terça-feira, 14 de abril de 2015

O MAIS LONGO DOS DIAS

Título Original: The Longest Day
Diretores: Andrew Marton, Bernhard Wicki & Ken Annakin
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 178min

Sinopse: Em 6 de junho de 1944, a Invasão Aliada marcou o início do fim da dominação nazista na Europa. O ataque envolveu 3.000.000 homens, 11.000 aeronaves e 4.000 navios, que compunham a maior armada que o mundo já viu. O Mais Longo dos Dias é uma reconstituição vivida, momento a momento, deste evento histórico. Apresentando um elenco de astros internacionais, e narrado do ponto de vista de ambos os lados, é um olhar fascinante que presencia os enormes preparativos, os erros e acontecimentos inesperados que determinaram o resultado de uma das maiores batalhas da História.

Comentário: O filme é longo, como o próprio título já diz, mas é um baita filme. Interessante como tiveram o cuidado de colocar os alemães falando alemão e os franceses falando francês, nesta época é cheio de filme americano que mostra o mundo inteiro falando inglês. O grupo de astros ajuda muito ao filme, John Wayne (meu ídolo supremo) está ótimo, a cara que ele faz ao ver os paraquedistas mortos pendurados é imbatível (uma mistura de tristeza e raiva como só o Duke sabia fazer). Um filme fiel aos fatos até onde um filme pode chegar, misturando tensão, esquemas táticos e descontração que ajudam com que o filme passe rápido. Red Buttons foi o melhor coadjuvante em todos os filmes que assisti com ele, consegue roubar qualquer cena em que aparece, neste filme ele não foge à regra. Um filme obrigatório devido a importância histórica. Achei bem digna a maneira com que o filme mostra os alemães, tentam colocá-los apenas como um oponente a ser combatido e não como o vilão que costumam a retratar nos filmes (não que o fascismo do Hitler não deva ser mostrado como o Diabo na Terra, mas vocês entenderam o que eu quis dizer). Não vou falar de todo o elenco, porque é muita gente famosa fazendo ponta, mas todos estão ótimos.


OS ANOS LOUCOS

Título Original: Anni Ruggenti
Diretor: Luigi Zampa
Ano: 1962
País de Origem: Itália
Duração: 102min

Sinopse: Nos anos trinta, durante a ditadura fascista, um corretor de seguros, Omero Battifiori, atinge uma pequena cidade do interior de Roma em busca de novos clientes, mas acaba sendo confundido por um inspetor fascista a serviço do ditador Mussolini.

Comentário: Um filme que me surpreendeu muito, tanto pelo lado cômico, quanto pelo lado crítico contra o fascismo, e o mais importante, em como o diretor conseguiu casar as duas coisas ao mesmo tempo neste filme. Nino Manfredi está perfeito no papel principal, toda a trama que se forma em torno dele é muito bem escrita, bem amarrada e leva a reflexões bastante interessantes e atuais (afinal tá cheio de palhaços nas ruas levantando placas de apoio a  ditadura militar) para os dias de hoje. Michèle Mercier está belíssima e consegue atuar muito bem, consegue passar perfeitamente o papel de uma filinha de papai anencéfala que até assusta. O desfecho do filme é o melhor de tudo, vale muito a pena assistir. (PS: No IMDB consta o título original como Gli Anni Ruggenti, porém em todos os pôsteres que achei do filme não aparece o "Gli", escolhi manter sem o Gli no título original da ficha acima).


sexta-feira, 10 de abril de 2015

CAMINHADA SEM DESTINO

Título Original: Hourou-Ki
Diretor: Mikio Naruse
Ano: 1962
País de Origem: Japão
Duração: 123min

Sinopse: Baseado na vida e carreira de Fumiko Hayashi, a romancista cujo trabalho Mikio Naruse adaptou várias vezes para a tela. Da infância à vida adulta, Fumiko enfrenta uma pobreza amarga. Tendo que trabalhar apenas para comer e ajudar os pais, ela espera o reconhecimento literário. 

Comentário:  Como todos os filmes que já assisti do Mikio Naruse, este não foge a regra, é muito bom. Hideko Takamine interpreta muito bem a escritora, consegue passar aquele olhar de amargura mesmo quando está sorrindo. Achei que o filme cansa um pouco, mas o melhor é na reflexão de vida que acaba trazendo junto. Porque muitas vezes afastamos pessoas que nos fazem bem e insistimos em manter relações que nos fazem mal? Fumiko Hayashi parecia perita no assunto. Com o desfecho e o pouco que aparece da velhice da escritora, ficou um gosto amargo na boca, como se ela tivesse se tornado uma pessoa rancorosa e esquecido vergonhosamente de onde realmente veio, mas pode ter sido uma impressão errada que eu tive. Dos três filmes que assisti do diretor, este foi o que menos gostei, mas é um filme forte e que vale a pena. O filme é baseado na própria autobiografia da escritora.


O CÉREBRO QUE NÃO QUERIA MORRER

Título Original: The Brain That Wouldn't Die
Diretor: Joseph Green
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 82min

Sinopse: Um jovem cirurgião, Dr. Bill Cortner, faz experiências secretas em seu laboratório numa casa de campo, com o objetivo de conseguir sucesso no transplante de membros humanos, utilizando um soro especialmente desenvolvido para evitar a rejeição. Quando ocorre um grave acidente de carro que vitimou sua noiva Jan Compton, ele consegue recuperar apenas sua cabeça dos escombros em chamas e decidiu mantê-la viva em seu laboratório, repousando-a numa bandeja com o soro. Agora, o desafio do cientista é encontrar um corpo de uma bela mulher, sem chamar a atenção da polícia, para tentar uma cirurgia de transplante na cabeça da noiva, que por sua vez não aceita a condição monstruosa em que se encontra, adquirindo poderes não previstos, distorcendo a mente, adquirindo raiva e conseguindo se comunicar e se aliar com uma aberração grotesca que está mantida presa no porão, fruto das experiências fracassadas do cirurgião.

Comentário: Taí um dos filmes que prova que brasileiro simplesmente não sabe traduzir títulos: The Brain That Wouldn't Die poderia ser traduzido pra algo como "O Cérebro Que Não Morria" ou "O Cérebro Que Não Conseguia Morrer", mas da maneira que o título foi traduzido só prova que o tradutor não assistiu ao filme, já que a única coisa que o cérebro quer durante o filme inteiro é morrer. O filme é tosco, roteiro tosco, elenco tosco, coisas toscas, mas é exatamente um filme feito pra ser tosco, então vale pela diversão. Poderia, porém, ser muito mais legal, faltou elementos no filme. A cabeça decepada da namorada, por exemplo, poderia ser mais trabalhada, ter mais destaque. Um filme que tinha muito potencial no gênero, mas que deixa a desejar. O final rápido demais meio que decepcionou. Um filme regular, me diverti muito mais assistindo ao Plano 9 do Espaço Sideral do Ed Wood.


quarta-feira, 8 de abril de 2015

O REPOUSO DO GUERREIRO

Titulo Original: Le Repos Du Guerrier
Diretor: Roger Vadim
Ano: 1962
País de Origem: França
Duração: 98min

Sinopse: Quando a bela e inocente jovem burguesa parisiense, Geneniève Le Theil, viaja para Dijon para resolver os problemas pertinentes a uma herança deixada pela sua rica tia, sem querer abre a porta de outro quarto de hotel, e encontra um suicida perto da morte na cama. Mais tarde, Geneviève vai até o hospital e conhece Renaud Sarti, o depressivo alcoólatra que salvou. Então ela se apaixona por Renaud e o leva para seu apartamento em Paris, iniciando uma destrutiva, masoquista e corrupta relação com um homem muito abusado.

Comentário: O filme só vale pela parte técnica e pela Brigitte Bardot, curto bastante a direção do Roger Vadim... e a Brigitte Bardot é simplesmente livre da necessidade de qualquer elogio. Mas os elogios ao filme em si param por aí, os diálogos são fracos, o relacionamento patético dos dois personagens é tão tosco, raso e mal construído que o desfecho horrível do filme consegue ficar mil vezes pior. Não recomendo, assista apenas se for fã da Bardot ou dos filmes do Vadim por pura curiosidade.


O 5º PODER

Título Original: O 5º Poder
Diretor: Alberto Pieralisi
Ano: 1962
País de Origem: Brasil
Duração: 99min

Sinopse: Uma potência estrangeira tenta desestabilizar o Brasil através da propaganda subliminar, que pode atingir o inconsciente das pessoas por meio de artefatos eletrônicos. Um jornalista começa a investigar uma série de fatos e descobre os responsáveis pelos distúrbios.

Comentário: O filme é bem interessante, pode ter algumas coisas forçadas, pontas soltas e coisas do tipo, mas impressiona com as coincidências de fatos. Quem iria pensar que dois anos depois deste filme o Brasil sofreria um golpe militar financiado pelos Estados Unidos? (uma potência estrangeira como no filme). E quem iria imaginar que ainda nos dias de hoje seríamos uma nação comandada pela mídia (vai me dizer que você acha que a Rede Globo não faz uma bela de uma lavagem cerebral na maioria da população?). Isto por si só aumenta bastante o grau de importância do filme. Uma pena que a única cópia disponível esteja com legendas fixas em inglês, é uma vergonha que nossa obra e cultura tenha que ser salva do ostracismo pelos americanos e não pelo povo brasileiro. Ah, já ia esquecendo de elogiar a Eva Wilma, sempre uma musa suprema do cinema nacional nos anos 60. Um fato interessante sobre o filme é a rixa que gerou entre o roteirista e produtor Carlos Pedregal (de origem espanhola) e do diretor Alberto Pieralisi (italiano), o primeiro não estava gostando do clima sério e sem ação que o diretor estava seguindo e resolveu falar com Pieralisi que decidiu se afastar. Eva Wilma interveio e disse que não seria dirigida por outro diretor, fim da história: Pieralisi dirigiu as cenas com Eva Wilma e Pedregal (que não consta nos créditos como diretor) dirigiu as cenas sem Eva Wilma. Pieralisi quis dividir os créditos quando o filme começou a ganhar notoriedade, mas ficou por isto mesmo. A embaixada americana tentou impedir Pedregal de filmar devido ao tema de mensagens subliminares, ele vendeu quase tudo que tinha pra terminar o longa. Um filme vergonhosamente esquecido, que merecia um lugar de destaque nas grandes produções brasileiras.


segunda-feira, 6 de abril de 2015

O DESPERTAR DE WOTON

Título Original: Woton's Wake
Diretor: Brian De Palma
Ano: 1962
País de Origem: EUA
Duração: 27min

Sinopse: Woton Vladimir Ratatchevski é um maníaco, uma espécie de vampiro social que se esmera em matar belas jovens e colecionar apetrechos roubados de suas vítimas. Esta saga o acompanhará em seus atos vis, seja enganando uma jovem com um jogo de xadrez, seja organizando seu macabro esconderijo, seja infiltrando-se numa orgia de jovens ávidos por sexo. No final de tudo, não haverá saída: a bomba atômica terá que explodir...

Comentário: Primeiro trabalho cinematográfico do diretor Brian De Palma, e é bastante perturbador. Contém um clima que parece tirado de David Lynch, as bizarrices de um David Cronenberg e um estilo que também lembra Tim Burton, mas tudo isto muito antes desses diretores fazerem história. As canções são simplesmente excelente, beirando um folk que encaixa perfeitamente nas cenas. O filme incomoda, não é fácil, porém tem a vantagem de ser rápido (é um curta metragem nos padrões internacionais e um média metragem nos padrões nacionais). Um filme extremamente sensorial e experimental, não esperem uma viagem fácil, sim, o filme é uma tremenda viagem. Não é uma obra prima, mas é o prenuncio de que Brian De Palma seria um grande diretor.


DOIS DESTINOS

Título Original: Cronaca Familiare
Diretor: Valerio Zurlini
Ano: 1962
País de Origem: Itália
Duração: 109min

Sinopse: Os irmãos Enrico (Marcello Mastroianni) e Lorenzo (Jacques Perrin) foram separados ainda na infância. Desde então os dois não tiveram nenhum contanto afetivo, mas com um encontro repentino e a solidão de ambos, eles terão que deixar as diferenças e buscar uma relação afetuosa mesmo que dolorosa.

Comentário: Marcello Mastroiani consegue me fisgar a cada novo filme que assisto com ele, pra mim é o maior ator de todos, o meu preferido. Primeiro filme em cores que assisto com ele, até então achava que ele era em preto e branco, foi estranho. Zurlini é um puta diretor, preferi como filme o A Moça com a Válise, mas no quesito técnico preferi a direção dele neste aqui. A música de Goffredo Petrassi é ótima e casa muito bem com o filme. O filme em si é um pouco melodramático demais, quase cai em um tremendo dramalhão, mas o pulso forte do diretor e o talento de Mastroianni seguram muito bem o filme. Jacques Perrin, em seu segundo trabalho com o diretor, também demonstra já um enorme talento bem no início da carreira. Perto do final o filme da uma arrastada, principalmente por você saber o desfecho desde o começo, pra mim ficou um gostinho de que faltou alguma coisa, mas no geral é um filme acima da média.


quarta-feira, 1 de abril de 2015

MINHA LUTA

Título Original: Den Blodiga Tiden
Diretor: Erwin Leiser
Ano: 1960
País de Origem: Alemanha
Duração: 117min

Sinopse: Um documentário brilhante e imperdível. Cada segundo deste documentário é uma autêntica filmagem alemã, descoberta dos arquivos secretos da guarda de elite nazista e escondida pelo próprio Goebbels por serem muito fortes. Minha Luta criou um impacto internacional e foi aclamado como um dos mais incríveis documentários históricos. Criou turbilhões onde quer que tenha sido mostrado e arrancou entusiasmados aplausos e críticas. Minha Luta vai fundo na ascensão e queda do terceiro Reich e do gênio do mau que o criou. Durante o filme sempre surge a pergunta que vem atormentando as mentes e corações de todo o mundo: Como podem ter deixado isso acontecer?

Comentário: O documentário é uma produção tanto alemã quanto sueca, o título original é o sueco (que quer dizer Mein Kampf, título do livro que Hitler lançou e na tradução em português é Minha Luta), porém por ter um diretor alemão e se passar em um período histórico alemão revolvi classificá-lo como um filme da Alemanha. Não é um documentário fácil, já que mostra todos os horrores que o nazismo cometeu, porém a primeira metade do filme mostra bem o caminho político que Hitler percorreu para chegar ao poder, então é fácil você acabar perdendo alguns detalhes. Da metade pro final temos os horrores da II Guerra Mundial. É engraçado pensar nos horrores perpetrados pelo nazismo e no alvoroço todo que milhares de mortes ocorreram durante o conflito (seja nos campos de concentração, seja nos campos de batalha), mas ninguém parece perceber que milhares de pessoas continuam morrendo, tanto de fome (vide África), quando em campos de batalha (vide Oriente Médio) e ninguém parece se preocupar tanto. Nossos valores mudaram tanto assim desde a década de 40? Um filme reflexivo que mostra a mais pura barbárie que sem que percebamos é cometida até os dias atuais. Um filme que vale à assistida pra sentirmos vergonha da humanidade.


HARAKIRI

Título Original: Seppuku
Diretor: Masaki Kobayashi
Ano: 1962
País de Origem: Japão
Duração: 133min

Sinopse: Após o colapso de seu clã, o samurai desempregado Hanshiro Tsugumo (Tatsuya Nakadai) chega ao castelo do Senhor Iyi, a quem pede licença para cometer ritual suicida em suas terras. Os membros do clã de Iyi, que acreditam estar o desesperado ronin apenas buscando abrigo, tentam forçá-lo a remover suas próprias vísceras – subestimando assim sua honra e seu passado. Vencedor do Prêmio Especial do Júri no Festival de Cinema de Cannes em 1963, Harakiri de Masaki Kobayashi é uma denúncia feroz da hipocrisia da autoridade feudal.

Comentário: Quando eu assisti A Herança do mesmo diretor me falaram que era um filme menor dele, não entendi muito bem os comentários já que tinha adorado o filme, bem, agora ficou claro: Harakiri é simplesmente um dos melhores filmes que assisti até agora de 1962 e com certeza o meu filme favorito de samurais. O filme é simplesmente visceral, não no sentido sangrento, mas no sentido emocional. Uma enorme crítica aos valores e costumes conservadores japoneses de uma maneira tão fodástica que não dá pra explicar em um texto. É preciso assistir! Um filme obrigatório que merecia ter ganho a Palma de Ouro, mas ficou só com o prêmio especial do Júri. A Direção de Kobayashi é perfeita, a atuação de Tatsuya Nakadai é de encher os olhos e o roteiro todo entrecortado é de dar inveja a qualquer escritor.