode ter sido pela piada pronta), o ator tem cara de japonês, fala como japonês e tenta a todo momento de maneira tosca se fingir de mexicano (até os pelos no peito dele você consegue ver que é falso), e isto atrapalha bastante o desenrolar do filme porque não se consegue levar o filme a sério. A direção é competente, Ismael Rodríguez tem seu talento. Tem partes cômicas e tem partes de dramalhão, indico só pra quem for fã do ator mesmo pra dar umas risadas.